Brasileiros 60+ são os mais satisfeitos com a vida, aponta pesquisa
Envato
São Paulo - No Brasil, envelhecer está se revelando, ao menos em termos de bem-estar, uma vantagem. Uma nova pesquisa, divulgada na última semana, mostra que 95% dos brasileiros com mais de 60 anos se consideram felizes. Esse é o maior índice entre todas as faixas etárias pesquisadas. Entre os jovens de 16 a 24 anos, o número cai para 81%, o menor da amostra.
Os dados fazem parte do Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026, conduzido pela pesquisadora da ciência da felicidade Renata Rivetti em parceria com o Instituto Ideia.
Leia também: IBGE: 41,2% das pessoas 60+ moram sozinhas; mulheres idosas são maioria
Segundo o levantamento, o principal determinante para o resultado positivo entre os mais velhos está nas redes de apoio mais sólidas, senso de pertencimento, espiritualidade e uma relação menos ansiosa com as redes sociais, conforme analisa Renata Rivetti:
O grupo 60+ se destaca como o mais feliz não por ter uma vida perfeita, mas pela forma como se relaciona com ela. Eles contam com redes de apoio mais sólidas, baseadas em vínculos duradouros e de confiança, o que fortalece o senso de pertencimento."
Ela observa ainda que esse grupo etário também vivencia uma maior liberdade e autonomia, com menor necessidade de validação externa, o que contribui para uma relação mais saudável com as redes sociais, sem tanta comparação .
"Além disso, a espiritualidade costuma ser mais presente, favorecendo o bem-estar. Como resultado, são pessoas menos estressadas, mais satisfeitas com a vida e mais engajadas em relações de colaboração e apoio ao próximo", complementa Rivetti.
Contraste geracional
A diferença entre as gerações aparece especialmente quando a pesquisa analisa o comportamento digital. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 77% comparam a própria vida com a de outras pessoas nas redes sociais. Entre os idosos, esse índice cai para 48,5%.
A infelicidade ao consumir conteúdo também é mais frequente entre os mais jovens: 71%, contra 39% entre os maiores de 60 anos. A sensação de dependência das telas segue a mesma lógica: 63,4% entre os jovens, 50% entre os idosos.
"Esse é um sinal importante de mudança. O jovem brasileiro está mais exposto à comparação constante e a pressões emocionais que não apareciam com a mesma intensidade em outras gerações", diz a pesquisadora.
Leia também: Pessoas acima de 60 anos de idade já são 16,6% dos brasileiros, diz IBGE
Você tem com quem contar?
Embora os dados da Pnad Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tenham demonstrado na última semana que o número de idosos brasileiros morando sozinho aumentou, a falta de rede de apoio parece afetar com mais força os jovens entrevistados no Mapa da Felicidade Real.
Considerando todas as faixas de idade, o Brasil tem 12% da população sem ninguém a quem recorrer num momento difícil. Entre jovens de 16 a 24 anos, esse índice chega a 21%.
Mas o isolamento não se distribui de forma homogênea. O recorte por gênero já traz uma inversão: são os homens que mais relatam não ter suporte social, 15%, contra 11% das mulheres. A escolaridade também aprofunda o contraste: entre pesquisados com ensino superior, 5% dizem não ter com quem contar, ante 18% entre quem tem só o fundamental.
Leia também: Emílio Moriguchi: Saúde não é ausência de doença, mas bem-estar e propósito
Nas classes D/E, o índice chega a 18%, contra 7% nas classes A/B. No Sul do Brasil, 16% estão sozinhos; no Norte, 9%. Já quem trabalha na escala 6x1 aparece com 16% sem suporte social, o dobro dos 8% entre quem trabalha no modelo 5x2. Entre pessoas sem religião, o isolamento chega a 16%, contra 11% entre católicos.
Quando analisados os dados de pessoas acima de 60 anos, 93,8% dizem ter rede de apoio, uma vantagem de 14,8 pontos porcentuais em relação às pessoas de 16 a 24 anos de idade.
A análise considerou 1.500 entrevistas telefônicas realizadas em todas as regiões do País entre 20 de fevereiro e 1º de março deste ano. A pesquisa tem margem de erro de 2,5 pontos porcentuais e 95% de confiança estatística.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
