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Por que o petróleo da Venezuela está na mira do presidente dos EUA?

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Bomba de extração de petróleo em terra: Venezuela possui grandes reservas, mas extrai pouco o que atrai interesse de petroleitas - Envato
Bomba de extração de petróleo em terra: Venezuela possui grandes reservas, mas extrai pouco o que atrai interesse de petroleitas
Por Broadcast

12/01/2026 | 13h43

São Paulo, 12/01/2026 - As declarações do presidente Donald Trump, afirmando que os Estados Unidos vão extrair e vender petróleo venezuelano por anos, reacenderam o debate sobre os interesses do país e de empresas estrangeiras na região. “Vamos usar petróleo e vamos extrair petróleo. Vamos reduzir os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela”, disse Trump em entrevista ao The New York Times.

Leia também: Por que o petróleo é tão valioso? Entenda onde recurso é utilizado

A fala veio depois da captura do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, e levantou hipóteses sobre uma tentativa de usar as empresas para reavivar a produção na região, hoje estagnada. Segundo especialistas, a ação também visa o controle do fluxo de receita gerada pela venda de petróleo. Mais do que isso: os Estados Unidos poderão ter forte influência, e até mesmo algum tipo de controle, sobre os preços internacionais do produto.

Frota fantasma

Hoje, a China é o maior comprador do petróleo venezuelano, representando 45% do total exportado pelo país sul-americano. Mas a ditadura chavista também usa uma rede de navios ilegais, conhecida como frota fantasma, que leva o petróleo venezuelano para países como a Rússia, em violação às sanções internacionais impostas ao regime de Caracas. Segundo Washington, essas embarcações integram redes usadas pela ditadura de Nicolás Maduro para escoar petróleo no mercado internacional, apesar das restrições, muitas vezes com mudanças de bandeira, desligamento de sistemas de rastreamento e transferências de carga em alto-mar.

Desde a lei dos hidrocarbonetos, promulgada em 2001 por Hugo Chávez, todo o petróleo presente no território venezuelano é de posse do Estado. Em decretos posteriores, tornou-se obrigatória a participação majoritária (mais de 50%) da estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) em todos os projetos de extração. Com isso, diversas petroleiras estrangeiras como Chevron, Repsol, Eni, Maurel & Prom, Shell e BP mantém participações apenas minoritárias em projetos.

Mais empresas estrangeiras vão extrair petróleo da Venezuela?

À primeira vista, as declarações de Trump parecem pavimentar o caminho para uma entrada acelerada de perfuradoras estrangeiras na Venezuela. Contudo, é consenso entre os especialistas entrevistados que a incerteza é o sentimento de momento.

Para Scott Zimmerman, gerente de projetos do Global Oil and Gas Extraction Tracker na Global Energy Monitor, projetos em países vizinhos mostram que as grandes empresas petrolíferas estão interessadas na região.

Parte do interesse estrangeiro reside no contraste entre o que a Venezuela possui de reservas de óleo bruto e o que é capaz de extrair.

Muitas reservas, pouca extração

Membro fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), ainda nos anos 1960, a Venezuela é reconhecida por diversas fontes como a detentora das maiores reservas absolutas de petróleo.

O país figura à frente de nações como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, que são alguns dos maiores exportadores do mundo. Mesmo sendo a maior reserva, tem registrado níveis cada vez menores de extração do óleo bruto de petróleo.

Em 2024, ficou na oitava posição entre os maiores produtores da Opep, atrás da Líbia. O Brasil registrou produção maior que o país vizinho no mesmo ano.

Preços baixos

Paulo Velasco, cientista político e professor na UERJ, afirma que, como os índices de produção atuais são os mais baixos dos últimos 40 anos, gigantes da extração de petróleo podem estar interessadas no lucro potencial com a retomada deste setor.

Leia também: Trump diz que EUA serão um dos principais beneficiários do petróleo venezuelano

O professor destaca o exemplo da americana Chevron, que pode motivar mais investimentos estrangeiros na Venezuela. Segundo ele, a perfuradora investiu fortemente em tecnologia, conseguindo reduzir o sucateamento de suas máquinas e obter maiores níveis de extração.

Risco elevado

Contudo, lembra que os EUA foram parte importante da estruturação da indústria petroleira venezuelana e viram a produção ser nacionalizada no passado. “Então, claro, qualquer empresa externa percebe que, em primeiro lugar, o fator risco é elevado”, resume.

María Isabel Riera, cientista política venezuelana e professora no Valencia College da Flórida, afirma que as petroleiras parecem estar considerando mais detalhes antes de “embarcar na aventura” de participar na reabilitação da indústria local.

Além disso, Riera destaca que o custo de atualização da infraestrutura venezuelana é só parte dos problemas da PDVSA:

“Os melhores técnicos, aqueles que realmente controlavam a indústria, se foram. Então, há uma questão de capital humano, de deficiências tecnológicas e de infraestrutura” 

(Por Cindy Damasceno, Lucas Keske e Carolina Marins)

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