Vigoroso aos 87, Jorge Ben Jor se emociona e emociona público em show em SP
O cantor e compositor apresentou grandes sucessos no espetáculo "Alquimia Popular Brasileira", que reuniu mais de 50 mil de fãs no Nubank Parque
Por Adriana Del Ré
18/10/2026 | 11h52Divulgação/@30ebr/@morivafilmes
Jorge Ben Jor realizou um show memorável no Nubank Parque, em São Paulo, para uma plateia de cerca de 50 mil pessoas, destacando-se por sua performance enérgica aos 87 anos e pela conexão com o público.
O repertório, que incluiu clássicos da MPB, foi uma surpresa até o início do show, com Ben Jor apresentando uma seleção de hits que encantaram tanto fãs antigos quanto novas gerações.
Após uma apresentação emocionante, o músico contou com a participação de convidados ilustres e já se prepara para se apresentar no festival Rock the Mountain 2026, ampliando sua influência musical.
São Paulo - Um dos grandes ícones da nossa música, Jorge Ben Jor não é dado a fazer longas turnês. Pelo menos, não nos últimos anos. Ele tem preferido fazer apresentações pontuais ou em festivais. Por isso, vê-lo ao vivo no palco é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada. O show "Jorge Ben Jor - Alquimia Popular Brasileira", realizado na noite de sábado, 17, no Nubank Parque, em São Paulo, foi um desses casos.
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Uma plateia lotada, com cerca de 50 mil pessoas, esperava ansiosamente o músico quando ele despontou no palco, com sua guitarra em punho e seus indefectíveis óculos escuros no rosto. A guitarra elétrica se tornou seu principal instrumento de forma marcante a partir do álbum "África Brasil" (1976), após mais de uma década imprimindo uma sonoridade única ao violão. Já os óculos escuros são sua marca registrada há quatro décadas.
Uma superbanda, formada por nomes luxuosos como Dadi Carvalho no baixo e Paula Lima nos backing vocals, já o aguardava. Estavam todos vestindo branco, como o músico faz questão em seus shows – inclusive isso vale para toda a equipe de produção que trabalha nos bastidores. É outro antigo hábito, ligado principalmente à sua conexão com a cultura afro-brasileira e às religiões de matriz africana.
O repertório era um mistério até aquele início de show. Ben Jor havia ensaiado cerca de 50 canções, mas ninguém sabia dizer quais seriam apresentadas. Com quase 30 álbuns de estúdio lançados – seu último foi “Recuerdos de Asunción 443”, de 2007 –, além de trabalhos ao vivo e compilações, o músico tem sucessos para fazer vários shows.
Emendando hits
Exalando vigor aos 87 anos, Jorge Ben Jor fez duas horas ininterruptas de show, com apenas uma rápida fugida para os bastidores, emendando uma canção na outra, como se quisesse ganhar tempo para executar o máximo possível de sua lista pré-selecionada.
Ele abriu o espetáculo com o clássico "Ave Anjos Angeli", com um arranjo reggae, diferente da versão gravada no disco "Homo Sapiens", de 1995. Depois, enfileirou seus grandes hits, que se tornaram música conforto para quem aprecia MPB, como "A Banda do Zé Pretinho", os pot-pourris "Santa Clara Clareou"/"Zazueira"/"A Minha Menina"; "Que maravilha"/"Magnólia"/"Ive Brussel"; "Menina Mulher da Pele Preta"/"O Telefone Tocou Novamente", e "País Tropical"/"Spirogyra Story".
Mesmo sem se saber como seria o repertório, canções como "W/Brasil (Chama o Síndico)" e "Os Alquimistas Estão Chegando Os Alquimistas" são obrigatórias em qualquer show de Ben Jor, e fizeram a alegria de quem as esperava.
Aliás, o clima de alegria e leveza deu o tom no palco e na plateia. O público na pista estava muito atento à apresentação – coisa rara de se ver hoje em dia. Foi bonito de ver também muita gente mais nova ali no meio, compartilhando aquele momento emocionante com fãs mais antigos, da época de discos clássicos como "Jorge Ben" (1969) e "A Tábua de Esmeralda" (1974).
Surpresa final
Diante daquele mar de gente, Jorge Ben Jor, nos altos de seus mais de 60 anos de carreira, também se emocionou algumas vezes.
O show se encaminhou para o fim com "Costa Do Marfim" e o pot-pourri "Mas Que Nada/Chove Chuva/Por Causa de Você, Menina". Na sequência, veio uma surpresa inusitada: convidados ilustres, como Samuel Rosa, Wilson Simoninha, Max de Castro e Baby do Brasil, se juntaram a ele e cantaram músicas como "Taj Mahal" e "Curumim Chama Cunhatã que Eu Vou Contar (Todo Dia Era Dia de Índio)".
Ainda extasiado, Ben Jor parecia não querer deixar o palco enquanto se despedia do público.
Ele agora vai levar sua alquimia de ritmos para o festival Rock the Mountain 2026, que será realizado no Parque Municipal de Itaipava, em Petrópolis (RJ), nos dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro, e 6, 7 e 8 de novembro.
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