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Ancelotti aposta em Martinelli para manter força de Vini contra a Noruega

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Martinelli ganha corrida pela vaga de Paquetá para o jogo do Brasil contra a Noruega - CBF
Martinelli ganha corrida pela vaga de Paquetá para o jogo do Brasil contra a Noruega
Por Robson Morelli

04/07/2026 | 20h57

Morristown — Carlo Ancelotti parece ter tomado sua decisão. Martinelli foi testado duas vezes nos treinos desta semana e deve ficar com a vaga de Lucas Paquetá contra a Noruega, domingo, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. O jogo começa às 17 horas de Brasília. O técnico ainda não confirmou a escalação, mas os sinais apontam para o atacante do Arsenal como escolhido para uma função diferente daquela que costuma exercer na Premier League.

A decisão de Ancelotti não é apenas trocar um jogador machucado por outro disponível. É uma escolha de estrutura. Sem Paquetá, o Brasil perde o seu meia de ligação, o jogador que ajudava a proteger o lado esquerdo e dava liberdade para Vini Jr. atacar. Ao apostar em Martinelli, o treinador tenta manter aceso justamente o setor mais forte da seleção nesta Copa.

Martinelli foi o substituto de Paquetá sempre que entrou durante os jogos. Atuou mais por dentro, com obrigação de recompor e fechar espaços pelo lado esquerdo. Não será um atacante aberto como no Arsenal. Contra a Noruega, a tendência é que se reveze com Vini Jr. no corredor e também por dentro, ajudando a dar intensidade, profundidade e marcação.

Vini Jr continua sendo a melhor opção do Brasil

Essa é a parte central da decisão de Ancelotti. O treinador está irredutível em proteger Vini Jr. Desde que abriu mão do lado direito como principal força ofensiva, depois da lesão de Wesley e dos problemas no setor, o Brasil passou a concentrar muito de seu jogo pela esquerda. A lógica é simples: Vini é o jogador mais perigoso da seleção. Ancelotti fará de tudo para não entregar esse trunfo ao adversário.

Vini tem quatro gols nesta Copa, mas ficou devendo contra o Japão. Foi bem marcado, teve menos campo e apareceu menos do que nos jogos anteriores. A entrada de Martinelli também serve para dividir a atenção dos rivais. Se a Noruega fechar o corredor para Vini, Martinelli poderá atacar o espaço. Se Martinelli ocupar a faixa lateral, Vini pode aparecer por dentro. A ideia é impedir que o Brasil fique previsível.

Mas a escolha tem custo. Sem Paquetá, o Brasil perde o seu único meia-armador de origem no time. O jogador do Flamengo não vinha fazendo uma Copa vistosa, mas era peça de distribuição e aproximação. Com Martinelli, essa tarefa fica mais espalhada. Casemiro, Bruno Guimarães e Matheus Cunha terão de assumir mais responsabilidades na construção.

Matheus Cunha terá nova função também

Casemiro tem sido o primeiro homem da saída. Recebe muitas bolas dos zagueiros e organiza o início das jogadas. O problema é que seus passes costumam ser mais curtos e laterais. Contra a Noruega, talvez precise arriscar mais. Bruno Guimarães tem mais qualidade para acelerar e encontrar passes verticais, mas também terá de ajudar Casemiro na marcação e no controle físico dos noruegueses.

Sobra, então, para Matheus Cunha. O falso 9 do Brasil também terá de ser um falso armador. Ele já fez isso em outros momentos da Copa, quando se aproximou de Paquetá, recebeu entrelinhas e ajudou a fazer o time andar. Cunha é um dos jogadores mais seguros e regulares da seleção até agora. Sem Paquetá, sua importância cresce ainda mais.

Por isso, a escolha de Martinelli é justificável. Ancelotti opta por um jogador que conhece a função, que já entrou nesse papel e que mantém o Brasil agressivo pelo lado esquerdo. Não é a solução mais conservadora. Também não é a mais ousada, como seria colocar Endrick desde o início e recuar Matheus Cunha. É uma decisão de equilíbrio: muda o time sem desmontar a ideia principal.

Danilo Santos e Endrick vão esperar

Danilo Santos e Endrick seguem como alternativas. Danilo daria mais proteção ao meio-campo. Endrick colocaria um homem de área contra uma defesa acostumada ao choque físico. Neymar corre por fora, mas não parece ser opção para começar um jogo de alta intensidade, ainda mais contra uma Noruega inteira fisicamente. Ancelotti, mais uma vez, mostra que não escala pelo nome. Escala pelo plano.

O problema é que substituir Paquetá é apenas parte da equação. A Noruega tem Haaland, um dos jogadores mais perigosos do Mundial. Ancelotti terá de resolver duas coisas ao mesmo tempo: manter a força ofensiva do Brasil e impedir que o rival encontre seu atacante em condições de finalizar. A escolha por Martinelli ajuda no primeiro ponto. O segundo dependerá de todo o time.

A decisão do treinador italiano mostra o que ele quer para o Brasil nas oitavas. Um time mais intenso, mais móvel e ainda preso à força de Vini Jr. pela esquerda. Martinelli não entra apenas para ocupar uma vaga. Entra para sustentar a principal arma brasileira. Contra a Noruega, Ancelotti parece disposto a mexer sem abrir mão daquilo que mais funciona.

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