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Infantino parece estar em todos os jogos da Copa. Saiba como ele consegue

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Gianni Infantino, presidente da Fifa: dois jogos por dia e um jatinho à disposição - Fifa
Gianni Infantino, presidente da Fifa: dois jogos por dia e um jatinho à disposição
Por Robson Morelli

04/07/2026 | 17h05

Nova York - Gianni Infantino quer estar em todos os lugares nesta Copa do Mundo. Ou pelo menos no maior número possível de estádios e jogos. O presidente da Fifa planejou acompanhar duas partidas por dia sempre que a logística permitir.

O seu desafio é gigantesco, uma vez que o Mundial que ele mesmo organizou está espalhado por três países diferentes, com quatro fusos horários distintos e distâncias que transformaram a competição de 2026 na mais complexa da história.

Mas Infantino tem algumas cartas na manga. Ele sempre tem. E seu rosto se repete nas tribunas dos estádios.

Para cumprir essa maratona, Infantino conta com um jatinho particular fornecido pela Qatar Airways, patrocinadora oficial da Fifa. A aeronave faz parte de um acordo comercial da companhia com a entidade e tem servido para levar o dirigente entre Estados Unidos, México e Canadá. A ideia é que ele consiga aparecer em diferentes estádios no mesmo dia, como fez com facilidade na Copa do Catar, em 2022.

No último Mundial, Infantino conseguiu acompanhar quase todos os 64 jogos. A comparação, porém, é desigual. No Catar, a maior distância entre dois estádios era de cerca de 74 quilômetros. O dirigente da Fifa usou uma frota de carros. Mas em 2026, a Copa atravessa a América do Norte. Seria impossível sem o jatinho. São 16 estádios separados por até 4.500 quilômetros.

A agenda do presidente da Fifa

O torneio ficou maior, mais espalhado e muito mais difícil de acompanhar. Mas ele tem permissão para decolar e pousar em todos os três países-sede, de modo a não perder tempo. As idas aos hotéis também são raras, e apenas quando necessárias.

A agenda do presidente da Fifa já mostrou o tamanho da operação. Depois de assistir à abertura da Copa na Cidade do México, Infantino viajou para Guadalajara para acompanhar Coreia do Sul x Tchéquia. No dia seguinte, esteve em Los Angeles para ver Estados Unidos x Paraguai. Depois, passou por jogos em San Francisco e Vancouver. Também precisou ir a Miami para uma reunião da Fifa com representantes das 211 federações filiadas à entidade.

A tentativa de acompanhar dois jogos por dia reforça uma imagem que ele gosta de cultivar desde que assumiu o comando da entidade: a de dirigente presente, próximo do espetáculo e visível. Mas também expõe uma das maiores contradições desta Copa. O Mundial de 2026 é apresentado pela Fifa como uma festa global e inclusiva, mas tem sido criticada pela quantidade de deslocamentos e longas viagens de seleções, torcedores e jornalistas.

Duas partidas por dia durante a competição

A dimensão continental da competição explica parte do problema. Times, torcedores e profissionais precisam cruzar distâncias enormes durante a fase de grupos e o mata-mata. Algumas seleções jogaram em países diferentes. O Irã ficou baseado no México e atuou nos Estados Unidos, por exemplo.

A Fifa sempre defendeu a ampliação da Copa como uma forma de tornar o torneio mais democrático e global. Talvez esse seja o legado de Infantino na Fifa. Em 2026, pela primeira vez, o Mundial começou com 48 seleções. Na última edição, a disputa tinha 32. Há mais jogos, mais cidades, mais torcedores e mais mercados envolvidos. A expansão também cobra o seu preço. A logística ficou pesada, os deslocamentos aumentaram. Desse ponto, ficou ruim para todo mundo.

Infantino não é o único a viajar longas distâncias durante a Copa. Mas, como presidente da Fifa, seu roteiro chama atenção. A imagem do dirigente cruzando o continente em jatinho particular para tentar assistir a dois jogos por dia simboliza o tamanho e também os excessos do novo Mundial. Sua agenda foi construída com o mesmo carinho e zelo da tabela. Ele sabe onde estará, a que horas e com quem em todos os dias da competição.

A Copa de 2026 nasceu para ser a maior da história. É maior em seleções, em jogos, em cidades, em dinheiro e em audiência. No centro dessa engrenagem, Infantino tenta aparecer em todos os palcos, sempre sorridente, atencioso e impecável, parecendo ter acabado de sair do banho.

Palavras-chave Copa do Mundo FIFA Infantino

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