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Infecção por mofo e fungos aumenta de risco por mudança climática, sabia?

Aumento das temperaturas, enchentes, secas e ciclones alteram a exposição aos fungos no ar e na água; especialista explica cuidados para o dia a dia

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

08/10/2026 | 08h08

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Exposição ao mofo costuma causar irritação e agravamento de alergias, mas pode ter consequências mais graves - AdobeStock
Exposição ao mofo costuma causar irritação e agravamento de alergias, mas pode ter consequências mais graves
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O aumento das temperaturas e eventos climáticos extremos, como enchentes e secas, elevam o risco de contaminação por fungos, impactando a saúde pública e exigindo vigilância constante.

A micologista Sarah Gonçalves Tavares alerta que a mudança climática favorece fungos mais tolerantes ao calor, aumentando a incidência de infecções, especialmente entre pessoas com condições de saúde comprometidas.

Medidas de prevenção incluem a eliminação de umidade em ambientes domésticos, cuidados na limpeza para grupos vulneráveis e o uso responsável de antifúngicos, com ênfase na avaliação médica para sintomas persistentes.

Resumo gerado por IA

São Paulo - O aumento das temperaturas e a ocorrência de eventos climáticos intensos, como enchentes, ciclones, secas e tempestades, tem levantado dúvidas sobre como as transformações no meio ambiente afetam a saúde, especialmente com a presença de mofo e esporos de fungos na água, no solo e no ar após dias de clima intenso.

De acordo com a micologista Sarah Gonçalves Tavares, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e representante brasileira no Comitê Europeu de Testes de Sensibilidade aos Antimicrobianos (EUCAST), o risco de contaminação por microrganismos aumenta com a potência das mudanças climáticas, e exige vigilância.

"A temperatura corporal humana funciona como uma barreira natural, já que muitos fungos ambientais não conseguem crescer bem a cerca de 37° Celcius. Contudo, em ambientes progressivamente mais quentes, pode ocorrer a seleção de fungos mais tolerantes ao calor. Isso torna plausível que algumas espécies antes limitadas pela temperatura tenham mais oportunidades de sobreviver no organismo", explica.

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Ela diz que em pessoas com boa saúde, por exemplo, a exposição ao mofo - que é uma colônia de fungos - costuma resultar em irritação ou no agravamento de alergias e da asma. Já as infecções graves preocupam sobretudo quando há imunossupressão, doença pulmonar ou ferimentos extensos.

Idade aumenta risco de contaminação por fungos?

Não, responde a especialista. Ela afirma que a idade deve ser considerada juntamente com o estado de saúde, pois a faixa etária isoladamente não é fator determinante para risco de infecção.

"Uma pessoa saudável com mais de 60 anos não tem, apenas por causa da idade, o mesmo risco de quem faz quimioterapia, recebeu um transplante ou usa medicamentos que reduzem a imunidade. Doença pulmonar crônica e internações prolongadas também alteram esse risco", pondera Tavares. A micologista abordou o tema no 58º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, que aconteceu em setembro, em Florianópolis (SC).

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Nos grupos mais vulneráveis, merecem atenção as contaminações como aspergilose pulmonar e a histoplasmose após exposições ambientais específicas e, em pacientes hospitalizados, as candidíases invasivas. Em casos de imunossupressão importante, outras micoses, como a criptococose e a mucormicose, também podem se manifestar.

Uso de fungicidas na agricultura também preocupa

Outra preocupação trazida pelas mudanças ambientais é a resistência aos tratamentos. Alguns fungicidas usados na agricultura atuam de forma semelhante aos antifúngicos azólicos empregados na medicina. Quando fungos ambientais como o Aspergillus fumigatus são expostos a esses produtos no campo, cepas resistentes podem ser selecionadas.

"Seus esporos se dispersam pelo ar e podem ser inalados por uma pessoa que nunca recebeu antifúngicos. Se ela desenvolver aspergilose, um medicamento normalmente utilizado no tratamento pode apresentar menor eficácia. Essa é uma razão para estudar a resistência em conjunto, nas amostras ambientais e nos pacientes, e para usar fungicidas e antifúngicos de modo responsável", ressalta a professora.

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Prevenção contra fungos: o que fazer dentro de casa

Para reduzir a exposição a fungos em casa, confira as dicas da especialista:

  • Elimine a umidade doméstica: Evite umidade persistente dentro de casa, corrija infiltrações e seque e limpe os ambientes afetados por enchentes.
  • Cuidados na limpeza: Pessoas imunossuprimidas ou com doença respiratória devem evitar participar da limpeza de locais com muito mofo e conversar com a equipe médica sobre atividades que geram muita poeira, como obras e o manuseio de terra ou de composto orgânico. Quando a limpeza for necessária, siga as orientações de proteção respiratória e da pele.
  • Atenção a ferimentos: Ferimentos decorrentes do contato com água de enchente ou com detritos merecem limpeza e avaliação médica, especialmente se piorarem.
  • Uso consciente de remédios: "Não há indicação de tomar antifúngicos preventivamente por conta própria", esclarece a especialista. Febre ou sintomas respiratórios persistentes em uma pessoa vulnerável justificam avaliação médica, com relato de possíveis exposições.

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