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'Aging in place': localização vira prioridade dos 60+ na compra de imóvel

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Compradores 60+ escolhem imóveis pela proximidade dos serviços, não pelo espaço - Adobe Stock
Compradores 60+ escolhem imóveis pela proximidade dos serviços, não pelo espaço
Por Alexandre Barreto

18/07/2026 | 09h59

São Paulo - Brasileiros com mais de 60 anos utilizam como critério a localização na hora de comprar um imóvel. Em vez de priorizar apartamentos maiores, esse público busca bairros com hospitais, farmácias, supermercados, transporte público, áreas verdes e comércio diversificado, para manter a autonomia e facilitar o dia a dia.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2025, cerca de 15,6 milhões de domicílios eram ocupados por apenas uma pessoa, número que dobrou em relação aos 7,15 milhões registrados em 2012.

Desse total, 41,2% tinham moradores com 60 anos ou mais, refletindo que essa tendência acompanha mudanças no perfil das famílias brasileiras, além do crescimento dos lares unipessoais entre a população 60+.

A pesquisa mostra que o envelhecimento da população brasileira é mais acentuado nas regiões Sudeste e Sul, onde as pessoas com 60 anos ou mais representam 18,1% dos moradores, acima da média nacional de 16,6%.

Segundo o IBGE, o aumento do número de pessoas dessa faixa etária morando sozinhas é explicado, principalmente, pelo envelhecimento. Além disso, mudanças na estrutura familiar, como casamentos mais tardios, a saída dos filhos de casa para formar suas próprias famílias e a viuvez, contribuem para esse cenário. Isso reforça o conceito conhecido como "aging in place", expressão utilizada para definir o envelhecimento na própria casa e na comunidade onde a pessoa vive.

A ideia desse termo é permitir que pessoas 60+ mantenham independência e qualidade de vida pelo maior tempo possível, sem necessidade de mudança para instituições de longa permanência.

casal mais velho negocia contrato
Pessoas 60+ trocam apartamentos grandes por bairros bem localizados - Adobe Stock

Por conta desse novo comportamento, a infraestrutura do bairro passou a ter papel decisivo na escolha do imóvel. A proximidade de serviços essenciais reduz deslocamentos e contribui para uma rotina mais prática.

Entre os fatores mais valorizados pelos compradores estão a proximidade de hospitais e unidades de saúde, farmácias e supermercados, além de restaurantes e comércio variado, estações de metrô e outras opções de transporte público, parques e áreas para caminhada, e serviços que possam ser acessados a pé.

A facilidade para resolver tarefas da rotina sem depender de carro ou de longos deslocamentos ajuda a preservar a autonomia e incentiva uma vida mais ativa. Além da localização, o perfil dos imóveis também mudou.

De acordo com a imobiliária inCanto Urbano, muitos consumidores acima dos 60 anos passaram a optar por apartamentos menores, com plantas mais funcionais e condomínios que ofereçam estrutura voltada ao conforto, convivência e acessibilidade.

Essa transformação já vem sendo acompanhada pelo mercado imobiliário, com novos empreendimentos incorporando espaços de lazer, ambientes acessíveis e áreas comuns planejadas para atender uma população que busca envelhecer com mais independência.

Para Júlia Gagliardi, fundadora e CEO da imobiliária inCanto Urbano, em São Paulo, esse comportamento já é percebido entre pessoas 60+.

Observamos um movimento consistente de clientes que optam por apartamentos menores, mas em condomínios com estrutura completa. Existe uma busca clara por praticidade, segurança e também por manter uma rotina ativa, com acesso fácil a serviços e áreas de convivência", afirma.

Infraestrutura pesa tanto quanto o imóvel

Uma pesquisa da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) ouviu 1.050 pessoas em 13 grandes cidades e analisou como acontece a compra de um imóvel.

Os principais motivos para pagar mais foram boa localização, com 65%, e segurança no condomínio, com 64%. Também pesaram o acesso fácil a rodovias e transporte público, com 27%, lazer diferenciado, com 22%, expectativa de valorização, com 21%, exclusividade, com 12%, serviços no condomínio, com 11%, e tecnologia no imóvel, com 10%.

Além disso, a pesquisa aponta que a busca por avaliações online no processo de compra de imóveis diminui conforme a idade avança, e o público 60+ é o que menos confia nesse tipo de informação.

Especialistas do setor apontam que a mudança no comportamento dos compradores mostra que a escolha da moradia deixou de considerar apenas características como metragem ou número de quartos, com o entorno passando a influenciar diretamente na decisão de compra.

O mercado imobiliário, com projetos completos, que integram arquitetura, interiores, tecnologia e serviços, ganha espaço diante da antiga lógica de entregar apenas metros quadrados", pontua Bruno Mazanek, fundador e CEO da Zanek, empresa brasileira de desenvolvimento imobiliário.

Bairros que concentram comércio, serviços, hospitais, mobilidade urbana e áreas de lazer oferecem condições para que moradores mantenham uma rotina independente por mais tempo.

mulher comprando imóvel
Consumidores acima dos 60 anos passaram a optar por apartamentos menores - Envato

"O denominador comum é menos evidente do que parece. O consumidor não está necessariamente comprando mais conforto. Está comprando menos preocupação. Esse talvez seja o recurso mais escasso da economia contemporânea", destaca o especialista.

Segundo o IBGE, Alto de Pinheiros, na zona oeste, é hoje o distrito com maior proporção de idosos, com quase 23% dos moradores acima de 60 anos. Depois vêm Jardim Paulista, Lapa, Pinheiros, Consolação, Campo Belo e Vila Mariana.

Esse cenário deve mudar até 2050, segundo as projeções do instituto. Alto de Pinheiros deve chegar a 45,5% de idosos, mas a Consolação deve assumir a liderança, com 54,8% de moradores com mais de 60 anos.

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