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Copa já tem nomes para 'Chuteira de Ouro': Messi, Halland, Mbappé, CR7 e Kane

Reprodução/Instagram Haaland

Haaland, atacante da Noruega, foi eleito o melhor do jogo contra Senegal - Reprodução/Instagram Haaland
Haaland, atacante da Noruega, foi eleito o melhor do jogo contra Senegal
Por Robson Morelli

23/06/2026 | 19h23

Nova York - A Copa do Mundo de 2026 caminha para bater com folga o recorde de gols da história da competição. A Fifa ri à toa. A marca pertence ao Mundial do Catar, quatro anos atrás, quando foram feitos 172 gols. Antes disso, a Copa de 1998, na França, em que o Brasil perdeu a final para os anfitriões, havia registrado 171 gols em 64 partidas. Agora, com 48 seleções e 104 jogos, a tendência é que o recorde seja superado sem grande dificuldade, antes mesmo da fase eliminatória.

A edição dos Estados Unidos, México e Canadá já passou dos 100 gols e mantém uma média de três gols por partida. A marca centenária foi alcançada no jogo 33 da competição, superando também uma referência antiga, de 1958, ano em que o Brasil conquistou seu primeiro título mundial. A Copa mais longa e com mais jogos e seleções tem sido também um torneio mais franco, aberto, ofensiva e generosa com os atacantes.

Não é apenas o recorde geral de gols que está ameaçado nesta edição. A briga pela artilharia também promete números altos. As seleções têm um jogo a mais no caminho até a final. Três atacantes chegaram famintos ao Mundial: Messi, Mbappé e Haaland. E há dois correndo por fora: Cristiano Ronaldo e Harry Kane. Portanto, a disputa pela "Chuteira de Ouro" tem estilos diferentes, histórias diferentes e protagonistas que parecem jogar uma competição à parte.

Mbappé sabe bem o que é ser artilheiro de Copa. Ele foi o goleador do Mundial passado, com oito gols, três deles na final inesquecível contra a Argentina, no empate por 3 a 3 antes da decisão nos pênaltis e derrota. Nesta edição, o francês já tem quatro gols em duas partidas. Fez metade do que produziu no Catar em apenas 180 minutos.

Quem é o seu preferido?

Mbappé é força, velocidade e apetite. Está quase sempre apostando corrida com os marcadores e se deslocando para receber a bola com segundas intenções. É impossível piscar diante dele.

Messi joga de outro jeito. É mais classudo e tranquilo. Faz o oposto da maioria dos atacantes. Não se atira em busca da bola. A bola é que chega para ele. Essa condição foi adquirida com anos de talento. É o mais completo de todos. O camisa 10 argentino raramente está no reboliço da jogada. Ele observa de fora, faz a leitura correta, encontra o espaço e aparece na hora certa.

Há uma diferença enorme entre Messi e os outros postulantes a "dono da Copa". Messi é o resultado de um time. Os seus companheiros o procuram o tempo todo no campo. Ninguém recebe mais a bola do que ele. Dos seus pés saem as melhores jogadas da Argentina.

Tem atacante correndo por fora

Em dois jogos, Messi marcou cinco gols. Todos os gols da seleção argentina até agora foram dele. Em duas partidas, ele também se tornou o maior artilheiro da história dos Mundiais, com 18 gols em seis edições. O recorde reforça a dimensão de um jogador que segue decisivo mesmo depois de ter conquistado a taça que faltava em sua carreira. Messi não parece correr atrás da história. A história é que insiste em encontrá-lo pelo caminho.

Mas há um perseguidor direto ao seu trono. Mbappé já soma 16 gols em Copas e tem o apetite de um leão em crescimento. O francês ainda tem idade, físico e seleção para continuar subindo no ranking. Mbappé tem 27 anos e pelo menos mais duas Copas pela frente.

Se Messi representa a genialidade serena, Mbappé é uma explosão permanente. Um pensa antes de todos. O outro chega na bola primeiro. A Copa tem espaço para os dois, mas a artilharia só terá um dono.

A disputa ainda ganhou um terceiro personagem de peso: Haaland. O atacante da Noruega faz gols como se estivesse chupando um picolé. Transformar jogadas complicadas em gols simples é uma de suas especialidades. O gol parece ser um alvo fixo em sua retina. Ele mira e pimba. Na vitória da Noruega sobre Senegal por 3 a 2, marcou duas vezes e chegou a quatro gols no Mundial.

Haaland não tem a leveza de Messi nem a arrancada de Mbappé. Seu corpanzil de 1,96 metro e 94 quilos não permite isso. Mas ele tem outra coisa. Tem presença, força e uma relação quase mecânica com a bola dentro da área. O atacante do Manchester City vive para o último toque, aquele que prende o fôlego do torcedor.

Pena que o Brasil não tem um desses

Dos três, é disparado o mais simpático. Haaland pode passar longos minutos distante do jogo, mas basta uma bola para ele mudar tudo. Em uma Copa com média alta de gols, esse tipo de jogador costuma crescer a cada rodada.

Portanto, o Mundial de 2026 tem dois recordes em jogo. O primeiro é coletivo: a competição deve superar a maior marca de gols da história. O segundo é individual: a Chuteira de Ouro pode terminar com números raros. Messi, Mbappé e Haaland começaram o Mundial como candidatos a protagonistas. Depois de duas rodadas, já parecem comandar uma disputa particular dentro da própria disputa.

Mas é preciso levar em conta dois outros personagens: Cristiano Ronaldo, que marcou duas vezes na vitória de Portugal por 5 a 0 sobre o Uzbequistão. e Harry Kane, que já tem dois gols também na competição. Eles não estão na primeira linha, mas fazem uma corrida segura e respeitosa. É preciso ficar de olho neles também. É uma pena que o Brasil ainda não tenha um representante nessa lista. Vini Jr. é quem mais se aproxima dessa turma. 

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