Câncer de mama: uso de IA reduz tempo entre suspeita e diagnóstico
Programa que combina uso de IA e análise médica de exames reduz em 75% o tempo entre a suspeita e a confirmação de câncer de mama, mostra levantamento
Por Bianca Bibiano
16/10/2026 | 16h00Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O Brasil deve registrar 78,6 mil novos casos de câncer de mama anualmente entre 2026 e 2028, com a doença representando cerca de 30% dos diagnósticos oncológicos femininos, especialmente na Região Sudeste.
O risco de câncer de mama aumenta com a idade, e a importância do rastreamento precoce é destacada, com iniciativas como o programa Navegar Alerta Rosa, que utiliza inteligência artificial para acelerar diagnósticos em até 75% dos casos.
O programa já analisou 2,5 milhões de laudos, beneficiando 1,2 milhões de pessoas, e especialistas ressaltam que diagnósticos mais rápidos podem melhorar as chances de tratamento e reduzir a ansiedade dos pacientes.
São Paulo - O Brasil deve registrar 78,6 mil novos casos de câncer de mama a cada ano no triênio 2026-2028, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer. Esse tipo de neoplasia segue como o de maior incidência na população feminina nacional, representando aproximadamente 30% de todos os diagnósticos oncológicos entre mulheres, e com maior concentração na Região Sudeste.
O risco aumenta com a idade devido, entre outros fatores, ao acúmulo de exposições ao longo da vida e às próprias alterações biológicas relacionadas ao envelhecimento. Nesse cenário, o rastreamento precoce assume especial importância.
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Um levantamento do grupo Hapvida, por exemplo, mostra que o uso de inteligência artificial e atuação humana na análise de dados das pacientes pode reduzir o tempo médio entre a suspeita e a confirmação do diagnóstico de câncer de mama em 75%.
A iniciativa faz parte de um programa da empresa chamado Navegar Alerta Rosa, que lê laudos de mamografia, ressonância magnética, ultrassonografia e identifica exames que indicam alteração suspeita e exigem biópsia. Se a análise inicial mostrar algum alerta, uma equipe de mastologistas, radiologistas, oncologistas, patologistas e enfermeiras acompanham o paciente do laudo até a confirmação.
Dados divulgados pelo programa mostram que, em 2026, 90% das pacientes identificadas tiveram o primeiro laudo classificado como suspeito para câncer de mama emitido no mesmo ano. Em dois anos de projeto, foram analisados 2,5 milhões de laudos, impactando 1,2 milhão de pacientes, considerando dados de pessoas no Ceará, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Alagoas e Sergipe.
“A redução do tempo para o diagnóstico tem impacto direto nas chances de sucesso terapêutico. Quanto mais rápido a paciente recebe a confirmação, mais cedo pode iniciar o tratamento adequado e evitar a progressão da doença. Também diminui de forma importante a ansiedade e a insegurança de quem investiga um câncer”, ressalta Ana Cristina Lessa, coordenadora nacional da radiologia mamária da Hapvida.
Segundo o gerente médico de IA da companhia, Fabiano Barcellos Filho, os dados não permitem quantificar o impacto em taxas de cura ou sobrevida, mas ressaltou em nota que há amplo consenso na oncologia de que o diagnóstico mais rápido e o tratamento oportuno levam a melhores desfechos.
Mecanismos de prevenção estão avançando
De acordo com o médico mastologista Rafael Pelorca, do Grupo São Lucas, o principal protocolo de prevenção do câncer de mama atualmente é focado na individualização do risco, no diagnóstico precoce por rastreamento adequado e na conscientização corporal.
É muito importante que a mulher faça acompanhamento e exames de rotina, principalmente a partir dos 40 anos, com seu médico de confiança, tenha autoconhecimento das mamas e priorize um estilo de vida que inclua alimentação saudável, prática de exercícios, redução no consumo de álcool e, quando necessário, terapia de reposição hormonal.
Rafael Pelorca, mastologista
O médico ressalta ainda que a abordagem preventiva passa por uma transição afetada pela medicina de precisão. Em vez de focar apenas no conceito de exames universais para toda a população, a medicina atual prioriza a estratificação de risco individual, integrando histórico familiar, características teciduais da mama e hábitos de vida, observa.
Pelorca diz também que recursos tecnológicos avançados, como a mamografia 3D, a ressonância magnética e os painéis de testagem genética já fazem parte da rotina clínica e auxiliam na definição do nível de vigilância necessário para cada perfil de paciente.
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