Confira seleções que boicotaram ou desistiram de uma Copa do Mundo
Fauzan Saari/Unsplash
São Paulo - A quarta-feira começou movimentada com a confirmação, por parte do governo do Irã, de que a seleção de seu país não vai estar presente na Copa do Mundo deste ano sob a alegação de que o contexto de guerra no Oriente Médio inviabiliza a participação do Irã no torneio de seleções. Este cenário, no entanto, está longe de ser incomum e já ocorreu a partir do primeiro Mundial, realizado no longínquo ano de 1930, no Uruguai.
Apenas quatro seleções europeias marcaram presença na competição. França, Bélgica, Romênia e Iugoslávia representaram o velho continente enquanto sete nações da América do Sul entraram na disputa. Estados Unidos e México completaram a lista de participantes. Assim, o Mundial do Uruguai teve o país anfitrião como campeão em uma decisão disputada contra a Argentina, numa das raras finais entre sul-americanos.
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Boicote uruguaio em 1934
O "desprezo", ou falta de interesse em atravessar o oceano por parte dos europeus trouxe consequências quatro anos depois. Campeões da primeira edição, os uruguaios se recusaram a defender o título em 1934, na Itália, como forma de boicote aos europeus.
Rivalidade entre continentes em 1938
A questão aflorou a rivalidade entre sul-americanos e europeus com a decisão da Fifa de realizar a Copa na França ao invés de manter o rodízio de sedes entre os continentes. Argentinos e uruguaios desistiram de competir e tiveram a adesão de outros vizinhos da América do Sul. O Brasil, no entanto, não seguiu essa tendência e terminou em terceiro lugar no Mundial de 1938.
Considerada por muitos como o berço do futebol, a Inglaterra também entra nesse contexto, assim como os países da Grã-Bretanha. Essas seleções, que inicialmente não valorizavam este torneio de seleções, só passaram a participar das edições de Copa a partir de 1950, quando o Mundial foi sediado no Brasil.
Protestos argentinos em 1950
Por conta da logística, França, Portugal, Irlanda e Turquia abriram mão de deixar a Europa por causa do alto custo das longas viagens. Mas o boicote também veio por parte dos hermanos. Após o cancelamento das Copas de 1942 e 1946 por causa da Guerra, a Argentina se achava no direito de sediar a competição em 1950. A escolha do Brasil gerou protestos da AFA (Associação de Futebol Argentina) que decidiu não participar.
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Protesto africano em 1966
Outra edição que teve um cenário conturbado neste sentido foi em 1966, quando 16 seleções africanas deram início a um protesto contra a Fifa reivindicando uma vaga direta sem ter de disputar uma eliminatória com representantes de um outro continente. A pressão deu resultado e, quatro anos depois, no México, o Mundial passou a dar uma vaga direta para a África e também para a Ásia.
Desistência do Irã em 1986
Pulando para os anos 80, o próprio Irã voltou a ser personagem de uma desistência. No auge da guerra Irã-Iraque, a Fifa determinou que os dois países não poderiam exercer o mando de campo em casa por questões de segurança. Ao contrário do Iraque, que aceitou jogar como mandante em países como o Kwait e a Arábia Saudita, os iranianos não "digeriram" a regra da entidade que comanda o futebol e ficaram de fora da Copa do Mundo do México, em 1986.
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