Brasileiro troca academia por caneta emagrecedora e procedimento estético
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São Paulo - Uma mudança estrutural está redefinindo o modo como o brasileiro se interessa e consome saúde. De acordo com a pesquisa "Da Esteira para a Caneta", realizada pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR) em conjunto com a FIA Business School, o foco na disciplina de exercícios físicos perdeu o protagonismo para o uso de atalhos farmacológicos e estéticos.
A análise resultou na criação do Índice de Preocupação com a Saúde que mensura o nível de interesse do brasileiro por saúde, estética, atividade física, nutrição e bem-estar ao longo do tempo. Como resultado, ele aponta que, apesar de parecer, o brasileiro não desistiu de ser saudável, mas descobriu que pode, e está disposto a pagar por resultados mais rápidos e diretos.
Outro achado relevante da pesquisa é que esse novo modelo de "Saúde como Consumo" está diretamente atrelado ao poder de compra. Os pesquisadores identificaram que para cada 1% de aumento na renda média real do brasileiro, há um avanço de 0,27% no interesse por esses atalhos. Ou seja, o crescimento econômico sustenta diretamente a demanda por soluções farmacológicas de preço fixo.
Fatores de mudança
Os pesquisadores agruparam diversos temas de interesse do brasileiro em dois grandes grupos que juntos conseguem explicar 68,16% de toda a variação e mudança de comportamento observada ao longo de 22 anos:
- Fator 1: "atalho estético-farmacológico": representa a busca por resultados rápidos e diretos através de intervenções externas e tecnologia médica em serviços e produtos como harmonização facial, botox, skincar e medicamentos como Ozempic, semaglutida e Mounjaro;
- Fator 2: "fitness estruturado e dieta assistida": representa método tradicional de busca pela saúde através do esforço físico e mudança de hábitos de longo prazo em interesses como musculação, crossfit, nutricionista e dietas com acompanhamento profissional.
Da esteira às canetas emagrecedoras
Para entender como esses fatores refletem o comportamento do brasileiro em relação à saúde, a pesquisa oferece uma perspectiva histórica dividida em fases:
- 2004–2012: período em que a prática fitness dominava. O brasileiro buscava saúde através de musculação, dietas, como a low carb e cetogênica, e mantinham o conceito de alcançar resultados físicos e de saúde através da disciplina diária e da construção de hábitos a longo prazo;
- 2013–2019: o "boom" de novas modalidades, como CrossFit e treinamento funcional, passou a coexistir com a ascensão dos primeiros procedimentos estéticos de menor invasividade;
- 2020 - 2022: a pesquisa destaca a pandemia como um período de grande impacto nesse movimento. Com o fechamento compulsório das academias, o fator fitness sofreu uma queda abrupta. Ao mesmo tempo, o chamado "impulso de tela" — causado pelo isolamento social — acelerou o salto nos cuidados estéticos e na busca por terapia online para lidar com o burnout e a ansiedade.
- 2023 até hoje: vivemos a consolidação do Fator 1, focado na busca por resultados rápidos e diretos . Isso porque, neste período, houve uma explosão no interesse pelos medicamentos GLP-1, como Ozempic, Mounjaro e semaglutida.
Esse interesse atingiu seu pico máximo histórico no início de 2026, superando qualquer outra tendência de saúde monitorada nas últimas duas décadas. Além das canetas emagrecedoras, esse fator engloba a busca por:
- Harmonização facial;
- Botox;
- Skincare;
- Cuidados com a saúde mental através de psicólogo online e tratamento de ansiedade.
Neste percurso de mudança de comportamento, a pesquisa destacou que, enquanto o interesse pela disciplina da academia estabilizou em níveis muito baixos em comparação ao passado, a estética e a farmacologia consolidaram-se como itens de consumo com preço fixo e tração estrutural.
Sobre a pesquisa
Para chegar a esses resultados, o IBEVAR e a FIA rastrearam 22 anos de comportamento digital (2004 a 2026), totalizando 270 observações mensais, para medir a evolução do interesse por saúde no País.
O Índice de Preocupação com a Saúde foi construído a partir da mineração e classificação automática de menções em redes sociais, combinando duas técnicas de Processamento de Linguagem Natural (NLP): um classificador de tópicos, que identifica mês a mês o volume de menções a 33 termos de saúde previamente mapeados, e um modelo de análise de sentimento e emoção treinado especificamente para o contexto brasileiro.
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