Vale diz que houve extravasamento de água em mina em Ouro Preto
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Por Redação Viva
redacao@viva.com.brSão Paulo, 25/01/2026 - Sete anos depois do desastre de Brumadinho, em Minas Gerais, a Vale se viu em mais um incidente em uma mina em Minas Gerais. Na madrugada deste domingo, segundo a mineradora, houve extravasamento de água com sedimentos de uma cava da mina de Fábrica, localizada em Ouro Preto. Mais cedo, chegaram a circular informações sobre um suposto rompimento de dique da Vale entre Congonhas e Ouro Preto.
A empresa informou que o fluxo alcançou algumas áreas de uma empresa na região e que pessoas e a comunidade não foram afetadas. "Como é praxe nessas situações, a Vale já comunicou os órgãos competentes e prioriza a proteção das pessoas, comunidades e meio ambiente. As causas do extravasamento de água estão sendo apuradas", diz a Vale, por meio de nota.
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A Vale reforçou, ainda, que o ocorrido não tem qualquer relação com as barragens da empresa na região, que seguem "sem alterações nas suas condições de estabilidade e segurança e monitoradas 24 horas por dia, 7 dias por semana."
Brumadinho: consequências maiores
Um estudo realizado pelo Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens (Nucab) mostrou que as consequências ambientais com o rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho, da Vale, são maiores do que se pensava. Os rejeitos alcançaram uma área de ao menos 2,4 mil hectares com as enchentes que atingiram municípios da região em 2020 e 2022.
"Os resultados fornecem evidências que apoiam a remobilização e redistribuição de rejeitos, com implicações diretas para a gestão de riscos ambientais e monitoramento a longo prazo", diz o documento.
Segundo o estudo, a enchente de 2022 resultou em um aumento de 119,1% nos impactos medidos pelos índices minerais. "A principal contribuição teórica deste estudo foi a quantificação do fenômeno denominado Dano Contínuo Subsequente, demonstrando que eventos hidrológicos extremos transportam contaminantes e expandem ativamente as consequências do desastre original."
A análise ficou restrita à região do médio Paraopeba, que abrange dez municípios e é onde atua o Nacab.
"Este estudo avança o conhecimento científico ao demonstrar quantitativamente que os efeitos a longo prazo de desastres de mineração podem ser significativamente ampliados pela interação com eventos hidrológicos, estabelecendo um ciclo de dano persistente que se estende muito além da área e do tempo do evento inicial", diz o documento.
O rompimento da barragem em Brumadinho completa hoje sete anos e causou a morte de 272 pessoas. O acontecimento, que provocou o vazamento de mais de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro pela bacia do Rio Paraopeba, afetou 24 mil pessoas.
Em nota à imprensa, a Vale informa que, após as enchentes de 2022, empresas especializadas fizeram mais de 2.000 análises em cerca de 100 amostras coletadas na bacia do rio Paraopeba. A conclusão foi de que os sedimentos não apresentavam semelhança com os rejeitos.
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