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Emílio Moriguchi: Saúde não é ausência de doença, mas bem-estar e propósito

Sesc/Divulgação

Envelhecer bem é "sentir-se inserido na comunidade", diz especialista - Sesc/Divulgação
Envelhecer bem é "sentir-se inserido na comunidade", diz especialista
Por Bianca Bibiano

07/04/2026 | 17h26

São Paulo - Considerado um dos principais estudiosos do envelhecimento e da longevidade no Brasil, o médico geriatra Emílio Moriguchi defende que motivação e propósito de vida também são importantes para a saúde a longo prazo.

Em entrevista ao VIVA no Dia Mundial da Saúde, ele mencionou que alimentação e atividade física são essenciais, mas é preciso ter um olhar para o relacionamento com amigos, família e comunidade.

"O importante é envelhecer bem, com saúde e qualidade de vida, e principalmente envelhecer feliz. Se todos nós temos uma missão no mundo, é sermos felizes. O fundamental é que possamos envelhecer bem e sentir que estar vivo é bom. Isso envolve a questão da saúde, mas não é apenas ter pressão ou colesterol bons; é sentir-se inserido na comunidade, na família, com os amigos, interagir e ter motivação para a vida."

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Nesse sentido, o especialista destaca o conceito japonês de ikigai, que remete ao propósito de vida, e defende que "ter propósito é acordar todo dia de manhã com motivação para fazer alguma coisa boa".

A análise é embasada em mais de 30 anos de pesquisa empírica realizada por Moriguchi e um time de pesquisadores vinculados ao Projeto Veranópolis, cidade do Rio Grande do Sul que ganhou destaque mundial pela longevidade de seus habitantes.

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Após analisar os diversos fatores relacionados ao estudo dos hábitos, das relações sociais e da espiritualidade de idosos, Moriguchi reforça a necessidade de um cuidado integral:

Precisamos de saúde para poder realizar as coisas, e que isso seja dirigido por um propósito e uma motivação. O objetivo é estarmos sempre ativos e felizes, fazendo o que gostamos e rodeados de pessoas que queiram o nosso bem. É isso que torna o envelhecimento um processo de sucesso e felicidade."

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Para o médico, a definição tradicional de saúde precisa ser expandida. "Saúde, por conceito, não é a ausência de doenças, mas a sensação de bem-estar e de poder fazer as coisas que desejamos".

Ele diz que, ao longo dos anos de investigação em Veranópolis,  alimentação, atividade física e repouso adequado foram identificados como importantes para envelhecer bem, "mas quando a pessoa atinge os 90 ou 100 anos, o que realmente garante um envelhecimento com sucesso é a interação social", aponta.

Ter boas companhias e sentir-se motivado a fazer algo que goste ou que faça os outros felizes permite que a vida seja conduzida pela alegria de viver e de fazer o bem."

Lições das Zonas Azuis

As observações de Moriguchi em solo gaúcho dialogam com grandes estudos internacionais sobre longevidade. O médico destaca que o Projeto Veranópolis, iniciado em 1994, antecede o famoso conceito das Blue Zones (Zonas Azuis) e utiliza protocolos rigorosos, similares aos de estudos longitudinais da Universidade Harvard.

Ao visitar regiões como Okinawa (Japão), Sardenha (Itália), Icária (Grécia), Loma Linda (Estados Unidos) e a Península de Nicoya (Costa Rica), o pesquisador identificou padrões que superam as barreiras culturais e genéticas.

"Embora sejam povos e culturas completamente diferentes, há algo em comum: independente do tipo de comida ou da cultura alimentar, as famílias e os amigos comem juntos", afirma o geriatra.

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Segundo Moriguchi, a longevidade nessas regiões está ancorada em hábitos coletivos:

As refeições ocorrem em família e com amigos. A atividade física também é feita em grupo, como os grupos chamados Moai, em Okinawa, que são comunidades de apoio onde as pessoas realizam atividades juntas. As pessoas se reúnem nos finais de semana para cozinhar, jogar e realizar obras sociais coletivamente."

Para o especialista, o 'segredo' não reside em uma dieta específica, já que cada região possui a sua, seja baseada em milho, grãos, vegetais ou peixe, mas sim na atitude perante a vida e o autocuidado.

O que vejo em comum é a cultura de se cuidar, não comer em excesso e manter-se sempre ativo. São pessoas que sabem o valor do descanso, como a sesta no meio do dia, e de uma boa noite de sono. O segredo é não parar de fazer coisas boas."

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