Pix é destaque em planos de governo de três candidatos à Presidência
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Brasília - O Pix ganhou menção direta nos planos de governo de três dos seis principais candidatos à Presidência da República: Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Embora citado com frequência pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em discursos e publicações nas redes sociais nos últimos meses, o sistema de pagamentos não recebeu menção explícita no plano apresentado pelo candidato à reeleição.
O levantamento feito pela Broadcast considerou os pleiteantes mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto e que integram partidos com representação no Congresso.
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Símbolo nacional
A infraestrutura criada pelo Banco Central em 2020 já havia permeado o debate político em 2022. Na época, o foco eram fakes news que afirmavam que, se eleito, Lula taxaria o meio de pagamentos. Quatro anos depois, o Pix retorna à pauta política como símbolo nacional no meio de uma disputa de narrativas, depois virar alvo dos Estados Unidos.
O sistema de pagamentos está na mira do governo americano desde 2025. No meio deste ano, porém, as críticas ganharam um novo peso, quando o sistema foi mencionado em relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre as importações de alguns produtos brasileiros.
A autoridade americana acusou o Brasil de estar favorecendo o Pix em detrimento de empresas dos Estados Unidos que atuam em serviços de pagamento eletrônico.
A estratégia de cada campanha
Lula e aliados apontaram uma articulação feita em solo americano pela família Bolsonaro como a responsável pela taxação e os acusaram de traidores do País. O presidente chegou a dizer que a família queria ceder o Pix aos Estados Unidos e afirmou que não permitiria que isso acontecesse.
"É uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele", declarou o presidente no início de julho, no X. Dias depois, um card compartilhado pelo perfil de Lula nas redes sociais afirmou que o Pix seguiria público e gratuito. Na legenda, trouxe a mensagem de que "nossa soberania não se negocia".
Apesar da presença em discursos do presidente nos últimos meses, o meio de pagamentos não ganhou menção explícita no plano apresentado pelo petista à Justiça Eleitoral. O documento, contudo, faz referências ao tarifaço imposto pelos EUA e a defesa da soberania digital do País.
"Garantiremos a soberania digital para que o Brasil e os brasileiros tenham capacidade de desenvolver, operar, regular e governar tecnologias estratégicas e as infraestruturas críticas das quais dependem a economia, os serviços públicos, a ciência, a defesa e a democracia", diz. "Reforçaremos a defesa cibernética, protegendo infraestruturas críticas e bases de dados governamentais, desenvolvendo tecnologias próprias e reduzindo a dependência externa em áreas estratégicas."
Planos da oposição
A menção ao Pix como símbolo nacional não está restrita a Lula. Em carta enviada aos EUA pedindo a suspensão do tarifaço, no início de julho, o senador Flávio Bolsonaro descreveu o sistema como uma infraestrutura pública de pagamentos "soberana" e o reivindicou como uma das marcas da gestão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A abordagem é enfatizada pelo plano de governo do candidato. "Foi ali que nasceu o PIX, que tirou do brasileiro mais pobre o peso das tarifas bancárias", diz o texto, em trecho destinado a celebrar o governo do ex-presidente.
Zema e Caiado
O plano do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema menciona o Pix entre os atrativos do País para investimentos, ao lado da matriz energética e das terras raras. "Somos um país neutro e confiável em meio à disputa entre Estados Unidos e China. Temos um mercado de 200 milhões de consumidores conectados, que adotou o Pix mais rapidamente do que quase qualquer país adotou qualquer inovação."
Já o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado é o único do grupo a incluir o Pix em suas propostas de governo: "Transformar Pix, Gov.br, Open Finance e outras soluções brasileiras em instrumentos de cooperação e exportação".
O documento de Caiado também menciona a infraestrutura em uma parte destinada a um dos lemas de sua campanha: "O mesmo País que fez o avião, o agronegócio, o pré-sal, o etanol e o PIX pode ir muito além. Vamos transformar ciência, energia, dados e talento em soberania, produtividade e empregos, para que o Brasil seja produtor, e não apenas consumidor, da tecnologia do século XXI".
Os planos de governo entregues pelos candidatos Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) não fazem menção direta ao termo "Pix".
(Por Marianna Gualter)
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