Mamografia tem queda entre mulheres 50+ mas cresce na faixa de 40 a 49 anos
Levantamento da FIDI revela queda de 20% em mamografias para mulheres acima de 50 anos, enquanto mulheres de 40 a 49 anos aumentam exames em 28,1%
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Mulheres acima de 50 anos estão reduzindo a realização de mamografias, enquanto o exame tem se tornado mais comum entre aquelas de 40 a 49 anos, conforme levantamento da FIDI. Essa mudança pode impactar negativamente a detecção precoce do câncer de mama em um grupo considerado prioritário para o rastreamento.
Entre janeiro e julho de 2024, houve um aumento de 28,1% nas mamografias para mulheres de 40 a 49 anos, mas uma queda superior a 20% foi observada na faixa de 50 a 69 anos, resultando em uma diminuição geral de 11% nos exames realizados.
O Ministério da Saúde tem promovido o acesso à mamografia para mulheres de 40 a 49 anos pelo SUS desde 2025, mas a adesão contínua é desafiada por fatores como medo e desinformação. A Dra. Vivian Milani destaca a importância da conscientização para garantir que as mulheres realizem os exames regularmente e assim aumentem as chances de diagnóstico precoce.
São Paulo - Mulheres com mais de 50 anos estão deixando de fazer mamografia, exame de prevenção do câncer de mama. Em contrapartida, a realização do exame entre mulheres de 40 e 49 anos tem crescido. Isso é o que mostra o levantamento exclusivo da Fundação Integrada de Diagnóstico, Pesquisa, Educação e Inovação em Saúde (FIDI).
Ao comparar os dados de janeiro a julho de 2024 com o mesmo período de 2026, a instituição identificou que a realização de mamografias cresceu 28,1% entre mulheres de 40 a 49 anos. No entanto, na faixa etária de 50 a 69 anos, grupo considerado prioritário para o rastreamento, o volume de exames sofreu uma queda superior a 20%.
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No mesmo intervalo comparativo, o total de mamografias analisadas pela FIDI caiu cerca de 11%. Quando analisada a variação mais recente, entre os sete primeiros meses de 2025 e de 2026, a queda no total de exames foi de 3,9%, passando de 99.670 para 95.768 procedimentos.
Para a Dra. Vivian Milani, médica radiologista especialista em mama da FIDI, a ampliação do diagnóstico precoce envolve mais do que a oferta de infraestrutura, exige conscientização constante.
A mamografia é um pilar indispensável para detectar alterações em fases iniciais, antes mesmo do surgimento de sintomas, o acompanhamento precisa ser contínuo, mesmo quando os resultados anteriores são normais”
Dra. Vivian Milani
Aumento dos exames diagnósticos
O levantamento da FIDI também indica uma mudança no perfil das solicitações. Entre janeiro e julho de 2026, o volume de mamografias diagnósticas superou em 5,1% o total registrado em todo o ano de 2025.
Diferente da mamografia de rastreamento, feita como rotina em pessoas sem sintomas, a modalidade diagnóstica destina-se a investigar alterações específicas percebidas pelo médico, relatadas pela paciente ou vistas em exames anteriores.
Segundo a médica, esse avanço pontual não reflete necessariamente uma alta nos casos da doença, mas sim um rigor maior na investigação de achados suspeitos.
A alta na adesão de mulheres entre 40 e 49 anos coincide com mudanças na rede pública. Desde 2025, o Ministério da Saúde garante o acesso à mamografia via Sistema Único de Saúde (SUS) para essa faixa etária mediante decisão compartilhada com o médico.
Já para o rastreamento populacional, a diretriz oficial orienta a realização do exame a cada dois anos entre 50 e 74 anos, período em que há evidências consolidadas de redução da mortalidade.
Quais os sinais de câncer de mama?
Os procedimentos de rotina continuam sendo a grande maioria, representando 97,2% de todas as mamografias avaliadas. A recomendação médica é que os sinais sejam investigados imediatamente, sem aguardar o prazo do próximo exame de rotina.
Os principais sinais são:
- nódulos endurecidos
- secreção sanguínea pelo mamilo
- retração da pele
- alterações no formato das mamas
- inflamações persistentes
- Desafios da adesão contínua
A Dra. Vivian pontua que fatores como o medo da dor da compressão, o receio do diagnóstico, mitos sobre a radiação e a falsa sensação de segurança pela ausência de sintomas ainda afastam muitas pacientes dos consultórios.
“Superar essas barreiras e disseminar informação precisa são passos essenciais para garantir que a prevenção acompanhe a mulher em todas as fases da vida”, conclui.
A manutenção dessa rotina é fundamental diante do impacto da doença no País. Projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam a ocorrência de 78.610 novos casos anuais de câncer de mama no Brasil entre 2026 e 2028, representando cerca de 30% de todos os tumores malignos diagnosticados em mulheres (exceto o de pele não melanoma).
A importância da regularidade também é respaldada pela literatura científica. Um estudo populacional publicado no British Medical Journal em 2025, que acompanhou mais de 432 mil mulheres por até 25 anos, demonstrou que faltar à primeira convocação para o rastreamento aumenta expressivamente o risco de abandono nas etapas seguintes, resultando em diagnósticos em estágios mais avançados e maior mortalidade.
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