Pensar na aposentadoria gera mais ansiedade do que motivação, dizem jovens
Apesar da consciência sobre a importância da previdência, 65% dos jovens não sabem como se preparar adequadamente
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Uma pesquisa do Instituto Locomotiva revela que, apesar de 80% dos jovens brasileiros estarem preocupados com o futuro financeiro, apenas 34% tomam ações concretas para se preparar, evidenciando uma desconexão entre consciência e prática.
O estudo, que ouviu 1.000 jovens de classes A, B e C, mostra que 65% acreditam que a preparação para a aposentadoria deve começar antes dos 30 anos, mas 60% focam em decisões financeiras de curto prazo, com 41% enfrentando dificuldades orçamentárias.
A pesquisa indica que 48% dos jovens estão dispostos a contratar soluções previdenciárias, desde que adequadas à sua realidade, e a Abrapp sugere a modernização da comunicação e a criação de produtos mais flexíveis para engajar essa faixa etária.
São Paulo - Embora oito em cada dez jovens brasileiros de 18 a 30 anos declarem preocupação com o futuro financeiro, apenas 34% afirmam adotar ações concretas para se preparar para o amanhã. É o que revela uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto Locomotiva a pedido da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp).
O levantamento ouviu 1.000 jovens das classes A, B e C com renda própria em todo o País, universo que representa cerca de 31 milhões de pessoas, ou 19% da população adulta. Os dados foram apresentados por Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva, no 47º Congresso Brasileiro da Previdência Complementar (CBPP), em São Paulo.
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Aperto financeiro limita planejamento
O estudo aponta uma contradição entre a consciência e a prática: 65% dos entrevistados concordam que a preparação para a aposentadoria deve começar antes dos 30 anos, mas 60% tomam decisões financeiras com foco em no máximo seis meses. Para metade da amostra, pensar na aposentadoria gera mais ansiedade do que motivação.
A busca pela independência financeira aparece como principal objetivo dos jovens para os próximos anos, citada por 39% dos entrevistados, seguida pela formação de uma reserva de emergência (36%) e por viagens e lazer (25%). Guardar dinheiro para a maturidade ocupa apenas a sétima posição, com 19% das menções.
Ao projetar as próximas duas ou três décadas, os maiores medos são a falta de dinheiro (37%), a dependência financeira de terceiros (27%) e problemas de saúde (25%).
A realidade orçamentária, contudo, impõe importantes limites: 41% dos jovens não têm sobra no orçamento ou estão endividados, e apenas 19% possuem reserva para cobrir mais de três meses de despesas. Imprevistos (28%), renda insuficiente (26%) e dívidas (26%) figuram como os principais obstáculos para poupar.
Desconhecimento e desconfiança da previdência privada
O desconhecimento sobre o setor é amplo: 65% dos jovens afirmam conhecer pouco ou nada sobre previdência privada, taxa que sobe para 75% na faixa de 18 a 23 anos. Além disso, 62% temem mudanças nas regras ao longo do tempo e 50% receiam ter o acesso aos recursos bloqueado quando precisarem.
Apesar das barreiras, 48% demonstram alta disposição para contratar uma solução previdenciária nos próximos 12 meses, desde que adequada à sua realidade. Esse interesse sobe para 61% quando compreendem que começar cedo exige contribuições mensais significativamente menores.
O diretor-presidente da Abrapp, Devanir Silva, reforça que a previdência precisa modernizar sua comunicação e criar produtos mais flexíveis.
A previdência é uma coisa de jovem, não do idoso. Quem chega à longevidade colhe apenas o resultado do que construiu ao longo da vida. Precisamos de uma linguagem mais simples e direta.
Devanir Silva, diretor-presidente da Abrapp
A pesquisa mostra também quais são os atributos mais valorizados em um plano. São eles:
- Possibilidade de suspender contribuições temporariamente sem perdas (32%)
- Transparência sobre taxas e custos (32%)
- Aporte inicial ou mensal baixo (31%).
Entre os 53% dos jovens que possuem o menor nível de planejamento financeiro, 40% consideram viável começar a contribuir com até R$ 50 por mês.
Autonomia como ponte para o futuro
Para 59% dos entrevistados, "envelhecer bem" significa manter a autonomia e o poder de escolha. Posicionar a previdência como um projeto de vida, e não apenas como um encargo distante, é o caminho para engajar as novas gerações.
"Quando o planejamento se conecta à autonomia e à capacidade de fazer escolhas no futuro, a conversa passa a fazer sentido", destaca Meirelles.
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