Longevidade: 6 desafios para viver mais com segurança e qualidade de vida
Relatório do Fórum Econômico Mundial aponta os problemas que devem ser enfrentados para fundamentar o envelhecimento sustentável nos próximos anos
Por Pedro Marques
14/10/2026 | 17h00Pexels
Até 2050, a população mundial com 50 anos ou mais deve ultrapassar 2,1 bilhões, o que exigirá uma abordagem abrangente para enfrentar os desafios do envelhecimento, além das questões de saúde e previdência social.
O relatório do Fórum Econômico Mundial destaca seis pilares essenciais para uma longevidade sustentável: segurança econômica, cuidados, acesso a serviços, vínculos sociais, equidade e capacidade institucional, ressaltando a importância de uma abordagem integrada.
Medidas como iniciativas comunitárias e programas de apoio a empreendedores mais velhos estão sendo implementadas, mas é necessário um esforço contínuo para garantir que a longevidade traga autonomia e participação social, em vez de insegurança econômica.
São Paulo - Até 2050, o mundo terá mais de 2,1 bilhões de pessoas com 50 anos ou mais, segundo dados do Fórum Econômico Mundial. E os impactos serão sentidos além das questões de saúde e da Previdência Social – os pontos mais lembrados quando se fala de envelhecimento e longevidade.
Segundo o relatório The Longevity Economy Playbook: Designing the Future for an Ageing World, divulgada pelo Fórum nesta terça-feira, 13, os desafios dessa transformação podem ser divididos em seis pilares ou, como consta do documento, grupos de sinais: segurança econômica; cuidados e família; acesso, ambiente digital e confiança; comunidade e participação; equidade e inclusão; e preparação dos sistemas.
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Em conjunto, essas dimensões ajudam a mostrar por que a longevidade sustentável depende de respostas econômicas, sociais e institucionais articuladas. Entenda a seguir o que representam esses pilares do estudo.
1. Envelhecer sem perder a estabilidade
A possibilidade de viver mais tempo depende também dos recursos disponíveis para sustentar essa vida. Renda insuficiente, perda do emprego, proteção previdenciária limitada e dificuldade para acumular economias aparecem entre os desafios descritos no relatório do Fórum Econômico Mundial.
A preocupação é especialmente relevante para pessoas que trabalham na informalidade ou têm acesso limitado a mecanismos de aposentadoria. O documento destaca que, em diferentes contextos, a família ainda funciona como uma importante rede de proteção financeira, embora mudanças como migração, urbanização e redução do tamanho dos domicílios possam enfraquecer esse apoio.
A questão, portanto, não é apenas como financiar a aposentadoria, mas como construir condições para que uma vida mais longa não signifique um período prolongado de insegurança econômica.
2. Quem sustenta a rede de apoio?
O envelhecimento também reorganiza as relações de cuidado. Famílias podem precisar conciliar o apoio a parentes mais velhos com trabalho, criação dos filhos e outras responsabilidades. Ao mesmo tempo, as mudanças na composição dos domicílios e nos padrões de migração tornam menos previsível a disponibilidade de familiares para prestar assistência.
O relatório aponta a necessidade de considerar os cuidados como parte central da discussão sobre longevidade. Isso significa olhar não apenas para quem recebe apoio, mas também para quem cuida e para a sustentabilidade dessas redes ao longo do tempo.
3. Serviços precisam acompanhar as pessoas
Serviços de saúde, benefícios, informações financeiras e outros recursos podem se tornar mais difíceis de acessar quando dependem de sistemas complexos ou exclusivamente digitais.
O material identifica a exclusão digital e a dificuldade de navegar por sistemas como obstáculos à participação e ao acesso a serviços. A questão não se resume a possuir um dispositivo ou estar conectado: envolve também conseguir utilizar ferramentas, compreender informações e confiar nos sistemas disponíveis.
Uma sociedade preparada para a longevidade precisa considerar se seus serviços são compreensíveis e acessíveis para pessoas em diferentes fases da vida.
4. Envelhecer sem perder os vínculos
A longevidade não é apenas uma questão de renda ou atendimento. Isolamento social, solidão e perda de oportunidades de participação também aparecem entre as preocupações reunidas no documento.
Projetos apresentados no relatório ilustram iniciativas que buscam aproximar gerações e ampliar o envolvimento comunitário. O InterGen, em Pequim, conecta pessoas mais velhas residentes em instituições de cuidado a estudantes internacionais, por meio de atividades de intercâmbio cultural e linguístico.
Segundo a publicação, o projeto envolveu 169 adultos mais velhos e 106 estudantes, com atividades em cinco casas de cuidado e nove eventos. O exemplo mostra uma maneira concreta de criar oportunidades de convivência, embora os números de participação, por si só, não comprovem efeitos duradouros sobre solidão ou bem-estar.
5. A longevidade não é igual para todos
As oportunidades de envelhecer com segurança variam conforme as condições econômicas e sociais, o acesso a serviços e as possibilidades de trabalho e participação. Por isso, o aumento da população idosa não deve ser analisado como uma experiência uniforme.
O relatório reúne sinais de desigualdade no acesso à proteção financeira, aos cuidados e às oportunidades de participação. Também aborda o etarismo – preconceito ou discriminação com base na idade – como uma barreira que pode limitar o reconhecimento e a inclusão das pessoas mais velhas.
Entre as iniciativas descritas está o Golden Grit, em Harare, no Zimbábue. De acordo com a publicação, o projeto apoiou 100 empreendedores mais velhos, contribuiu para o lançamento ou a revitalização de 30 microempresas e registrou aumento superior a 20% na renda mensal por participante. O documento também informa que mais de 80% dos participantes relataram melhora no bem-estar emocional.
6. Transformar o diagnóstico em resposta
O último grupo de sinais diz respeito à capacidade de instituições e serviços se prepararem para uma sociedade mais longeva. Previdência, saúde, proteção social, mercado de trabalho e estruturas de cuidado precisam ser considerados em conjunto, em vez de tratados como questões isoladas.
O relatório defende uma abordagem que reúna diferentes setores e reconheça que soluções eficazes em uma região podem não funcionar da mesma forma em outra. Também apresenta iniciativas comunitárias como exemplos de caminhos possíveis, sem afirmar que sejam modelos universalmente transferíveis.
Essa ressalva é importante: o documento é um guia de ação e reúne experiências e sinais regionais, mas não constitui uma avaliação comparativa definitiva das políticas públicas nem demonstra que exista uma única fórmula para preparar todos os países para o envelhecimento.
Agenda que vai além da idade
Os seis grupos de sinais mostram que a longevidade sustentável não depende de uma única política. Segurança econômica, cuidado, acesso a serviços, vínculos sociais, equidade e capacidade institucional se conectam e influenciam as condições em que as pessoas envelhecem.
O desafio é fazer com que viver mais também represente a possibilidade de viver com autonomia, proteção e participação. Para isso, o debate precisa sair de uma visão restrita à aposentadoria e incorporar as condições materiais e sociais que sustentam uma vida longa.
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