Lula defende área de Defesa "porque qualquer dia alguém invade a gente"
Ricardo Stuckert/PR
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu investimentos na área de defesa como prevenção diante da escalada de conflitos no mundo. Disse que é preciso se preparar porque "qualquer dia alguém invade a gente". A declaração foi dada ao lado do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, nesta segunda-feira, 9.
Lula falou sobre acordos com a África do Sul na área de defesa. Disse que o país "poderá se tornar mercado relevante para a indústria de defesa" brasileira.
"Aqui (no Brasil) ninguém tem bomba nuclear, nossos drones são para agricultura, ciência e tecnologia e não para a guerra. Pensamos em defesa como dissuasão. Mas não sei se Ramaphosa percebe, se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente", disse Lula.
Leia também: UE diz que pode reforçar proteção ao tráfego marítimo no Oriente Médio
"Isso é uma coisa que o Brasil tem uma necessidade similar à da África do Sul, portanto precisamos juntar nosso potencial e ver o que podemos produzir juntos. Não precisamos ficar comprando dos senhores das armas, poderemos produzir. Precisamos nos convencer de que ninguém vai ajudar a gente além de nós mesmos", declarou.
Lula constantemente critica, em seus discursos, outros países por investimentos em armas e em defesa, principalmente quando fala sobre a fome no mundo. O presidente frequentemente diz que os países investem bilhões de dólares produzindo armas, quando deveriam se preocupar em erradicar a fome no planeta.
Por sua vez, Ramaphosa defendeu o cessar-fogo no Oriente Médio para que Irã, Israel e Estados Unidos possam dar início a uma negociação. Ramaphosa condenou as mortes na guerra deflagrada no Irã, em especial as mortes de civis - a maior parte de iranianos.
Leia também: Irã escolhe Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, como novo líder
“Nossa visita ao Brasil ocorre em um momento de recrudescimento dos conflitos no Oriente Médio. Assim, fazemos um chamado para uma resolução pacífica das disputas que ocorrem violando a Carta das Nações Unidas, e condenamos a perda de vidas, especialmente a vida de civis e destruição da infraestrutura vital nessa parte do mundo”, disse Ramaphosa em declaração à imprensa ao lado de Lula.
“Nós chamamos todas as partes envolvidas nesse conflito para um cessar-fogo imediato, para que haja uma negociação”, completou o sul-africano.
Preço do petróleo e terras raras
Mais especificamente sobre o conflito no Irã, Lula reconheceu que o preço dos combustíveis "está subindo muito e deve subir em todos os países do mundo". Lula demonstrou preocupação com a guerra e disse que "esses conflitos têm efeitos deletérios sobre as cadeias de energia, insumos e alimentos".
Por falar em commodities, Lula disse que "o Brasil não vai fazer com as terras raras e minerais críticos aquilo que foi feito com o minério de ferro". O presidente defendeu que empresas estrangeiras que quiserem explorar os minerais brasileiros terão de fazer a transformação dessas commodities em produtos com valor agregado no próprio Brasil.
Já está avisado ao mundo: o Brasil não vai fazer das terras raras e mineiras críticos aquilo que foi feito com o minério de ferro. Vender minério de ferro e comprar produto acabado pagando seis vezes mais caro. Não, agora a parceria tem de ser feita para que a transformação seja aqui no Brasil", declarou.
"Já levaram toda nossa prata, nosso ouro, nosso diamante, nosso minério de ferro. O que mais querem levar? Quando vamos aprender que Deus deu essas riquezas para nós? E nós ficamos dando para os outros", completou.
Lula disse que "nós que temos minerais críticos e terras raras precisamos tirar proveito para que a gente possa fazer disso uma forma de enriquecimento, conhecimento para que nosso povo possa viver melhor".
Ramaphosa agradeceu Lula pela recepção. Agradeceu pelos dois acordos assinados nesta segunda-feira, 9, que dizem respeito ao turismo. Também demonstrou solidariedade à população de Minas Gerais, em especial as pessoas da Zona da Mata, por causa das chuvas que atingiram a região na última semana. O presidente sul-africano também defendeu a ampliação das relações comerciais entre os dois países.
Após um almoço no Itamaraty, o presidente da África do Sul terá agendas no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal (STF).
(Por Gabriel Hirabahasi)
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
