Pesquisadora especialista em tamanduás é uma das vítimas de queda de avião
Reprodução/Redes Sociais
São Paulo - O acidente com um avião bimotor ocorrido na manhã desta sexta-feira, 3, em Campo Grande (MS), matou o piloto Henrique Martin de Carvalho e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, de 45 anos. A aeronave havia decolado do Aeródromo Santa Maria com destino ao Pantanal quando caiu em uma área de mata de difícil acesso.
Quem era Lydia Theresia Möcklinghoff
A pesquisadora Lydia Möcklinghoff, que também trabalhava como jornalista, escritora e apresentadora de TV, era descrita como zoologista "acima de tudo", na biografia disponível em sua página na internet.
"No centro de seu trabalho como comunicadora científica está seu entusiasmo por temas zoológicos e a conscientização sobre a importância da conservação de espécies", diz um trecho.
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Ela era especialista em tamanduás-bandeira-gigantes e passava vários meses do ano no Pantanal brasileiro rastreando seus objetos de estudo, que correm risco de extinção. Lydia também estudava outros mamíferos e também realizou pesquisas no Estado de Roraima.
Em um relato publicado pela revista alemã Der Spiegel, Lydia conta sobre suas experiências no Pantanal. A paixão pelos tamanduás surgiu repentinamente. Segundo ela, após uma mudança para uma universidade superlotada na Alemanha, um aviso sobre um estágio para estudar os tamanduá-gigantes no Brasil mudou os rumos da carreira.
Eu não me importava com nada, o principal era fugir. Brasil? Nunca antes. Tamanduás? Nunca visto. Alguns dias depois, eu estava no avião cheia de vacina, e logo depois estava no calor da savana ao lado do meu primeiro tamanduá. Míope e surdo, ele passou bem na minha frente. Fiquei imediatamente encantada."
Segundo ela, a paixão começou nesse primeiro encontro. "Fiquei viciada no tamanduá, esse animal estranho que, de alguma forma, parece estar em um universo paralelo", relatou.
Desde então, ela passou a viver seis meses por ano no Brasil "entre os arbustos espinhosos brasileiros para descobrir do que o tamanduás precisam para sobreviver".
"Eles são os mamíferos mais estranhos da América do Sul: do tamanho de um cão pastor, com cauda espessa, focinho longo e língua de 60 centímetros. Eles se alimentam exclusivamente de cupins e, claro, de formigas. Fora isso, quase nada se sabe sobre seu modo de vida. Isso é ruim se você quiser salvá-los da extinção. E é aí que eu entro", explicou.
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