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Butantan: BA, MG e SP têm as áreas com maior risco de picada de escorpião

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Entre 2012 e 2024, a taxa nacional de incidência registrou aumento de 349%, segundo o Butantan - Envato
Entre 2012 e 2024, a taxa nacional de incidência registrou aumento de 349%, segundo o Butantan
Por Claudio Marques

07/06/2026 | 11h21

São Paulo - As regiões sul da Bahia, norte de Minas Gerais e noroeste paulista concentram atualmente algumas das áreas de maior risco de acidentes por picada de escorpião no Brasil. O dado faz parte de estudo publicado em outubro de 2025 na revista PLOS Neglected Tropical Diseases, que analisou dados dos 5.570 municípios brasileiros entre 2012 e 2024, registrando mais de 1,7 milhão de acidentes e 1.230 mortes nesse período.

Entre 2012 e 2024, a taxa nacional de incidência passou de 31 para 142 casos por 100 mil habitantes, representando aumento de 349%. O estudo sugere que fatores ambientais, climáticos, urbanos e sociais contribuíram para a disseminação dos escorpiões nas cidades.

Elaborado por especialistas do Instituto Butantan, da Universidade de São Paulo (USP), do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, o levantamento tem como objetivo apoiar ações de vigilância epidemiológica e oferecer um mapeamento detalhado das áreas de maior risco, auxiliando na distribuição estratégica de soros para tratamento de casos graves.

Nordeste e sudeste têm mais casos

As regiões Nordeste e Sudeste concentram 87% dos casos registrados no País. Municípios de São Paulo, Minas Gerais e Bahia apresentam aumento acelerado das taxas de acidentes. No noroeste paulista, o clima quente e áreas urbanizadas favorecem a proliferação do Tityus serrulatus (escorpião-amarelo), principal causador de acidentes no Brasil.

Minas Gerais registra grande número de óbitos, principalmente na porção norte do estado, com maior mortalidade entre crianças de 0 a 9 anos. No Nordeste, o Tityus stigmurus (escorpião-do-nordeste) é predominante. A Bahia apresenta alto risco, com crescimento na região norte do Estado entre 2018 e 2024. Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte também registram aumento de casos, com Alagoas atingindo mais de 270 acidentes por 100 mil habitantes e risco maior entre mulheres.

Embora a Região Norte do País tenha menor incidência registrada, o estudo aponta que subnotificação e dificuldade de acesso a serviços de saúde podem afetar os números. Espécies amazônicas, como Tityus obscurus (escorpião-preto-da-Amazônia), podem provocar manifestações clínicas diferentes das observadas em outras regiões.

Temperaturas elevadas

Áreas de alto risco apresentam temperaturas elevadas, menor volume de chuvas, menor cobertura vegetal e menores índices de alfabetização. Municípios com maior vegetação têm menor risco. Espécies partenogenéticas, como T. serrulatus e T. stigmurus, podem se reproduzir sem acasalamento, facilitando a proliferação.

Os acidentes apresentam comportamento sazonal, com maior incidência entre setembro e dezembro, durante a primavera.

Prevenção e atendimento

Os escorpiões adaptam-se ao ambiente urbano, ocupando galerias subterrâneas, redes de esgoto, terrenos com lixo e locais com insetos, como baratas. Para reduzir riscos em casa, recomenda-se evitar acúmulo de lixo, entulho, folhas secas, materiais de construção e roupas espalhadas pelo chão.

A picada provoca dor intensa. O tratamento inclui lavar a área com água e sabão, aplicar compressa morna e buscar atendimento médico rápido, especialmente em crianças. Casos leves podem ser tratados com analgésicos; casos graves demandam soros antiescorpiônicos ou antiaracnídicos, produzidos pelo Instituto Butantan.

O Instituto mantém o Hospital Vital Brazil, em São Paulo, especializado em atendimento a acidentes por animais peçonhentos, além de pontos estratégicos de atendimento em todo o País.

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