Bessent: todos devem levar ao pé da letra o que Trump diz sobre Groenlândia
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19/01/2026 | 14h21 ● Atualizado | 14h27
São Paulo, 19/01/2026 - O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que "todos devem levar ao pé da letra o que o presidente Donald Trump diz", ao comentar a controvérsia em torno das declarações do republicano sobre a Groenlândia.
Em conversa com repórteres às margens do Fórum Econômico Mundial em Davos, Bessent disse que "é uma completa falácia" a ideia de que a postura de Trump sobre o território autônomo dinamarquês esteja relacionada à frustração por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, enfatizando que "isso simplesmente não corresponde aos fatos".
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As declarações vêm após Trump afirmar, em publicação na Truth Social, que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) teria alertado a Dinamarca por cerca de 20 anos sobre a necessidade de afastar a "ameaça russa" da Groenlândia, acrescentando que "agora é a hora, e isso será feito".
Desobrigado a pensar na paz
Ao contrário da fala de Bessent, a agência Reuters mostrou que Trump vinculou sua ofensiva diplomática e comercial ao fato de não ter sido agraciado com o Nobel da Paz, afirmando que "não se sente mais obrigado a pensar puramente em paz". O comentário reacendeu tensões com a União Europeia (UE) e temores de nova escalada tarifária, especialmente após o republicano anunciar novas sobretaxas aos países que se opuserem a seus planos em relação à ilha dinamarquesa.
Ainda em Davos, Bessent afirmou que uma retaliação europeia às novas tarifas, como planejado por líderes da UE, seria "muito imprudente" e, no cenário doméstico, avaliou que a economia dos EUA "é forte", pontuando esperar que "os investimentos acelerem este ano".
O secretário também comentou as relações entre Estados Unidos e Suíça, afirmando que "voltaram a um bom caminho após meses difíceis". A declaração ocorre em meio às negociações comerciais entre os dois países e às recentes decisões de Washington de modificar tarifas aplicadas a produtos suíços, medidas condicionadas ao avanço de um acordo comercial mais amplo em discussão entre as partes.
UE vai acionar G7
Autoridades europeias passaram a enfatizar o papel do G7 como fórum de coordenação diante da escalada de tensões comerciais provocada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou impor tarifas a países europeus caso não haja concordância com a venda da Groenlândia aos EUA.
Segundo a DW, o vice-chanceler e ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, afirmou que a Europa responderá de forma coordenada. "Não vamos nos deixar chantagear", disse, ao acrescentar que os países europeus estão "preparando contramedidas junto com nossos parceiros europeus". Para ele, a postura de Trump representa uma sucessão de choques e "o limite foi alcançado".
Ferramentas de proteção
A alta representante da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou hoje que a segurança do Ártico é um interesse transatlântico comum, e um "tema que podemos discutir com nossos aliados americanos". Em publicação na rede social X, no entanto, a diplomata afirmou que "as ameaças tarifárias não são o caminho a seguir" e que a "soberania não serve para fins comerciais". Kallas afirmou que o bloco não tem "interesse em iniciar uma disputa", mas que irá manter sua posição. "A Europa possui um conjunto de ferramentas para proteger seus interesses", concluiu.
A declaração veio após Kallas se reunir com o vice-primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, com o ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, e com a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt.
(Por Pedro Lima e Matheus Andrade)
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