Por mais petróleo, EUA aliviam sanções contra a Venezuela em meio à guerra
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São Paulo - Empresas americanas poderão negociar com a estatal venezuelana de petróleo e gás após o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos flexibilizar hoje as sanções, com algumas limitações, enquanto o governo Trump busca maneiras de aumentar a oferta mundial de petróleo durante a guerra com o Irã.
O Tesouro emitiu ampla autorização permitindo que a Petróleos de Venezuela S.A., ou PDVSA, venda petróleo venezuelano diretamente para empresas americanas e em mercados globais, uma mudança drástica depois de Washington ter bloqueado, durante anos, as negociações com o governo da Venezuela e seu setor petrolífero.
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Em outra medida, a Casa Branca informou que Trump suspenderá, por 60 dias, as exigências da Lei Jones. Ela determina que mercadorias transportadas entre portos americanos sejam feitas em navios de bandeira americana.
A lei da década de 1920, criada para proteger o setor naval americano, é frequentemente apontada como responsável pelo aumento do preço da gasolina.
Custo de vida e eleições
As medidas destacam a crescente pressão que o governo republicano está sofrendo para aliviar a disparada dos preços do petróleo, enquanto os EUA, juntamente com Israel, travam uma guerra com o Irã sem previsão de término.
Os preços globais do petróleo dispararam desde que o Irã interrompeu o tráfego pelo Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa um quinto do petróleo mundial, vindo do Golfo Pérsico para consumidores em todo o mundo.
Mesmo antes disso, os eleitores nos EUA já estavam preocupados com o aumento do custo de vida, e os preços dos combustíveis agora aumentam as preocupações dos republicanos às vésperas da temporada eleitoral, com o controle do Congresso em jogo em novembro.
Não é provável que haja muito impacto nos preços da gasolina nos EUA no curto prazo, disse Geoff Ramsey, especialista em América Latina do think tank Atlantic Council. "Estamos falando de 12 a 18 meses antes de vermos mudanças drásticas na produção venezuelana", explicou Ramsey.
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo e as utilizou para impulsionar o que já foi a economia mais forte da América Latina.
Ministro diz que governo do Irã continua
O assassinato de Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, por Israel, não representará um golpe fatal para a liderança iraniana, afirmou o ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi.
Em entrevista à Al Jazeera, ele disse que os Estados Unidos e Israel ainda não perceberam que o governo do Irã não depende de um único indivíduo e que o sistema político no Irã é uma estrutura muito sólida.
Em paralelo, o Teerã seguiu com ameaças e ações a alvos em países no Golfo. A cidade industrial de Ras Laffan, no Catar, que abriga um importante centro de gás natural liquefeito (GNL), foi alvo de ataques com mísseis que provocaram incêndios e danos extensos, segundo a QatarEnergy, empresa estatal de petróleo do Catar.
Um ataque com mísseis iranianos causou sérios danos à ponte que liga a Arábia Saudita ao Bahrein, bem como à refinaria GNL deste último país, informou a agência de notícias Fars.
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