Longevidade vira pauta em condomínios e pede adaptação de espaços e condutas
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São Paulo - O movimento global conhecido como aging in place, que representa o desejo de envelhecer em casa e perto das referências cultivadas ao longo da vida, traz à tona um debate que mexe diretamente com o estilo de vida das pessoas idosas: os condomínios brasileiros estão preparados para acolher essa população que não para de crescer?
Esse debate urgente, que conecta comportamento, moradia e saúde, será apenas um dos temas previstos na pauta do Congresso Nacional de Cuidadores, Cuidados e Longevidade (CONACARE), que ocorrerá entre 9 e 11 de setembro em setembro durante a Geronto Fair 2026, em Gramado (RS).
O evento, que conta com parceria de mídia do VIVA, busca conectar empresas e profissionais em um ambiente B2B, apresentando tendências, soluções inovadoras e oportunidades de negócios para atender o mercado 50+.
Cuidados dentro e fora de casa
Segundo Marcia Vieira, fundadora do ecossistema MasterCare, Hub Longevidade e CONACARE, as atividades previstas para o evento em Gramado terão como tema central "Longevidade não tem idade — o direito de cuidar, cuidar-se e ser cuidado", promovendo a discussão sobre como a sociedade e o mercado imobiliário devem se reestruturar diante desse novo cenário demográfico.
Ela observa que o envelhecimento populacional acelerado, somado à redução do tamanho das famílias brasileiras, está provocando uma transformação profunda na rede de apoio tradicional. "Se antes o cuidado com o idoso ficava centralizado nos filhos, hoje, com a baixa taxa de natalidade, esse suporte precisa ser compartilhado. E é nesse cenário que o debate sobre cuidados ganha um novo papel", observa.
Adaptação inteligente é desafio
Quando se fala em adaptar condomínios para pessoas idosas, a primeira imagem que vem à mente é a da acessibilidade física: rampas de acesso, piso antiderrapante e barras de segurança nos banheiros. Embora essas reformas estruturais sejam indispensáveis, a adaptação mais complexa e urgente é a de comportamento e gestão.
Para o especialista Fábio Rossi, diretor médico da MasterCare, o mercado imobiliário e os condomínios precisam enxergar a si mesmos como agentes ativos de prevenção à saúde e cuidado da população idosa:
Com o envelhecimento da população e a queda das taxas de fecundidade, a sociedade está passando por uma transformação muito rápida e os condomínios vão ter que se transformar em protagonistas do cuidado e da prevenção."
Fazer essa transição em edifícios mais antigos, construídos em uma época de demografia completamente diferente, exige criatividade. O médico pondera que, embora o cenário ideal fosse reconstruir as estruturas sob novas premissas arquitetônicas, a realidade das cidades exige jogo de cintura:
O desafio principal e mais urgente é fazer adaptação de uma forma inteligente, com muito jogo de cintura. A demanda é tão grande que a gente vai ter que criar mecanismos para tornar as residências dos condomínios e as comunidades como um todo seguras para os idosos."
Funcionários na linha de frente de cuidados
Se a estrutura física impõe limites, o fator humano desponta e porteiros, zeladores e gerentes prediais estão se tornando novos "guardiões da longevidade", pontua Rossi. "São eles que convivem diariamente com os moradores e conseguem identificar pequenos sinais de alerta que passariam despercebidos por familiares distantes."
No entanto, para que essa vigilância informal funcione, é preciso treinamento, ressalta o especialista, e menciona como exemplo uma parceria da Mastercare com a Confederação Nacional dos Síndicos Profissionais para capacitar gestores, arquitetos e porteiros, que abriu novas turmas após ter vagas esgotadas na primeira edição.
O objetivo é tornar os ambientes mais seguros, acessíveis e também preparado para que todas as gerações possam conviver em harmonia e promovendo a saúde para todos", conclui o especialista.
Serviço
Geronto Fair 2026
- Data: de 09 a 11 de setembro
- Local: Centro de Eventos do Serra Park, Gramado (RS)
- Inscrições: www.gerontofair.com.br
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