Ancelotti vai abrir mão da tradição de laterais no Brasil e fortalecer o meio
CBF
Nova York - Esqueça a seleção brasileira atuando pelas laterais. Com a falta de bons jogadores no setor e a contusão de Wesley, Ancelotti deverá apostar no que tem de melhor no elenco. E não são os laterais. Nem pela direita nem pela esquerda. O treinador sabe disso e, a bem da verdade, nunca armou o Brasil para lembrar Copas passadas, com Cafu na direita e Roberto Carlos pela esquerda.
Na falta de bons atletas pelas beiradas e que saibam defender a atacar, Ancelotti "entregou" a posição para zagueiros disfarçados de laterais. Por isso que a decisão do técnico italiano foi trazer para o lugar de Wesley, cortado, um volante. Éderson pode ser um marcador no meio de campo e um meia pela direita.
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Portanto, o Brasil vai disputar a Copa "sem laterais". Pelos menos não do jeito que o torcedor se acostumou a ver. A posição consagrou alguns deles na história das Copas: Djalma Santos (1954, 1958 e 1962), Carlos Alberto Torres (1970), Cafu (1994, 1998, 2002 e 2006), Daniel Alves (2010, 2014 e 2022), Nilton Santos (1950, 1954, 1958 e 1962), Júnior (1982 e 1986), Roberto Carlos (1998, 2002 e 2006), Marcelo (2010, 2014 e 2018), entre outros... Ancelotti conheceu alguns deles em campo.
Melhores jogadores do Brasil estão no ataque
Douglas Santos também é mais marcador do que atacante. E ele terá muito trabalho contra Marrocos pelo lado direito do rival. Brasil e Marrocos abrem o grupo neste sábado, no MetLife Stadium, em New Jersey.
Ancelotti vai ter de apostar em uma seleção forte no meio de campo e "livre" no ataque, com Vini Jr. Raphinha e muito provavelmente Matheus Cunha. Os treinos desta quarta-feira e quinta podem esclarecer a forma de jogar do Brasil. Após a vitória sobre o Egito por 2 a 1, em Cleveland, Ancelotti disse já ter o time para a estreia. Igor Thiago e Endrick, atacantes de área e mais rompedores diante dos adversários, devem esperar pela vez.
Seleção quer a bola contra Marrocos
Ancelotti quer a bola contra Marrocos. O Brasil não vai ter um segundo tempo como foi diante do Egito, quando parou de jogar e viu o rival ser mais perigoso. O técnico sabe o peso da vitória na estreia e para a sequência da competição. Os três pontos contra o Haiti são favas contadas. Ancelotti só não quer ter de enfrentar a Escócia, na terceira partida da fase de grupos, precisando dos pontos. Por isso, ganhar de Marrocos é importante.
E ainda tem Neymar. Apesar do otimismo da comissão técnica com o retorno de Neymar após novos exames de imagem, a possibilidade de ele jogar a segunda partida dia 19 é pequena. Primeiramente, porque há riscos em sua volta sem a total cicatrização da lesão. Um passo em falso e o jogador estará fora do Mundial. Depois, Neymar sem condições físicas não tem nada a oferecer para o Brasil.
Independentemente da posição em que eu for utilizado, me sinto pronto. Seja onde for, estarei preparado para representar o meu país. Como zagueiro ou lateral, me sinto pronto para atuar em qualquer uma dessas posições”, disse Ibañez.
Ancelotti pode precisar dele mais contra os escoceses do que diante do fraco Haiti.
E se o setor defensivo do Brasil enfraquece sem os laterais, ele ganha com os zagueiros. Ibañez é um zagueiro que pode atuar pela direita, assim como Danilo, do Flamengo, que já foi lateral, virou zagueiro na Itália e na Gávea e agora pode ajudar na direita. Ancelotti terá de tomar a sua decisão de como prefere montar a seleção, e quanto antes ele decidir, melhor para o time.
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