PM é flagrado chutando rosto de mulher que surtou em prédio no litoral de SP
Reprodução/Vivendo na Baixada
São Paulo - Um policial militar foi flagrado nesta quinta-feira, 19, chutando o rosto de uma mulher que aparentava estar em surto, no corredor de um prédio, em São Vicente, no litoral de São Paulo.
Os policiais tinham sido chamados por vizinhos após ouvirem gritos no apartamento da suposta vítima. Ela teria sido contida de forma violenta e agredida. Com o rosto sangrando, a mulher passou por atendimento no Pronto-Socorro Central.
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A Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) diz que a Polícia Militar apura todas as circunstâncias dos fatos. Os policiais que atenderam a ocorrência portavam câmeras operacionais portáteis (COPs) e as imagens serão analisadas.
Reação à abordagem
O caso ocorreu em um prédio da Rua Amador Bueno da Ribeira, na região central da cidade, por volta das 3 horas da madrugada de quinta-feira. Relatos em redes sociais dão conta de que os moradores ouviram gritos vindo de um dos apartamentos e acionaram a Polícia Militar.
Os agentes chegaram e teriam encontrado a mulher em aparente surto psicótico. Ela reagiu à abordagem e teria dado tapas em um policial.
A mulher foi contida e derrubada. Imagens postadas em redes sociais mostram quando, já no chão, a mulher está cercada por policiais e se debate. Quando ela tenta segurar o pé de um dos policiais, recebe um chute no rosto.
De acordo com a prefeitura de São Vicente, ela foi socorrida pelo SAMU e levada ao PS Central. estado de saúde dela não foi informado.
Mais casos
A ocorrência é mais um caso a ganhar divugação neste Mês Internacional da Mulher. Um dos casos mais notórios também envolve a PM.
Em 18 de fevereiro, a soldado da PM Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça, no apartamento em que morava com o companheiro, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos. O casal vivia em um prédio no Brás, região central da capital paulista.
O tenente-coronel disse à polícia que estava no banho no momento do disparo, o que configuraria suicídio. No entanto, as investigações tomaram um rumo diferente e o militar foi preso, acusado pela polícia de feminicídio.
Tiro de espingarda e facada
Em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre, Daiane Rosa Zastrow, de 39 anos, foi morta a facadas dentro de casa na manhã de terça-feira, 17. O caso é tratado como feminicídio. O principal suspeito é o companheiro da vítima, de 60 anos, que está foragido e não teve a identidade revelada.
Em Santa Catarina, na quarta-feira, Sara Bianca, de 29 anos, foi assassinada pelo marido, Sergio Fabian Schneider, com um tiro de espingarda dentro da residência do casal. Ele confessou o crime e está preso.
No final do ano passado, Tayná Souza Santos, de 31 anos, foi atropelada e arrastada por cerca de 1 km, na Marginal Tietê, em São Paulo. O suspeito, Douglas Alves da Silva, de 26 anos, é ex-companheiro da vítima. Ele foi preso em 30 de novembro. Tayná morreu em 24 de dezembro.
O Índice de Conscientização sobre Violência contra Mulheres, lançado neste mês pelo Instituto Natura e pela Avon, mostra que quatro em cada dez brasileiras não reconhecem espontaneamente situações de agressão que já viveram como violência contra a mulher.
Lei Antifeminicídio
Os casos ocorrem por todo o País, apesar da Lei Antifeminicídio (Lei 14.994/2024), sancionada em outubro de 2024, e considerada uma das legislações mais rigorosas do mundo no combate à violência de gênero. Ela transformou o feminicídio em um crime autônomo e aumentou consideravelmente as punições.
Neste mês, a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que cria um tipo penal autônomo para lesões corporais extremas contra mulheres. O texto, que segue para o Senado, prevê aumento de pena para agressões motivadas pelo gênero, em contextos de violência doméstica ou misoginia, equiparando o rigor ao do feminicídio.
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