É o fim do ano bissexto? Entenda a decisão sobre a nova contagem do tempo
Com a nova regra de contagem, a diferença entre tempo medido pelos relógios e o determinado pela rotação da Terra poderá chegar a uma hora
Por Bárbara Ferreira
16/10/2026 | 18h50 ● Atualizado | 18h53Pixabay
Cientistas de diversos países aprovaram a eliminação do 'segundo bissexto' na escala do Tempo Universal Coordenado (UTC), que não será mais utilizado a partir de 2027, visando simplificar a medição do tempo e evitar falhas em sistemas que dependem de precisão temporal.
Desde 1972, 27 segundos bissextos foram adicionados para alinhar o UTC com a rotação da Terra, mas a variação na rotação terrestre causava descompassos, o que poderia impactar setores como telecomunicações e finanças.
A nova resolução, que entrará em vigor em 20 de maio de 2024, estabelece que a diferença entre UTC e o tempo astronômico poderá chegar a uma hora, garantindo a continuidade do UTC por séculos e antecipando a mudança que estava prevista para 2035.
São Paulo - Cientistas e representantes de vários países aprovaram uma mudança na escala que mede o Tempo Universal Coordenado (UTC), referência mundial para determinação das horas. O que é chamado de “segundo bissexto” não será mais acrescentado aos relógios a partir de 2027.
Este “segundo bissexto”, também entendido como segundos intercalares, é um ajuste usado desde os anos 1970. É utilizado para manter o UTC mais próximo do tempo determinado pela rotação da Terra - calculado com base no ângulo de rotação da Terra, conhecida como UT1.
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O que é o segundo bissexto?
No entanto, a rotação terrestre não tem uma duração constante, já que varia por conta de movimentos no núcleo, oceanos, atmosfera, e ação das marés. Portanto, essas duas escalas - UTC e UT1 - não avançam exatamente juntas e podem apresentar diferenças ao longo do tempo.
Desde 1972, 27 segundos bissextos já foram acrescentados. Eles só são acrescentados quando a diferença entre o tempo atômico e o astronômico se aproxima de 0,9 segundo. Este segundo extra, no entanto, pode causar falhas em sistemas que precisam estar perfeitamente sincronizados, como telecomunicações, satélites, bolsas de valores, data centers e redes de energia.
Há relação com o ano bissexto?
A relação entre o ano bissexto e o segundo bissexto está em seus objetivos: os dois servem para corrigir a diferença entre o tempo medido pelo calendário humano e o tempo real do movimento da Terra. No entanto, os dois atuam em escalas de tempo e proporções completamente diferentes.
Portanto, a mudança não altera em nada o ano bissexto ou a percepção de tempo ao olho no relógio. Na prática, os relógios atômicos continuarão funcionando normalmente, mas sem os pequenos ajustes feitos de tempos em tempos para acompanhar a rotação terrestre.
Mudança no Tempo Universal Coordenado (UTC)
Com a mudança, a diferença entre as escalas poderá atingir, no máximo, uma hora (3.600 segundos) - o que pode levar séculos. A medida entrará em vigor em 20 de maio do próximo ano. Segundo a resolução, o novo limite assegura a continuidade do UTC por vários séculos.
A decisão consta na Resolução 5 da 28ª reunião da Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM), realizada entre 13 e 15 de outubro, em Versalhes, na França. Esta mudança foi antecipada em oito anos, inicialmente prevista para acontecer em 2035.
O documento foi publicado pelo BIPM (Bureau Internacional de Pesos e Medidas), organização responsável pela manutenção do UTC.
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