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Dia do Orgulho Nerd: do apelido pejorativo a alguém focado e inteligente

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Os gibis também costumam ser apreciados pelos nerds - Adobe Stock
Os gibis também costumam ser apreciados pelos nerds
Por Felipe Cavalheiro

25/05/2026 | 17h32

São Paulo - Em 25 de maio de 1977 estreou nos cinemas americanos o filme Star Wars. Pela importância da saga na cultura geek, a data foi escolhida para comemorar o Dia do Orgulho Nerd

A cultura geek se refere a um estilo de vida, um conjunto de interesses e uma identidade social que gira em torno do fascínio pela tecnologia, pela ciência, pela cultura pop, por jogos e pelo universo de ficção e fantasia.

O nerd, por sua vez, atualmente pe visto como alguém inteligente, focado, especialista em determinado assunto (seja tecnologia, cinema, literatura, gibis ou games) e intelectualmente curioso. A conotação de "fracassado social" foi praticamente extinta.

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Foto do Cleber Marques
Cleber Marques: "Eu não tinha um videogame, mas jogava toda semana"/ Reprodução - Instagram

Cleber Marques conta que seu gosto por jogos digitais começou na infância. A família não possuia recursos para comprar os consoles dos anos 1980; mas o pai,  técnico em eletrônica, deixava que Cleber testasse cada aparelho que ele consertava – tanto para garantir que estava funcionando quanto para alegrar o filho. 

Marques levou o gosto para a vida e hoje trabalha com revistas e jogos retrô, tendo fundado a empresa Warpzone. Para ele, esse tipo de experiência define o apego emocional e a nostalgia que os nerds que nasceram há mais de quarenta anos guardam. 

A transformação da cultura nerd

Se hoje "conteúdos nerds" são bem vistos e consumidos por qualquer um, esse não era o cenário décadas atrás. 

Quando o console popular era o Atari, e os gibis da Marvel e DC acabavam de chegar às bancas, "nerd" era um apelido pejorativo, colocado em quem era pouco sociável e com interesses muito peculiares. 

Com a popularização dos computadores pessoais, o nascimento dos videogames domésticos e o avanço da ficção científica no cinema, o estilo de vida foi aos poucos furando a bolha e conquistando adeptos de todo tipo. 

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Segundo Marques, o advento da internet foi vital para a força da cultura nerd. Quando não se encontravam pessoas conversando de jogos e quadrinhos na escola ou no trabalho, a rede permitiu o contato de quem tinha os mesmos gostos. 

"Você acessava um fórum online e pensava assim: 'Eu não estou sozinho. Conhecem a mesma coisa que eu e gostam tanto quanto eu ou ainda mais'." 

O amadurecimento do nerd

Assim como a sociedade mudou sua visão da cultura nerd, a própria comunidade se adaptou. Marques percebe que os passatempos geek estão cada vez mais caros. " Hoje, você não tem um gibi de 30 centavos, você tem a graphic novel com capa dura que custa R$ 200", enfatiza. 

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Grande colecionador de revistas, com mais de três mil exemplares em seu acervo, Marques defende que a preservação da mídia física não existe apenas para agradar colecionadores, mas para preservar a memória da arte. 

Ele reforça que, quando um conteúdo existe apenas digitalmente, sua continuidade depende da vontade das grandes empresas que mantêm os servidores de nuvem – uma vez que estes param de compensar financeiramente, milhares de jogos e filmes se caem no esquecimento. 

Por fim, o colecionador avalia que, mesmo com a força da nostalgia, é necessário ter uma visão crítica quantoàs obras do passado: mulheres e pessoas negras não eram tão representadas nos heróis quanto os homens brancos. 

Para Marques, esses estereótipos já mudaram na cultura geek, mas dependem do amadurecimento de todos os nerds para serem enterrados de vez. 

"Esperamos que as nossas séries, quadrinhos e jogos; todo o conteúdo que gostamos, amadureçam junto com a gente." 

* Estagiário sob supervisão de Claudio Marques

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