Irã desiste de jogar a Copa do Mundo de 2026, que terá partidas nos EUA
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São Paulo - O ministro dos Esportes iraniano, Ahmad Doyanmali, confirmou nesta quarta-feira, 11, que o Irã desistiu da Copa do Mundo 2026. Ele disse que a atual condição do país, que vive contexto de guerra no Oriente Médio após ataques coordenados de Estados Unidos e Israel, impossibilitam a seleção iraniana de jogar o Mundial, marcado para acontecer entre junho e julho, com sedes nos EUA, México e Canadá.
"Dado que este governo corrupto (os Estados Unidos) assassinou nosso líder, não há condições para que participemos da Copa do Mundo", comentou Doyanmali, fazendo referência à morte de Ali Khamenei – xiita que governou o Irã por mais de 30 anos após ser morto na ofensiva americana –, segundo o jornal espanhol Sport.
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Duas guerras nos foram impostas em oito ou nove meses, e milhares de nossos cidadãos foram mortos. Portanto, não temos possibilidade de participar desta forma."
A declaração do ministro dos Esportes do Irã acontece horas depois de o presidente americano, Donald Trump, afirmar que "a seleção iraniana é, obviamente, bem-vinda para competir no torneio nos Estados Unidos".
A informação foi divulgada pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, em publicação nas redes sociais.
O Irã tem jogos marcados em Inglewood, na Califórnia, contra a Nova Zelândia em 15 de junho e contra a Bélgica em 21 de junho. Antes de encerrar a fase de grupos, a seleção iraniana enfrenta, ainda, o Egito em Seattle, Washington, em 26 de junho.
O regulamento da Fifa prevê uma multa mínima de 250 mil francos suíços (R$ 1,6 milhão) para a equipe que abandonar o torneio. Com a confirmação da desistência do Irã, a entidade pode manter o grupo originalmente ocupado pelo Irã com apenas três seleções ou convidar outro país para preencher a vaga.
Quem substitui o Irã?
Emirados Árabes Unidos e Iraque, que chegaram às fases finais das Eliminatórias Asiáticas, são os países com mais chances de herdar a vaga dos iranianos caso a Fifa escolha pela inclusão de uma seleção substituta.
Segundo o regulamento da Fifa, a entidade fica livre para escolher como bem entender qual solução será aplicada em caso de desistência de uma seleção da Copa. Ou seja, existe a possibilidade de o Mundial ser realizado com 47 seleções em vez de 48.
Caso a Fifa decida pela inclusão de um substituto ao Irã, uma das soluções seria dar a vaga do Irã a outra seleção da Confederação Asiática. O Iraque disputa, no fim de março, a repescagem mundial no México.
No duelo decisivo, encara o vencedor do confronto entre Bolívia e Suriname. Caso seja derrotado, a seleção iraquiana passa a ser o principal candidato a herdar a vaga. Se vencer, quem sobe na lista é os Emirados Árabes, melhor seleção asiática das Eliminatórias que ficou fora da Copa.
Outra possibilidade seria classificar quem perder para o Iraque na repescagem, Bolívia ou Suriname. A decisão não afetaria a isonomia na divisão de continentes por grupos, já que no Grupo G há um europeu (Bélgica), um africano (Egito) e um representante da Oceania (Nova Zelândia).
Este sistema, popularmente conhecido como "lucky loser" ("perdedor sortudo", em tradução literal), é utilizado especialmente em torneios de tênis quando um atleta não consegue passar da fase classificatória, mas herda a vaga após uma desistência na chave principal.
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