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Polícia investiga violências contra crianças após morte e vídeo de agressão

Arquivo Pessoal/Reprodução/Redes Sociais

Menino de 3 anos morre no RS; câmera flagra chute em criança no PR - Arquivo Pessoal/Reprodução/Redes Sociais
Menino de 3 anos morre no RS; câmera flagra chute em criança no PR
Por Estadão Conteúdo

10/07/2026 | 14h32

São Paulo - Autoridades do Rio Grande do Sul acionaram a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) para obter informações sobre o norte-americano Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, que admitiu ter espancado o filho de apenas três anos, em Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre.

O pedido foi feito pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. O objetivo é apurar se o missionário religioso já foi investigado por crimes anteriores nos Estados Unidos. A Polícia Federal deverá acionar a autoridade internacional. A defesa de Dandre não foi localizada pela reportagem até o momento.

O homem foi preso em flagrante, no dia 5 de julho, logo após o crime. Em depoimento à Polícia Civil, Dandre assumiu a autoria e alegou que teria agredido o menino após ele se recusar a lhe dar "bom dia". Ele afirmou ainda ter desferido socos no peito e no abdômen de Oliver, além de ter batido com a cabeça do menino contra o chão.

Suspeita sobre a mãe

Após ser espancado, Oliver Golden Grayson de 3 anos foi socorrido e chegou a ficar internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital em Porto Alegre, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na noite de quarta-feira, 8.

A mãe de Oliver, Mayanna Angelina Rodgers, foi presa preventivamente na quinta-feira, 9. Em depoimento, Dandre disse que, no momento das agressões, ela estaria em outro cômodo e não teria presenciado o crime.

A Polícia Civil apura eventual participação direta dela no crime. Os investigadores buscam esclarecer, por meio de perícia, se a mãe também praticou agressões contra o menino.

A defesa de Mayanna afirmou, em nota, que colabora com as autoridades e permanece à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.

"Ela é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente, circunstâncias estas que merecem apuração cuidadosa e técnica, sem qualquer julgamento antecipado", afirmaram os advogados Isabel Cochlar, Juliana Braun Martins e André von Berg.

Dandre é missionário religioso e mora no Brasil há nove anos. Ele e Mayanna são pais de outras quatro crianças, que foram levadas para uma instituição de acolhimento.

Família sob investigação

O prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti (PSDB), afirmou que a gestão municipal já acompanhava a família desde 27 de novembro de 2025, após uma enfermeira de uma unidade de saúde identificar hematomas em Oliver. Segundo ele, desde então, as equipes realizaram reuniões presenciais com os pais e foram até a casa da família.

Bortoletti disse que uma nova visita à residência, que ocorreria sem a presença de Dandre, estava marcada para quinta-feira, quando seria tomada a decisão final sobre o acolhimento das crianças.

Para mim, nossa maior falha foi não entender a gravidade e a velocidade que precisava uma resposta do Estado. A gente colocou em risco. Eu, como prefeito, a polícia, todos nós falhamos. Uma criança de 3 anos jamais pode chegar a esse estágio. Não tiro minha obrigação de reorganizar o meu sistema de rede", avaliou.

No Paraná, câmera registra agressão

Em outro caso de violência infantil, desta vez em Francisco Beltrão, no interior do Paraná, a Polícia Civil investiga um homem flagrado por uma câmera de segurança chutando a filha de 3 anos no rosto enquanto caminhava com ela e o irmão. O caso ocorreu no domingo, dia 5, e as imagens mostram a criança caindo no chão após a agressão; uma testemunha tentou intervir, mas afirmou ter sido ameaçada.

Com a repercussão do vídeo, a mãe da menina registrou boletim de ocorrência contra o pai, que não teve a identidade divulgada. O homem foi ouvido na quarta-feira, dia 8, e, segundo a polícia, confirmou a agressão, alegando que teria reagido ao choro da criança e dizendo não se lembrar completamente dos fatos; ele foi liberado após o depoimento.

A investigação é conduzida pela 19ª Subdivisão Policial de Francisco Beltrão e pela Delegacia da Mulher. Segundo os delegados Anderson Andrei Grosso e Ricardo Moraes, a prioridade inicial foi garantir o bem-estar da criança, com pedido de medida protetiva de urgência para as crianças e para a mãe, requisição de exame de lesão corporal na menina e acionamento do Conselho Tutelar.

Além do episódio registrado em vídeo, o homem também é suspeito de agressões anteriores contra o enteado, um menino de 5 anos, que teria sido atingido no rosto com um cinto ou pedaço de madeira e ainda apresentaria marcas incluídas no inquérito. De acordo com a polícia, esse contexto foi encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário, que expediu mandado de prisão. A prisão preventiva foi solicitada porque não foi possível prendê-lo em flagrante. A reportagem não localizou a defesa do suspeito.

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