Escalada no Estreito de Ormuz amplia tensão entre EUA e Irã
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São Paulo - A crise entre Estados Unidos e Irã se intensificou na madrugada desta quarta-feira (horário de Brasília), com troca de ameaças, impasse nas negociações e um incidente militar no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.
Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a prorrogação do cessar-fogo que terminaria na terça-feira, 21, a agência estatal iraniana Tasnim afirmou que Teerã não solicitou a extensão da trégua e declarou que “a continuidade do bloqueio naval [dos EUA ao Irã] significa a continuação das hostilidades”.
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Segundo a publicação, “o Irã não vai abrir o Estreito de Ormuz (...) enquanto o bloqueio naval [dos EUA] continuar, e vai romper o bloqueio pela força se necessário”.
As negociações entre os dois países seguem travadas, após o cancelamento de uma rodada prevista para Islamabad, no Paquistão. A Tasnim também afirmou que autoridades iranianas monitoram a possibilidade de ações militares por parte de Estados Unidos e Israel, mesmo após o anúncio público da extensão da trégua.
“Se os Estados Unidos quiserem manter a sombra da guerra, devem saber que o Estreito de Ormuz permanecerá completamente fechado”, concluiu a agência.
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Do lado americano, Trump elevou o tom em publicações na rede Truth Social. Ele afirmou que o “Irã está entrando em colapso financeiro” e que o regime iraniano deseja a reabertura imediata do estreito. Segundo o presidente, o país perde cerca de US$ 500 milhões por dia com o bloqueio. “Militares e policiais estão reclamando que não estão recebendo os seus salários”, disse.
Em outra mensagem, Trump declarou que, caso reabra o Estreito de Ormuz, “nunca poderá haver acordo com Irã, a menos que os EUA ‘destruam o resto’ do país persa, incluindo seus líderes”.
Ele acrescentou que o Irã não quer que o Estreito de Ormuz seja fechado: "Eles querem que [o Estreito] permaneça aberto para poderem faturar US$ 500 milhões por dia (...) Eles só dizem que querem que ele seja fechado porque eu o tenho totalmente BLOQUEADO”.
No terreno, a tensão se materializou com um incidente nesta quarta-feira, 22. A Guarda Revolucionária do Irã abriu fogo contra um navio cargueiro no Estreito de Ormuz, segundo o Centro de Operações de Comércio Marítimo das Forças Armadas do Reino Unido.
O ataque ocorreu por volta das 7h55 (horário local) e foi executado por uma lancha, sem aviso prévio. A embarcação foi danificada, mas não houve feridos.
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Autoridades iranianas, no entanto, apresentaram versão diferente. De acordo com as agências Nour News e Fars, o navio teria ignorado avisos antes de ser alvejado, e a ação foi descrita como uma aplicação “legal” do controle sobre a passagem marítima. Os relatos contradizem a versão britânica de que não houve qualquer alerta.
O episódio ocorre em meio à interrupção da navegação no estreito ordenada pelo Irã e ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos.
Na noite de terça-feira, 21, a escalada também se refletiu internamente no Irã. Em Teerã, um grupo de radicais foi às ruas após a suspensão das negociações com os EUA.
Imagens da TV estatal mostraram integrantes da Guarda Revolucionária exibindo um míssil balístico acoplado a um lançador móvel, enquanto manifestantes carregavam rifles do tipo Kalashnikov. O armamento exibido incluía um míssil Qadr, capaz de liberar munições de fragmentação, utilizadas anteriormente em ataques contra Israel.
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