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Vendas no varejo caem 3,1% em fevereiro ante janeiro, segundo Stone

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Em relação a fevereiro do ano passado, o índice do varejo registrou queda de 2,2% - Adobe Stock
Em relação a fevereiro do ano passado, o índice do varejo registrou queda de 2,2%
Por Broadcast

18/03/2026 | 11h07

São Paulo - As vendas do comércio brasileiro recuaram 3,1% em fevereiro na comparação com janeiro, segundo o Índice do Varejo Stone (IVS). Em relação ao mesmo mês de 2025, o volume de vendas apresentou retração de 2,2%.

Para o economista e pesquisador da Stone, Guilherme Freitas, o desempenho indica que o varejo iniciou 2026 em nível inferior ao observado no ano passado, que já havia sido desafiador para a atividade.

"Apesar de o mercado de trabalho seguir bastante resiliente, com desemprego próximo das mínimas históricas e avanço da renda, o consumo continua pressionado por um ambiente financeiro restritivo", disse.

Setores

Todos os oito segmentos analisados registraram queda em fevereiro ante janeiro. As maiores retrações foram observadas em livros, jornais, revistas e papelaria (17,9%), combustíveis e lubrificantes (6,5%) e tecidos, vestuário e calçados (5,3%).

Também recuaram outros artigos de uso pessoal e doméstico (3,3%), móveis e eletrodomésticos (3,2%), material de construção (2,8%), hipermercados e supermercados (2,3%) e artigos farmacêuticos (1,6%).

Na comparação anual, apenas dois setores apresentaram crescimento: hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo (2,5%) e artigos farmacêuticos (1,7%). Entre as quedas, destacaram-se tecidos, vestuário e calçados (11,3%) e móveis e eletrodomésticos (8,1%).

Na avaliação de Freitas, juros reais elevados, crédito mais caro e um nível historicamente alto de comprometimento da renda das famílias com dívidas seguem limitando o espaço para novas compras.

"Enquanto essas condições persistirem, o varejo tende a apresentar resultados mais moderados, mesmo diante de um cenário ainda favorável para emprego e renda", afirmou.

Regiões

Entre os Estados, sete registraram crescimento anual nas vendas, com destaque para Acre (10,8%), Roraima (4,7%) e Amapá (4,1%). Já as maiores retrações foram observadas no Amazonas (7,1%), Espírito Santo (7%) e Distrito Federal (6,3%). São Paulo teve queda de 2% no período.

Os resultados regionais mostram um cenário heterogêneo para o varejo brasileiro. "Embora alguns Estados tenham conseguido registrar avanço nas vendas, o movimento de desaceleração do consumo ainda é predominante", disse Freitas, destacando que a região Norte costuma apresentar desempenho positivo, enquanto Estados do Sudeste e do Sul registraram mais retrações intensas.

(Por Júlia Pestana)

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