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Baby do Brasil, 74, ganha documentário: "já paguei imposto, agora é curtir"

VIVA/Adriana Del Ré

Baby do Brasil na Mostra Diversidade 60+, ao lado do cartaz do VIVA, que é parceiro de mídia do evento - VIVA/Adriana Del Ré
Baby do Brasil na Mostra Diversidade 60+, ao lado do cartaz do VIVA, que é parceiro de mídia do evento
Por Adriana Del Ré

24/07/2026 | 10h38

São Paulo - Aos 74 anos, Baby do Brasil foi a grande homenageada do primeiro dia da Mostra Diversidade 60+, realizada na noite desta quinta (23), no Cine Satyros Bijou – Sala Patrícia Pillar, em São Paulo. Parte integrante da Mostra da Diversidade do Cinema Brasileiro, o evento – que tem parceria de mídia com o portal VIVA – acontece ainda nesta sexta (24) e domingo (26), com entrada gratuita (veja programação completa aqui).

A cantora niteroiense, que foi revelada nos Novos Baianos nos anos 1970, esteve presente na mostra ao lado do diretor Rafael Saar, para acompanhar a sessão do documentário "Apopcalipse Segundo Baby”. Em seguida, participou de debate com o público, mediado por Amilton Pinheiro, jornalista, crítico e curador do evento.

Para mim, é gratificante ver o documentário, porque uma das coisas que eu mais prezo é minha autenticidade, é ser eu. É Baby sendo Baby", disse a cantora.
Rafael Saar, Baby do Brasil e Amilton Pinheiro estão em debate, em cima de uma palco
O diretor Rafael Saar, Baby do Brasil e o mediador Amilton Pinheiro - VIVA/Adriana Del Ré

Saar passou 18 anos filmando Baby, e junto com material de acervo conta, de forma cronológica, a complexidade de sua personagem: uma mulher livre e talentosa, que avançou na carreira musical e quebrou tabus ao mesmo tempo em que tinha seus seis filhos com Pepeu Gomes, também um Novo Baiano. O filme também explora sua dimensão religiosa – mostrando como essa fé se transformou até levá-la a se tornar uma pastora evangélica.

Após o debate, Baby deu entrevista exclusiva ao VIVA, a seguir:

VIVA: Como é ver a passagem do tempo por meio desse documentário?

Baby do Brasil: O documentário demorou 18 anos, Rafael me acompanhou nesse tempo. Ele não alterou nada, não trouxe nenhum traço de ficção, é exatamente tudo o que ele viu e assistiu. Ele teve sensibilidade para fazer essas costuras todas. Não tem uma amenizada, uma aumentada. Para mim, é gratificante, porque uma das coisas que eu mais prezo é minha autenticidade, é ser eu. É Baby sendo Baby.

Como é para você o processo de envelhecer?

O envelhecimento é uma coisa maluca, porque a pessoa começa a achar que está cansada, então ela prefere fazer um crochê, um tricô, ficar na cadeira de balanço, não tem mais aquele negócio com o marido. Fiz 74 primaveras de planeta Terra, me sinto com uns 14, 17.

Na verdade, me sinto melhor do que aos 17, quando comecei minha carreira. Por quê? Tenho cuidado com muita coisa, principalmente da minha cabeça, da minha espiritualidade, da fé, de estar com Deus, me sentir plena o tempo inteiro."

Se eu achar alguma coisa na minha pele que eu não esteja gostando... hoje vivemos em um tempo incrível, com laser. E tem gente que quer ficar cheia de ruga, acha lindo, acha chique; tem outro que não gosta; outro que quer ficar com cabelo branco, outro quer ficar com cabelo azul. Acho que, ao se falar de idade, existe uma sabedoria, uma liberdade que a gente não tinhae antes. A gente conquista. Então, meu conselho é: divirta-se, curta, seja você, coloca agora tudo que você tem de maravilhoso na mesa, mas com Deus.

O que acha das pessoas que falam que não se pode usar determinadas roupas ou não se pode ter cabelo azul a partir de certa idade?

Isso é uma doideira. Se você olhar para mim: pregadores de cabelo, corrente nas botas, sainha-shorts, cheia de pulseiras, luvinhas, unhas craqueladas. Isso, então, uma mulher de 74 anos não faria - mas eu toquei guitarra. Esqueci da idade, que maravilha. Sabe por quê? Sou livre. O que eu já paguei de imposto e o que eu já contribuí só para aumentar a população, são 6 (filhos).

Então, é tempo de curtir .Tempo de viver aquilo que, quando se tem 14, 17, 20, 30 anos, você não tem sabedoria, experiência. O saldo é muito bom e agradeço a Deus por isso, porque, se não fosse por Ele, não sei onde eu estaria."

Não é mais um tempo de você pensar que está fazendo uma idade, mas um tempo de muita curtição, porque você fez todas as idades que merecia. As idades fizeram você. Então, se cuide e ‘bora’ para a grande vitória."

Como sua relação com o palco foi mudando ao longo desses mais de 50 anos de carreira?

Fui aprendendo a me soltar, a ser eu, aquela pessoa que sobe no palco e sente o estilo que quer fazer, porque tenho uma coisa muito peculiar: não sou uma cantora que canta tudo igual sempre. Na segunda vez, vou querer improvisar, curtir, e tenho essa coisa das cantoras de jazz. A Elis improvisava, a Elza Soares improvisava, algumas cantoras nossas curtiam isso, eu curto muito, é meu estilo. Vou cantar e lembro da música de maneira muito livre.

Hoje, no palco, tenho sido a diretora musical dos meus últimos três shows, e agora vem o novo, que está sendo desenhado neste momento e que vai ter tudo a ver com o filme, com algumas imagens e músicas que estão no roteiro. E que também mostra uma Baby de hoje. Vai ter quatro músicas novas.

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