Milene Domingues confia na Copa do Mundo Feminina para mudar cultura
Alessadra Taraborelli
São Paulo - No ano que vem, o Brasil será sede da Copa do Mundo Feminina pela primeira vez. A empresária e ex-jogadora, Milene Domingues, está otimista de que a realização do evento no Brasil vai contribuir para derrubar preconceitos com mulheres no esporte e também atrair investimentos para a modalidade.
Milene lembra que, quando começou, meninas só jogavam na rua, não havia espaço em clubes nem infraestrutura de campo, uniformes e chuteiras. As jogadoras tinham que levar o uniforme para lavar em casa. Se esquecesse em casa, ficava fora no jogo seguinte.
Ela comemora a evolução com a profissionalização do futebol feminino e acredita que o Brasil, que sediará a Copa feminina, pode sair campeão.
Leia também: Copa do Mundo Feminina: como o futebol feminino pode mudar a cultura no Brasil
Temos uma esperança tão forte no futebol feminino para o ano que vem. Esperamos trazer nossa primeira estrela, pois está sendo feito um trabalho intenso nos bastidores e, principalmente, na base".
A jogadora acredita também que essa Copa pode deixar um grande legado que é a representatividade feminina e o empoderamento.
"Queremos uma sociedade onde os homens respeitem as mulheres e as mulheres também se respeitem. O legado vai muito além das quatro linhas", afirma. "E, esta Copa pode mostrar que a mulher pode ser o que quiser, da forma que quiser, com segurança."
Milene acredita que a Copa também vai ser positiva para chamar a atenção de empresas e patrocinadores que ainda não perceberam a grandeza do futebol feminino. Ela avalia que algumas empresas virão por opção e já estão se movimentando. Outras, no entanto, devem vir porque o mercado estará em torno disso e não é bom ficar de fora.
"Em reuniões de negócios eu até brinco: aproveitem agora, que ainda sai barato. Porque, com a Copa do Mundo no ano que vem, os números vão mudar. O mundo inteiro estará de olho aqui."
Palpite para o masculino?
Sobre o hexa este ano, no futebol masculino, Milene diz que como brasileira, quer acreditar na vitória, mas sabe que é uma disputa muito difícil, principalmente pela dificuldade da seleção em jogar coletivamente.
Como brasileira e corinthiana, é claro que eu acredito! Sabemos das dificuldades da nossa seleção em jogar coletivamente; temos muitos talentos individuais, mas a equipe ainda está em construção com um treinador novo”, afirma.
Leia também: Quais são os maiores vencedores da Copa? Só o Brasil é pentacampeão
Ela ressalta ainda que treinar uma seleção é diferente de treinar clube e exige tempo. Mas, como a Copa do Mundo é um campeonato à parte, jogo após jogo, as seleções vão ganhando corpo durante a competição.
“Reconhecemos que outras seleções estão melhor preparadas — para mim, a França é muito forte, com jogadores que cresceram juntos na seleção e um jogo coletivo sólido. Mas aqui é Brasil! Estamos precisando desse hexa, já faz muitos anos que não gritamos 'campeão', e como apaixonada por futebol, estou louca para celebrar", conclui.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
