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Roberta Campos fala de disco, hits em novelas e do amor da avó que a salvou

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A cantora e compositora Roberta Campos revisita própria obra em "Coisas de Viver a Dois", com participações especiais - Divulgação
A cantora e compositora Roberta Campos revisita própria obra em "Coisas de Viver a Dois", com participações especiais
Por Adriana Del Ré

03/08/2026 | 14h53

São Paulo – Há duas décadas, a voz doce de Roberta Campos embala os corações apaixonados, de noveleiros a apreciadores de MPB feita com excelência. Essa voz também tem um rosto conhecido e marcante, da artista de olhos azuis brilhantes emoldurados por fartos cabelos cacheados. Autora de canções de sucesso como "De Janeiro a Janeiro”, a cantora mineira, aos 48 anos, está com um novo trabalho.

Na contramão da urgência imposta pelo streaming – e pela lógica das canções avulsas lançadas diariamente –, ela revisitou oito faixas do álbum de inéditas “Coisas de Viver”, de 2025, desta vez ao lado de convidados especiais. O resultado é o disco “Coisas de Viver a Dois”, que acaba de chegar às plataformas de música.

Acho que trazer outra pessoa junto comigo para cada canção leva essa música para um outro lugar”.

Cada voz carrega uma história, um jeito de viver, e isso se reflete nos duetos, observa a compositora. “Peito Aberto”, por exemplo, ganha a potência do grave de Zélia Duncan, enquanto “Gérbera” traz a aura romântica de Jorge Vercillo. “Na Proa da Saudade” vem calibrada com o canto quente e quase falado de Zeca Baleiro.

Em “Coisas de Viver”, a suavidade da cantora encontra o aconchego da interpretação de Jota.pê. Já em “Escapulário”, Elba Ramalho atenua seu tom costumeiramente energético para atingir a reflexividade que a música pede.

Amor de vó

Roberta Campos está cantando durante o programa Altas Horas
Roberta Campos, em participação no programa "Altas Horas" - Reprodução/Miguel Salvatore/Altas Horas

Uma marca da cantora é a melancolia, que vem da sua história de vida. Abandonada pela mãe após a separação dos pais, Roberta, com apenas 11 anos, e as irmãs mais novas foram morar com os avós. Mesmo com a tristeza que sentia, ela desenvolveu uma relação afetuosa com a música – e esse interesse não foi ignorado por quem convivia com ela.

“Eu ficava muito triste pelos cantos, pensando no que eu ia fazer da minha vida. É um sentimento muito pesado para uma criança que não sabe muito da vida ainda.” 

Atenta e sensível, sua tia avó, que morava perto, sugeriu que Roberta estudasse violão com o vizinho. “O que ele me passou foi muito valioso. Fui poucas vezes e depois continuei esse estudo sozinha.”

Foi também naquele núcleo que ela encontrou o amor materno na figura da avó Rosária, a quem ela dedicou uma música no disco "O Amor Liberta", de 2021.

Aprendi muita coisa, devo à minha avó as partes melhores que eu tenho, porque, para mim, ela foi a pessoa mais incrível, insuperável da vida. Ela me ensinou o amor.”

Sucesso nas novelas

A voz de Roberta Campos também já é uma velha conhecida para quem gosta de assistir a novelas. Com mais de 20 canções autorais em trilhas sonoras de folhetins, ela viu sua carreira ganhar projeção quando, por exemplo, “Minha Felicidade” foi escolhida para ser tema de abertura da novela “Sol Nascente”, exibida em 2016, na Globo, ou “Abrigo” integrou “O Outro Lado do Paraíso”, de 2017.

Nando Reis está cantando com microfone enquanto Roberta Campos olha para ele
Roberta Campos e Nando Reis gravaram dueto em "De Janeiro a Janeiro" - Reprodução/YouTube

Outra canção que já faz parte da memória afetiva dos noveleiros é "De Janeiro a Janeiro", sobretudo depois que esse dueto com Nando Reis entrou em “Sangue Bom” (2013), na Globo. Na trama, ela embalou a história de amor de Bento (Marco Pigossi) e Amora (Sophie Charlotte).

Aliás, a canção bateu recorde ao entrar em cinco novelas, incluindo ainda "Rebelde" (Record TV), "Além do Tempo" (Globo), "Cúmplices de um Resgate" (SBT) e "Carinha de Anjo" (SBT).

“O impacto na carreira foi muito grande. A rádio já te dá essa visibilidade. A novela também tem uma força de juntar a música com a história. Então, o que você sente ali dá uma amplificada, principalmente se você gosta da história.”

Roberta não é só uma intérprete das próprias músicas. A força de sua interpretação faz até muita gente acredita que a canção “Casinha Branca” seja dela, sobretudo depois que sua versão entrou na trilha de "Malhação: Viva a Diferença" (2017–2018). No entanto, esse clássico lançado em 1979 é de autoria de Gilson Vieira da Silva e Joran Ferreira.

“Tem muita gente que tem um traço na voz. Eu mesma tenho uma certa melancolia, às vezes, canto uma música feliz e trago isso. É uma marca mesmo. E é tudo o que a gente vive”, observa.

Ouça "Coisas de Viver a Dois":

Além de apresentar o novo álbum nas plataformas, Roberta Campos volta ao palco desta vez em um show dedicado à obra da Legião Urbana, que apresenta no dia 14 de agosto, no The Cavern Club SP, em São Paulo.

Serviço

Roberta Campos canta Legião Urbana 
Data: 14 de agosto de 2026
Show: 21h30
Local: The Cavern Club SP
Endereço: Shopping Vila Olímpia – Rua Olimpíadas, 360, Vila Olímpia, São Paulo
Ingressos: Ticketmaster

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