Ações do ICE crescem nos EUA e assustam imigrantes durante a Copa do Mundo
Robson Morelli
Nova York - A Copa do Mundo nos Estados Unidos, com muitos torcedores nas ruas para celebrar a festa do futebol, tem propiciado uma ação mais rigorosa e ampla dos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) do governo de Donald Trump. Cerca de 12 mil agentes estão espalhados pelo país e nas sedes da competição. Nos últimos dias, a prisão de imigrantes ilegais quase dobrou, de 5 mil para 10 mil pessoas, entre eles brasileiros.
Os Estados Unidos têm 139 brasileiros detidos pelo ICE. São homens e mulheres acusados dos mais diversos crimes em meio à Copa do Mundo.
As ações do ICE são amparadas pela lei One Big Beautiful, assinada pelo presidente Donald Trump. Depois que o jornal The News York Time informou sobre o aumento de estrangeiros ilegais no país, o clima em Nova York ficou mais tenso. Pessoas que pediram para não ser identificadas, e que nem gostam de falar sobre o assunto, preferem permanecer em suas casas nesse período. A estimativa é prender até 2 mil estrangeiros ilegais por dia.
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Há uma foto dos imigrantes detidos nos arquivos do governo americano, assim como a nacionalidade e os crimes que são acusados nos Estados Unidos. Há muitos mexicanos, com quem os EUA dividiram a organização do Mundial, mas também imigrantes de todas partes do mundo, como Guatemala, Chile, Honduras, Polônia, El Salvador, Rússia, Irã, Laos...
Há 139 brasileiros presos pelo ICE
Os agentes do ICE têm autorização legal para prender suspeitos. Os crimes informados pelo governo são apontados no perfil desses estrangeiros detidos, seguido de uma foto frontal de cada um deles. Há os mais variados tipos de acusação, desde tráfico de drogas até fraude eletrônica, passando por estupro, porte de arma, golpe na praça, agresão sexual e infantil e conspiração. Um dos brasileiros detidos foi acusado de "ameaça terrorista".
Os torcedores estrangeiros que entraram nos Estados Unidos para ver a Copa do Mundo não correm perigo de detenção. Pelo menos não até provarem quem são e o que vieram fazer no país. Mas há um crescimento do medo nas ruas e de muito receio. A Copa acaba dia 19 de julho e até lá todos estão garantidos.
Multas nas ruas de US$ 25
O Departamento de Polícia de Nova York usa os seus agentes para multar estrangeiros que andam com bebidas alcoólicas pelas ruas da cidade. Há uma lei que proíbe beber fora dos estabelecimentos. A multa é de US$ 25 e não tem jeitinho para aliviar. A reportagem do VIVA viu esse tipo de abordagem, mas não presenciou nenhum caso do ICE.
Essa condição também motivou o prefeito de Nova York a falar da importância dos estrangeiros para a cidade e também para os Estados Unidos. Zohran Mamdani, ele mesmo um estrangeiro de Uganda naturalizado, condenou o comportamento do país às vésperas de mais um aniversário de sua independência.
Vemos uma cidade de contradições dentro de uma nação de contradições. Uma nação mais rica da história do mundo — onde crianças vão dormir com fome enquanto o primeiro trilionário do mundo anseia por mais. Vemos agentes mascarados aterrorizando nossas ruas, comendo comida preparada por nossos vizinhos sem documentos antes de levá-los embora em vans sem identificação."
O discurso foi feito em homenagem aos 250 anos da Independência dos Estados Unidos neste sábado, 4 de julho. Nas imagens do prefeito de Nova York, ele estava cercado por cidadãos americanos recém-naturalizados.
A Copa do Mundo ainda não acabou. A competição começa neste sábado a sua fase de oitavas de final e entra depois numa reta acelerada até a decisão do dia 19. Há muitos estrangeiros na cidade festejando a comunhão do futebol e a alegria ainda está nas ruas nos dias dos jogos.
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