Papa Leão XIV pede que Nossa Senhora Aparecida proteja brasileiros
O pontífice citou a padroeira do Brasil em discurso no Vaticano nesta quarta-feira, 7, mas não mencionou a polêmica envolvendo a santa nas eleições
Por Estadão Conteúdo
07/10/2026 | 14h41Reprodução/Vatican News
Durante a Audiência Geral no Vaticano, o papa Leão XIV pediu a proteção de Nossa Senhora Aparecida para os brasileiros, em meio a uma polêmica sobre o título da santa que surgiu durante as eleições no Brasil.
A controvérsia gerou debates no STF e TSE, resultando em decisões conflitantes sobre a remoção de publicações falsas que ligavam Flávio Bolsonaro à intenção de retirar o título de padroeira do Brasil.
Flávio Bolsonaro acusou a CNBB de disseminar a fake news, enquanto a entidade negou envolvimento.
São Paulo - O papa Leão XIV mencionou Nossa Senhora Aparecida durante a Audiência Geral no Vaticano nesta quarta-feira, 7, e pediu que a "padroeira do Brasil" proteja os brasileiros.
Nossa Senhora Aparecida esteve no centro de uma polêmica no primeiro turno das eleições brasileiras, após uma série de publicações falsas apontarem que, se eleito, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, retiraria o título da santa de padroeira do Brasil.
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Em seu discurso na Praça de São Pedro, Leão não mencionou a polêmica. O papa lembrou que na próxima segunda-feira, 12, é celebrado o Dia de Nossa Senhora Aparecida.
"Uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, em especial aos grupos vindos do Brasil e de Portugal", disse Leão. "Queridos irmãos e irmãs, na próxima segunda-feira, 12 de outubro, celebra-se Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Confio todos vós e as vossas famílias à sua intercessão maternal. Que Nossa Senhora vos proteja sempre! Deus vos abençoe", acrescentou.
Batalha no STF e acusação à CNBB
O debate político em torno da padroeira do Brasil chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e gerou decisões divergentes relacionadas a publicações sobre o assunto.
Em 25 de setembro, o ministro André Mendonça determinou a retirada de publicações que relacionavam Flávio à intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A medida foi tomada por Mendonça na condição de membro do TSE.
Dois dias depois, o ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu a decisão de Mendonça. Com isso, determinou o restabelecimento das publicações. No dia seguinte, o ministro Luis Fux, do STF, suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu a determinação de Mendonça para a retirada das publicações.
Em 30 de setembro, o TSE decidiu manter fora do ar publicações que vinculassem diretamente Flávio à notícia falsa.
Em meio às decisões, Flávio acusou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de ajudar o PT a espalhar a história.
"A maior fake news da campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida. Não existia esse movimento para tirar ela de ser padroeira do Brasil. Jamais existiu, não tem projeto, não tem nada. E o PT, eu sei hoje, já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news. Conseguiu com a ajuda de gente dentro da CNBB. Infelizmente, essa é a realidade", afirmou.
A CNBB, por sua vez, negou ter participação na difusão de informações falsas, afirmou que atribuir à entidade "participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral" e que "mentira não se combate com outra mentira".
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