35% das mulheres que ganham até um salário mínimo nunca realizaram autoexame
Entre mulheres com renda acima de cinco salários, percentual de quem nunca fez autoexame ou mamografia cai para 6%, mostra pesquisa A.C.Camargo/Nexus
Por Bianca Bibiano
17/10/2026 | 10h21Adobe Stock
Mais de um terço das mulheres brasileiras com renda familiar de até um salário mínimo nunca realizou autoexame ou mamografia, evidenciando uma disparidade significativa na conscientização sobre a prevenção do câncer de mama em relação à renda.
A pesquisa revelou que apenas 49% das mulheres com renda de até um salário mínimo conhecem as formas de prevenção, enquanto esse número sobe para 79% entre aquelas com renda superior a cinco salários mínimos.
A diferença no conhecimento sobre prevenção entre usuárias do SUS e do setor privado é de 13 pontos percentuais, destacando a necessidade de melhorar o acesso à informação e aos exames, especialmente para as mulheres de menor renda.
São Paulo - Mais de um terço das brasileiras com renda familiar de até um salário mínimo afirma nunca ter realizado o autoexame das mamas ou a mamografia. O índice cai para 31% na faixa de um a dois salários mínimos, atinge 20% entre dois e cinco salários e chega a 6% entre as mulheres com renda superior a cinco salários mínimos.
É o que mostram dados de um novo levantamento do A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, que entrevistou 1.038 mulheres em todas as regiões do País e relaciona nível de renda e conhecimento sobre prevenção.
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O conhecimento sobre as formas de prevenção ao câncer de mama também varia conforme a renda. Na faixa de até um salário mínimo, 49% dizem conhecer essas formas, enquanto 38% afirmam desconhecê-las. Entre as mulheres com renda superior a cinco salários mínimos, os percentuais são de 79% e 12%, respectivamente.
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A realização de mamografia é relatada por 48% das mulheres com renda de até um salário mínimo, frente a 69% daquelas com renda acima de cinco salários mínimos. Para o autoexame, os percentuais são de 51% e 88%.
Prevenção contra câncer aumenta com idade
Apesar de os dados da pesquisa mostrarem uma grande lacuna de informação, o recorte da faixa etária das pesquisadas mostra que o desconhecimento sobre as formas de prevenção e diagnóstico precoce cai drasticamente entre mulheres acima de 41 anos de idade.
Nesse grupo, apenas 9% disseram nunca ter feito nem autoexame nem mamografia. Entre as pesquisadas acima de 60 anos de idade, o percentual foi de 11%. Já entre as mais jovens, de 25 a 40 anos de idade, a parcela cresce para 41%.
No Brasil, o exame de mamografia é oficialmente indicado dos 50 aos 74 anos de idade, mas é recomendado pela maioria dos médicos a partir dos 40. Já o autoexame não tem restrição etária e pode ser feito em casa.
Diferenças entre SUS e atendimento privado
A desinformação sobre câncer de mama também varia ao considerar o sistema de saúde mais utilizado. Entre as usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS), 56% afirmam conhecer as formas de prevenção da doença, enquanto no setor privado esse número chega a 69%.
Segundo a pesquisa, a diferença de 13 pontos percentuais agrava as barreiras de acesso ao diagnóstico, uma vez que a informação e a oferta do exame costumam caminhar juntas nos mesmos canais de atendimento.
"Informação é o que separa a mulher que se cuida da que não se cuida. Entre as que dizem conhecer as formas de prevenção, 80% já fizeram o autoexame. Entre as que não conhecem, 30%. E essa diferença não está distribuída por igual, ela é maior onde a renda é menor e onde o acesso à rede de diagnóstico é mais difícil”, afirmou em nota a mastologista Fabiana Makdissi, líder do Centro de Referência em Tumores da Mama do A.C.Camargo.
Prevenção e diagnóstico precoce são necessidades diferentes e igualmente importantes: uma está nos hábitos de vida, a outra na mamografia a partir dos 40 anos.
Fabiana Makdissi, médica
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