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Cidadania e Direitos / Política

Augusto Cury descarta reforma da Previdência e propõe mínimo acima da inflação

Reprodução/TV Globo

Candidato do Avante defendeu aumento da produtividade para enfrentar déficit - Reprodução/TV Globo
Candidato do Avante defendeu aumento da produtividade para enfrentar déficit
Por Broadcast

30/08/2026 | 10h37

São Paulo - O candidato à Presidência pelo partido Avante, Augusto Cury, afirmou que não é favorável a uma nova Reforma da Previdência "em hipótese alguma". Para enfrentar o déficit previdenciário, defendeu o aumento da produtividade das empresas, com uso de inteligência artificial e robótica, além do estímulo ao empreendedorismo. Em sabatina promovida pela TV Globo na noite deste sábado, 29, o candidato apontou que uma nova reforma penalizaria pessoas próximas da aposentadoria.

Ele disse também que pretende reajustar o salário mínimo pela inflação e mais 1% ao ano, caso seja eleito. Cury disse que a política de valorização do salário mínimo seria necessária para fortalecer a classe média. Segundo o candidato, o ganho real poderia resultar em uma alta acumulada de 50% a 60% ao longo de quatro anos.

"Se controlarmos as contas públicas e formos mais responsáveis, certamente vai haver espaço para você ter, pelo menos, 1% ao ano a mais do que a inflação", disse o candidato. Nos próximos oito a dez anos, o candidato enxerga que o salário mínimo brasileiro pode alcançar US$ 300.

Taxação de bets

Sobre as bets, Cury afirmou que uma taxação de 52% seria "razoável". Segundo ele, o aumento da tributação das empresas de apostas ajudaria o governo a reforçar o caixa e contribuiria para o ajuste das contas públicas.

Cury afirmou que as bets pagam atualmente cerca de 12% de impostos e defendeu uma elevação de 40 pontos porcentuais. Segundo o candidato, as apostas movimentam entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões por mês e o aumento da tributação poderia gerar cerca de R$ 120 bilhões adicionais para o governo.

Reforma administrativa

Caso eleito, o candidato diz que pretende cortar de oito a dez ministérios, como forma de enxugar e modernizar a máquina pública. Cury disse que a definição das pastas que seriam eliminadas dependerá de uma "análise criteriosa". Segundo o candidato, a estimativa de corte foi definida após uma avaliação com um grupo de pessoas sobre a possibilidade de fundir ministérios e otimizar gastos.

Por outro lado, Cury afirmou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública caso seja eleito. Segundo ele, o ex-governador de Goiás e também candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), seria convidado para comandar a pasta.

O candidato afirmou também que dividiria o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em duas instituições, uma voltada a grandes empresas e outra para microempresas. A proposta, segundo ele, ajudaria a financiar 10 milhões de microempresas no País.

Telemedicina

O candidato do Avante negou ter vínculo atual com uma empresa de telemedicina da qual já foi sócio. Durante a sabatina, ele disse que não é mais embaixador do programa da companhia. Questionado sobre eventual conflito de interesse ao propor a ampliação da telemedicina no Sistema Único de Saúde (SUS), Cury disse que sua experiência com a empresa lhe permite afirmar que o modelo pode ser aplicado de forma "barata" e "eficiente".

Cury afirmou que uma telemedicina estruturada pelo governo poderia resolver 80% dos casos de atendimento no SUS. Segundo ele, o serviço teria médicos disponíveis 24 horas por dia e uso de inteligência artificial. Questionado sobre a compatibilidade da proposta com as regras do Conselho Federal de Medicina (CFM), que preservam a assistência presencial, Cury disse que o órgão "precisa ser atualizado" diante do avanço tecnológico.

 (Por Aramis Merki II)

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