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Eleições 2026

De Floriano Peixoto a Michel Temer: os vices que viraram presidente

Oito vices já se tornaram presidentes. Longe de ser um detalhe, o cargo deve levar o eleitor a avaliar com atenção quem integra a chapa eleitoral

Marcel Naves

Por Marcel Naves

25/10/2026 | 10h40

Flickr/Marcos Muniz

O papel principal do vice-presidente é substituir o titular em caso de vacância do cargo - Flickr/Marcos Muniz
O papel principal do vice-presidente é substituir o titular em caso de vacância do cargo
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O cargo de vice-presidente no Brasil, frequentemente subestimado, já levou oito vezes o 'número dois' à presidência, destacando sua importância na política nacional. Essa função não é apenas simbólica, pois o vice pode assumir o cargo em caso de vacância e desempenhar papéis significativos na articulação política.

Históricos de vices que se tornaram presidentes, como José Sarney e Michel Temer, demonstram como esses líderes influenciaram momentos críticos da história do Brasil, desde a transição para a democracia até reformas econômicas. A trajetória desses vices revela a relevância do cargo em tempos de crise e mudança.

Especialistas recomendam que os eleitores analisem a experiência e a atuação dos candidatos a vice-presidente, pois sua capacidade de assumir a liderança pode ser crucial. A conscientização sobre o papel do vice é essencial para uma escolha informada nas eleições.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Quando o eleitor entra na cabine de votação e digita o número do seu candidato a presidente, a foto do titular aparece em destaque. O vice, na maioria das vezes, surge bem pequeno e logo abaixo, quase como um detalhe.

Mas a história política do Brasil mostra que o cargo de vice-presidente da República está longe de ser apenas um detalhe. Em mais de um século de República, a cadeira principal do Palácio do Planalto já foi parar nos braços do “número dois” nada menos do que oito vezes.

A importância do cargo

O advogado graduado em Gestão Pública e representante  da  Comissão de Cidadania e Formação Política da OAB/SP, Walter Paiva Ciglioni  reconhece que o cargo de vice-presidente da República possui importância muito maior do que muitas vezes se percebe durante uma campanha. Ciglioni lembra que a Constituição Federal estabelece que o vice-presidente pode substituir o presidente e assumir definitivamente o cargo em caso de vacância.

O advogado, que foi candidato ao governo do Estado de  São Paulo em 2014 , lembra que o vice-presidente pode desempenhar funções de articulação política, representação institucional e participação em missões estratégicas, conforme as atribuições que lhe sejam conferida.

A Vice-Presidência representa uma peça importante na estrutura do Poder Executivo e no funcionamento das instituições republicanas.
Walter Paiva Ciglioni, membro da  Comissão de Cidadania e Formação Política da OAB/SP

O início da tradição: de Deodoro a Jânio

Entre tragédias, renúncias dramáticas e tempestades políticas, esses personagens políticos  deixaram os bastidores para conduzir o País em alguns dos seus momentos mais marcantes.

  • Floriano Peixoto (1891) - Assume com a saída do marechal Deodoro da Fonseca, que havia se desentendido com o Congresso.
  • Nilo Peçanha (1909) -  Toma posse após o falecimento do presidente Afonso Pena, criando as primeiras escolas técnicas do País.
  • Delfim Moreira (1918) - Foi empossado após a morte do presidente eleito, Rodrigues Alves, vítima da gripe espanhola.
  • Café Filho (1954) - Ocupou a presidência após o suicídio de Getúlio Vargas no Palácio do Catete.
  • João Goulart  (1961) - Assumiu com a renúncia de Jânio Quadros, governando até o golpe de 1964.

De Sarney a Temer: memórias que você  50+ viveu

Os três últimos vices que assumiram a presidência certamente fazem parte da  lembrança de quem tem mais de 50 anos.

José Sarney e a agonia de 1985

Quem viveu o início de 1985 jamais esquece a comoção nacional com a internação de Tancredo Neves na véspera da posse. A transição da ditadura para a democracia estava nos ombros de Tancredo, mas com a sua morte em 21 de abril, foi José Sarney quem subiu a rampa do Palácio do Planalto. Sarney herdou um País em hiperinflação e uma missão hercúlea: conduzir a convocação da Assembleia Nacional Constituinte, que nos deu a “Constituição Cidadã” de 1988.

O topete e o Fusca de Itamar Franco

Em 1992, o jovem e atlético Fernando Collor de Mello sofreu o impeachment em meio a escândalos de corrupção. A faixa presidencial foi parar no peito do discreto mineiro Itamar Franco. Com seu clássico topete, seu amor pelo retorno do Fusca e seu jeito desconfiado, Itamar tomou a decisão que mudou o bolso de todos os brasileiros: bancou a criação do Plano Real, chefiado pelo então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso.

Michel Temer e a carta desabafo

Em 2016, após meses de crise institucional e o impeachment de Dilma Rousseff, assumiu o advogado constitucionalista Michel Temer. Meses antes, ele havia enviado uma carta à presidente dizendo se sentir um "vice decorativo". A ironia da história fez com que o antigo aliado conduzisse o governo até 2018, aprovando reformas profundas, como a reforma trabalhista e a instituição do teto de gastos.

Em que o eleitor deve ficar atento

Walter Ciglioni considera que existem aspectos fundamentais que merecem ser examinados, a começar pela trajetória pública e profissional do candidato a vice-presidente. Conhecer sua experiência, suas responsabilidades anteriores e sua atuação na sociedade ajuda o eleitor a compreender quem está integrando a chapa presidencial.

O cidadão deve ter condições de conhecer não apenas o candidato à Presidência, mas também aquele que poderá substituí-lo ou sucedê-lo.
Walter Paiva Ciglioni

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