Longevidade em alta expõe riscos da desinformação; acompanhe o GERP.26
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São Paulo - O desejo de viver mais e melhor nunca esteve tão em evidência. Ao mesmo tempo, o tema da longevidade tem sido acompanhado por um aumento de desinformação, promessas sem comprovação científica e dúvidas até entre profissionais.
"Todo mundo quer viver bastante e quer viver bem, mas tem muita desinformação. Mesmo profissionais de saúde relacionados a esse tema muitas vezes têm dúvidas", afirma a geriatra Claudia Suemoto, diretora da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo (SBGG-SP).
Segundo a especialista, a busca por soluções rápidas para o envelhecimento saudável esbarra na falta de evidências e pode trazer riscos. "Ao aplicar terapias ou promessas não científicas, não só pode se entregar mentiras, mas colocar a vida das pessoas em risco."
Nesse contexto que o GERP.26 - congresso de geriatria e gerontologia da SBGG-SP, que começa esta semana na capital paulista, - propõe discutir os chamados limites da longevidade humana.
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Reunindo especialistas nacionais e internacionais para abordar desde fatores biológicos até questões sociais que impactam o envelhecimento, o evento vai reunir mais de dois mil convidados, entre médicos, fisoterapeutas, enfermeiros, técnicos e outros profissionais da saúde que atuam com geriatria e gerontologia.
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Evento multidisciplinar
Segundo Rosmary Arias, presidente da SBGG-SP, a geriatria é uma das áreas mais recentes da medicina e envolve um desafio grande de ser multidisciplinar, requerendo não apenas médicos, mas profissionais de diversas áreas que envolvem a gerontologia.
Eu vejo que ainda existe uma resistência dos pacientes idosos, ou até de suas famílias, em levar o paciente exclusivamente no geriatra. Muitas vezes, ele leva no cardiologista, no neurologista, endocrinologista, e vai virando aquela colcha de retalhos, que gera confusão em termos de prescrição médica. Já o geriatra tem essa visão de tentar uniformizar tudo".
A médica destaca que o congresso é uma oportunidade desses vários profissionais se reunirem em um ambiente de troca de informação e de atualização científica sobre melhores práticas.
"Isso inclui analisar o que influencia uma vida longa, como genética, ambiente e hábitos, além de discutir desigualdades que interferem diretamente na qualidade de vida da população idosa, especialmente no Brasil", afirma.
Interesse crescente
O aumento do interesse pelo tema também se reflete na adesão ao congresso. De acordo com Arias, o evento já soma mais de 2.200 inscritos, superando a edição anterior, realizada em 2024, indicando maior atenção ao tema do envelhecimento.
Além da longevidade, a programação inclui discussões como sobre cuidados paliativos, alimentação, demências, solidão e fatores de risco ao longo da vida. Para Suemoto, a diversidade de temas reflete a complexidade do envelhecimento e a necessidade de informação qualificada.
"É um tema que interessa a todos, mas ao mesmo tempo é permeado por falsas informações. Por isso, a atualização é mais importante do que nunca", completa.
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