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O que é cisma e excomunhão? Entenda a punição do Papa à ala tradicional

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Vaticano declarou oficialmente que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) está "em cisma" e anunciou a excomunhão de seus bispos - Adobe Stock
Vaticano declarou oficialmente que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) está "em cisma" e anunciou a excomunhão de seus bispos
Por Emanuele Almeida

03/07/2026 | 10h54

São Paulo - Nesta primeira semana de julho de 2026, a Igreja Católica viveu um de seus momentos mais delicados dos últimos anos. O Vaticano declarou oficialmente que o grupo ultraconservador Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) está "em cisma" e anunciou a excomunhão de seus bispos.

A decisão de punição máxima pelo papa Leão XIV ocorreu após a comunidade desafiar a autoridade da Santa Sé ao realizar a ordenação de quatro novos bispos em Écône, na Suíça, sem autorização papal.

Mas, afinal, o que significam esses termos e por que eles representam a ruptura máxima dentro da instituição?

O que é cisma?

Historicamente, o Catecismo da Igreja Católica define o cisma de forma clara: é "a recusa de sujeição ao Sumo Pontífice ou da comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos".

Na época dos primeiros pais da Igreja, o cisma era frequentemente chamado de "elevar altar contra altar", significando uma ruptura direta com o bispo local e com o sinal de unidade da comunidade. O teólogo São Tomás de Aquino fazia uma importante diferenciação: enquanto a heresia se opõe essencialmente à fé, professando dogmas perversos, o cisma se opõe à "unidade da caridade eclesiástica". Ou seja, o cismático é aquele que, de forma intencional, se separa da unidade da Igreja.

Foi exatamente sob essa definição que o Vaticano enquadrou a consagração dos novos bispos lefebvrianos, classificando a atitude como um "ato de natureza cismática".

O que é excomunhão?

A excomunhão é a censura e a pena canônica mais grave que pode ser imposta a um membro da Igreja por motivos de grande seriedade. Ao ser excomungada, a pessoa perde o vínculo jurídico-social com a Igreja Católica, sendo excluída da comunhão dos fiéis, embora isso não signifique automaticamente a perda do vínculo espiritual com Deus, que se perde apenas pela negação da fé.

A lei da Igreja prevê casos de "excomunhão automática" para indivíduos que contrariam gravemente a fé e a disciplina. Isso inclui rejeitar a autoridade de papas legítimos ou, como foi o caso da FSSPX, ordenar e nomear bispos sem que eles tenham sido escolhidos pelo Papa.

Com a excomunhão, os ministros ficam proibidos de administrar sacramentos de forma lícita, tornando casamentos e confissões assistidos por eles sem validade perante a Igreja.

Ultraconservadores x Papa

A Fraternidade São Pio X foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre e reúne católicos tradicionalistas contrários às reformas do Concílio Vaticano II (1962-1965). Eles repudiam as inovações litúrgicas, defendendo uma doutrina mais rígida, a obrigatoriedade da missa em latim e a celebração com o padre de costas para os fiéis.

Ignorando o último apelo por carta do papa Leão XIV, que pedia que "renunciassem ao projeto", o grupo consagrou quatro novos bispos à revelia de Roma em 1º de julho de 2026: Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier. Como resultado, não apenas esses quatro, mas também os bispos que realizaram a sagração, Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay, foram excomungados pelo Vaticano.

As consequências se estendem aos seguidores do grupo: a Santa Sé advertiu que padres e fiéis leigos que aderirem à Fraternidade São Pio X passam a ser considerados cismáticos e também estarão em situação de excomunhão.

O episódio repercutiu fortemente nas alas conservadoras da Igreja. Dom Athanasius Schneider, importante figura entre os tradicionalistas, saiu em defesa da fraternidade antes da oficialização do cisma, afirmando que "o Papa não é Deus" e apontando que há, muitas vezes, uma "divinização implícita" do pontífice. Para ele, o rótulo de cismático costuma ser aplicado de modo automático sem a devida análise profunda, defendendo que os lefebvrianos "não estão fora da Igreja".

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