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FGV lança centro voltado para ações com foco em educação financeira

Fabiana Holtz/Viva

Economistas do Santander, Bradesco e C6 participaram de debate sobre situação econômica do País e educação financeira - Fabiana Holtz/Viva
Economistas do Santander, Bradesco e C6 participaram de debate sobre situação econômica do País e educação financeira
Por Fabiana Holtz

27/05/2026 | 11h35

São Paulo - Em meio aos índices preocupantes de endividamento da população brasileira, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) lançou nesta quarta-feira em São Paulo o FGV Money Lab, um "hub" de educação financeira. Com foco em disseminar e abrir novas frentes de conhecimento, a iniciativa integra academia, mercado e comportamento financeiro. Hoje, há 82,8 milhões de brasileiros (50,5% da população adulta) com o CPF negativado.

Segundo Fábio Gallo, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV, a ideia é atuar em três frentes: cursos (online, on demand, livros e material didático), eventos e comunicação. 

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O FGV Money Lab foi construído com base em três pilares. O primeiro é o diagnóstico, buscando compreender como e por que as pessoas se endividam. O segundo está na interpretação, convertendo conhecimento técnico em linguagem clara e aplicável ao cotidiano. E por fim, gerando soluções práticas para indivíduos e organizações.  

Ao longo da manhã, durante o evento de lançamento da iniciativa, foram promovidos três painéis de debate. No primeiro, "Brasil 2026: Ambiente econômico e as armadilhas para o endividamento", participaram Ana Paula Vescovi, diretora de macroeconomia do Santander, Fernando Honorato Barbosa, economista-chefe do Bradesco e Felipe Sales, economista-chefe do C6 Bank.

Endividamento e juro alto

"Nós economistas também estamos correndo atrás do próprio rabo porque não está fácil interpretar o ambiente financeiro atual. Fato é que o Brasil está convivendo com juros muito altos", observa Vescovi. Segundo a economista, o crédito também passou por uma nova dinâmica nos últimos anos, com novos entrantes.

O crédito está chegando a 80% da população brasileira e também vejo é um 'pouso suave' da economia, o PIB está desacelerando e vemos um mercado de trabalho resiliente. Vemos um fator fiscal por trás que está mantendo essa atividade econômica resiliente. De fato, nesse aperto de condições financeiras, com juros tão elevados o crédito não se contraiu. As pessoas continuam tomando mais dívida, com o crédito mais caro e prazo mais curto, afirma a economista do Santander.

Para Fernando Barbosa, do Bradesco a questão do endividamento tem várias camadas. "É preciso tentar explorar quais são as principais respostas do porque a taxa de poupança do Brasil é tão baixa. Se a gente for capaz de ter juro baixo melhora pra todo mundo", afirma.

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Fator transformador

Vescovi destaca que vemos cada vez mais como a educação é um fator transformador e considera que ainda estamos falhando nisso. "Vemos como a educação consegue transformar a sociedade. No exterior temos diversos exemplos. E educação financeira não é apenas 'destinar dinheiro' é entender o que é capaz de transformar", diz a economista.

Barbosa acrescenta ainda que com a expansão do conhecimento sobre educação financeira você claramente diminui as chances do país enfrentar crises de crédito.

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Ao comentar sua visão sobre o tema, Sales, do C6 Bank, reforça que educação é o que gera valor na economia. "Sem isso você pode fazer o que quiser, se não tiver educação o país não cresce". Para isso, em primeiro lugar, afirma Sales, é preciso melhorar a qualidade do ensino.

Temos iniciativas no Brasil mostrando que soluções nesse sentido não são caras. Há municípios com orçamentos pequenos, que já mostraram grandes resultados. Temos Sobral, no Ceará, como exemplo."

No exterior, o economista aponta a Coreia do Sul como grande exemplo de crescimento baseado na educação. 

Ao longo da manhã o público também acompanhará debates sobre o "Endividamento estrutural no Brasil" e a "Expansão das Bets e a chegada do Prediction Market".

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