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Movimentos antivacina põem em risco envelhecimento saudável, alerta Dalcomo

Diante dos surtos de sarampo e queda vacinal, pneumologista destaca que vacinação foi essencial para garantir avanço da expectativa de vida mundial

Emanuele Almeida

Por Emanuele Almeida

06/10/2026 | 15h43

Emanuele Almeida/VIVA

Para conter surtos de sarampo, Dalcomo sugere exigir carteira de vacinação de quem entra no Brasil - Emanuele Almeida/VIVA
Para conter surtos de sarampo, Dalcomo sugere exigir carteira de vacinação de quem entra no Brasil
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Mais de 19 milhões de crianças no mundo estão sem vacinação completa, o que ameaça a longevidade da população, alertou a pneumologista Margareth Dalcomo. O aumento de surtos de sarampo, como o recente em Nova York, evidencia os riscos associados à baixa cobertura vacinal.

No Brasil, embora o país mantenha o status de livre de sarampo, 42 casos foram registrados em 2026, principalmente em São Paulo, devido a transmissões isoladas. A resistência à vacinação, impulsionada por movimentos antivacina, pode comprometer esse cenário positivo.

Dalcomo sugere que o Brasil implemente a exigência de carteira de vacinação para estrangeiros que entram no País, uma medida que poderia ajudar a evitar surtos semelhantes. Além da vacinação, a especialista enfatiza a importância de políticas sociais que garantam dignidade e qualidade de vida para um envelhecimento saudável.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Apesar da evolução na cobertura vacinal nos últimos anos, ainda há mais de 19 milhões de crianças não vacinadas ou com a vacinação incompleta no mundo. Esse contexto influencia diretamente o envelhecimento populacional, como disse ao VIVA a médica pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, Margareth Dalcomo, durante o Seminário LIDE Saúde e Pesquisa Científica, que aconteceu nesta terça-feira, 6. 

"A longevidade está ameaçada por qualquer intervenção equivocada sobre a política de vacinação, seja de crianças e jovens, seja sobretudo daqueles com 60 e mais que hoje também são objeto de uma política de vacinação protetora muito grande", destaca a médica. 

A especialista reforça esse impacto frente ao retorno dos surtos de sarampo ao redor do mundo, impulsionado pela falta de cobertura vacinal, que, por sua vez, é fortalecida por movimentos antivacina. Um dos casos mais recentes foi a declaração, na segunda-feira, 5, de estado de emergência em Nova York devido a um surto de sarampo - a região registrou 108 casos até a última semana. 

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O Brasil ainda mantém o certificado de país livre da circulação endêmica (local) do sarampo. Os 42 casos, registrados principalmente no Estado de São Paulo em 2026, são decorrentes de transmissões isoladas e importadas. Porém, os movimentos contra a vacinação podem por esse cenário em risco. 

"Os movimentos antivacina, que considero criminosos - e eu não tenho nenhuma hesitação em usar esse adjetivo que parece tão forte -, comprometem e põem em risco esse envelhecimento saudável que é o que todos nós cientistas almejamos que a população tenha", alerta a pneumologista. 

Para escapar do risco de algo semelhante ao de Nova York no Brasil, Dalcomo sugere que o Brasil deveria pedir carteira de vacinação para todo mundo que entre no nosso território - hoje, o governo não exige que estrangeiros apresentem comprovante de vacinação ao chegar ao País.

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O que proporciona uma boa longevidade

Dados compilados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) mostram que a vacinação em massa foi a principal responsável por fazer a expectativa de vida do brasileiro saltar em cerca de 30 anos entre as décadas de 1940 e o século XXI, devido ao controle de doenças infecciosas e ao efeito de proteção coletiva. Dalcomo é categórica ao condicionar a expectativa de vida do brasileiro à vacinação:

A longevidade no Brasil, sobretudo nesse País tão obscenamente desigual no qual nós vivemos, tem uma razão muito explícita. Nós interviemos sobre a nossa mortalidade infantil com algo chamado vacina, uma palavra fácil de três sílabas, mas que fez a diferença"
Margareth Dalcomo, pneumologista

Políticas públicas e fé

Para além da vacina, a pesquisadora da Fiocruz pontua que o bom envelhecimento depende também da condição de vida digna - fator que só pode acontecer com políticas sociais de proteção.

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"Não é só vacinar e alimentar, é dar meios para que a pessoa tenha uma condição de vida não só digna — digna é muito pouco —, tem que ter algum prazer e poder falar sobre longevidade não como uma abstração, um sonho, mas como uma realidade", elenca Dalcomo. 

Margareth Dalcomo falando em púlpito em evento
Dalcomo também foi nomeada como diretora do Departamento de Medicina da PUC-Rio. Foto: Graziela Alcova/ LIDE

Segundo a pesquiadora, envelhecem melhor as pessoas que tiveram uma infância marcada por boa nutrição, condições de vida adequadas, imunização completa e um ambiente favorável. Ela defende que o envelhecimento com qualidade deve proporcionar também prazer e sabedoria acumulada, através do estímulo do pensamento e manifestação da fé e espiritualidade, que são as características mais admiradas de quem alcança a longevidade. 

"Eu acho que a fé, a espiritualidade, qualquer que seja ela, ajuda na confiança, no otimismo. Cientificamente, nós já demonstramos através de trabalhos muito bem conduzidos de que o próprio otimismo faz diferença na evolução das doenças crônicas, na inserção daquele cidadão ou daquela cidadã no mundo", conclui. 

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