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Governo brasileiro determina expulsão de suposto espião russo

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Russo era conhecido como Victor Muller Ferreira no Brasil - PF/Reprodução
Russo era conhecido como Victor Muller Ferreira no Brasil
Por Estadão Conteúdo

09/07/2026 | 09h41

São Paulo - O governo brasileiro determinou, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a expulsão de Sergey Vladimirovich Cherkasov, um suposto espião russo que vive no País há mais de 15 anos e está preso em Brasília desde 2022.

A decisão de expulsão foi assinada pela coordenadora de processos migratórios Alessandra Teixeira de Araújo, e publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira, 6.

O texto determina que Cherkasov, com base no artigo 54 da Lei de Migração (13.445/2017), está proibido de voltar ao Brasil pelos próximos 30 anos, contados a partir do momento em que deixar efetivamente o País.

Sergey é acusado de fazer parte de uma rede de espiões russos que usava o Brasil como trampolim para se infiltrar em outros países e obter informações estratégicas para a Rússia. 

Ele vive em território brasileiro, pelo menos, desde 2010 e assumiu a identidade de Victor Muller Ferreira com o objetivo de conseguir a cidadania portuguesa para se tornar cidadão europeu.

O russo foi capturado há cerca de quatro anos, depois de tentar entrar na Holanda com um passaporte brasileiro e outros documentos falsos em março de 2022. Ele havia sido aprovado para fazer um estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia, mas teve a fraude descoberta por autoridades holandesas e americanas.

Deportado para o Brasil, ele foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos e, dois meses depois, passou a cumprir pena de 15 anos e a responder a processos por possíveis atos de espionagem, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e uso de documento falso.

Tráfico de drogas

Sergey solicitou à Justiça brasileira que fosse extraditado para a Rússia. O governo russo alegava que o espião fazia parte de uma rede internacional de tráfico de drogas e pedia seu retorno para que fosse julgado no país de origem.

Na época, o Supremo Tribunal Federal autorizou a extradição, mas a condicionou à conclusão de um inquérito da Polícia Federal em São Paulo. Em dezembro de 2024, contudo, o ministro Edson Fachin negou a extradição e justificou, na ocasião, que Sergey ainda tinha “pendências penais” no Brasil.

'Victor Muller Ferreira'

Conforme mostrou o Estadão em reportagem de 2023, Sergey construiu de forma minuciosa o personagem Victor Muller Ferreira. Um documento de quatro páginas, localizado nas investigações do inquérito da Polícia Federal, mostrava o roteiro que o russo deveria seguir para tornar crível a história fictícia criada para sustentar o disfarce.

Entre as mentiras, estavam a perda da mãe durante o parto e uma suposta descendência alemã, que justificariam o sotaque, embora dissesse ser natural de Niterói, no Rio de Janeiro. Alegava ter sido cuidado por uma amiga da mãe e que a vida o levou a morar em várias cidades, incluindo Brasília.

O registro de sua entrada no País é de 2010. Na história criada pelo russo, ele teria ido para a Europa por alguns anos e voltado ao Brasil naquele ano para resolver uma situação com o pai, que morava na capital federal.

Enquanto esteve no Brasil, Sergey conseguiu usar as identidades falsas para estudar na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, de onde tentou conseguir estágios em agências governamentais e organismos internacionais.

Disfarce revelado

Contudo, ele acabou sendo descoberto por autoridades americanas e holandesas quando chegou à Europa para realizar um estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia.

Os investigadores descobriram que o russo tinha um esconderijo para deixar equipamentos e mensagens em Cotia, na Grande São Paulo. O objetivo era que o local pudesse ser um ponto de apoio do esquema de espionagem, para que informações e dados pudessem ser recuperados por outros integrantes da organização.

O local foi descoberto a partir de dados encontrados no celular que ele usava no momento da prisão, em Guarulhos. A PF encontrou dispositivos no esconderijo e os repassou ao FBI, o Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos.

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