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Derrotas em últimas Copas colocam Brasil de Ancelotti em xeque contra Japão

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Tite comandou a seleção em duas Copas do Mundo - CBF
Tite comandou a seleção em duas Copas do Mundo
Por Robson Morelli

28/06/2026 | 19h40

Nova York — O que a história conta das últimas derrotas do Brasil em Copas do Mundo? Zidane passeando em 2006. Sneijder virando o jogo em 2010. O 7 a 1 da Alemanha em 2014. Nem é bom lembrar... Courtois fechando o gol em 2018. A Croácia empatando no fim da prorrogação em 2022 e levando tudo para os pênaltis. Nenhuma dessas quedas veio contra um time nanico e desorganizado. Nenhuma foi obra do acaso. O Brasil tem sido eliminado por seleções frias, organizadas, calculistas e capazes de transformar seus erros em sentença.

Essa é a lição que acompanha a seleção de Carlo Ancelotti antes do jogo contra o Japão, nesta segunda-feira (29), pela fase de mata-mata da Copa do Mundo. O retrospecto brasileiro contra os japoneses é amplamente favorável. A camisa pesa. A história faz diferença. O talento é outro. Mas mata-mata não se vence com currículo. Depois do penta, em 2002, o Brasil aprendeu da pior forma que, em Copas, o detalhe costuma valer mais do que a superioridade no papel.

Em 2006, na Alemanha, o Brasil caiu diante da França nas quartas de final. Era uma seleção que tinha Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, Adriano, Roberto Carlos, Cafu... Não deu certo. Parreira era o treinador. O time chegou para a disputa cheio de pompa pelo quinto título da Fifa, mas não levou a competição nem os rivais com o devido respeito. A soberba falou mais alto.

Derrota para a França, de Zidane, em 2006

Zidane comandou aquela partida como se fosse dono do tempo e da bola. Henry fez o gol da vitória por 1 a 0 quando Roberto Carlos foi arrumar o seu meia na área. Foi a derrota do excesso de nomes e da falta de um time. O Brasil tinha brilho individual, mas não teve jogo coletivo para sustentar o favoritismo.

Quatro anos depois, na África do Sul, a queda veio contra a Holanda. Dunga era o treinador. Ele "fechou" a concentração e implantou uma linha dura para os atletas. O Brasil começou bem a partida pelas quartas de final. Abriu o placar com Robinho. Jogava melhor. Mas perdeu o controle emocional depois do empate e da expulsão de Felipe Melo. Os holandeses viraram e mandaram a seleção para casa. Foi a derrota da desorganização e da fraqueza emocional. A Holanda resistiu, esperou e puniu o Brasil.

Em 2014, o torcedor brasileiro nem gosta de lembrar. O 7 a 1 para a Alemanha foi um desastre até hoje inexplicável. Sem Neymar, machucado e fora da disputa, e Thiago Silva, suspenso, o Brasil entrou em campo emocionalmente exposto e taticamente vulnerável.

A Alemanha fez cinco gols no primeiro tempo e transformou a semifinal do Mineirão em trauma nacional. O narrador Galvão Bueno, da Globo, cunhou um bordão que se espalhou pelo Brasil: "gol da Alemanha". Nunca uma seleção tão grande pareceu tão fraca em uma decisão.

Geração belga derruba o Brasil em 2018

A Copa seguinte repetiu o roteiro das quedas. Em 2018, na Rússia, o Brasil perdeu por 2 a 1 para a Bélgica. Poderia ter vencido. O time de Tite foi punido por um primeiro tempo ruim. Fernandinho fez um gol contra de cabeça e De Bruyne tratou de matar o Brasil. A Bélgica foi fria e organizada. Por isso que o jogo desta segunda contra o Japão preocupa. O Brasil não pode repetir os erros do passado.

No Catar, no último Mundial, a eliminação contra a Croácia talvez tenha sido a mais cruel depois do 7 a 1 dos alemães. Neymar fez um golaço na prorrogação, colocou o Brasil na frente e era só segurar o resultado para avançar à semifinal. Mas a seleção não soube fazer isso e, numa bobeada no meio, permitiu que a Croácia empatasse com Petkovic. Nos pênaltis, as pernas bambearam, assim como o emocional. Rodrygo e Marquinhos erraram suas cobranças. Neymar era o quinto batedor. Nem chegou até ele.

Essas derrotas têm pontos em comum: rivais que entendem melhor o valor do detalhe de um jogo. É por isso que o Japão não pode ser tratado apenas como um adversário menor. O Japão é organizado, disciplinado e já mostrou que sabe competir contra seleções maiores. É o tipo de rival que pode crescer se o Brasil permitir. A seleção tem melhores jogadores, mas precisa ser mais fria e calculista. Errar menos e ficar com a bola.

O mata-mata cobra maturidade. Cobra saber sofrer, controlar vantagem, escolher melhor os momentos do jogo e não entregar ao adversário exatamente aquilo que ele procura. Portanto, o Japão pode ser um bom teste para o Brasil.

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