CONFIRA

Entenda de vez por que as urnas eletrônicas são seguras

O Teste Público da Urna (TPU) permite que investigadores busquem vulnerabilidades, garantindo a segurança do sistema eleitoral brasileiro

Felipe Cavalheiro

Por Felipe Cavalheiro

23/10/2026 | 17h24

Leobark Rodrigues/Secom/TSE

Inspeção dos códigos-fonte pela Controladoria-Geral da União (CGU) - Leobark Rodrigues/Secom/TSE
Inspeção dos códigos-fonte pela Controladoria-Geral da União (CGU)
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Três pesquisas eleitorais recentes indicam um empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, refletindo a crescente polarização política no Brasil e a necessidade de garantir a integridade do processo eleitoral.

Uma pesquisa revelou que 53% dos eleitores confiam nas urnas eletrônicas, enquanto 43% expressam desconfiança.

O Tribunal Superior Eleitoral realiza o Teste Público da Urna, onde especialistas buscam vulnerabilidades no sistema, e reforça que a urna possui múltiplas camadas de segurança, com atualizações constantes para prevenir invasões.

São Paulo - Três pesquisas eleitorais divulgadas nesta sexta-feira, 23 – Vox Brasil, Real Time Big Data e Alfa Inteligência - apontam os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) com pouca diferença de intenção de voto, dentro da margem de erro; o chamado empate técnico. Em disputas tão acirradas, o eleitor quer ter certeza de uma votação justa.

Usada desde 1996 no Brasil, a urna eletrônica é um sistema criado para substituir as antigas cédulas de papel e garantir a maior praticidade no processo eleitoral. O modelo, no entanto, desperta dúvida em parte do País.

Uma pesquisa Genial/Quest de fevereiro deste ano revelou que 53% do eleitorado brasileiro confia nas urnas eletrônicas, enquanto 43% não confia.

Defendendo o dispositivo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirma que possui “uma arquitetura de segurança única no mundo”. Como reforço, a corte lembra que o código-fonte é avaliado por técnicos da Controladoria-Geral da União (CGU) e passa por um teste público de segurança.

Como funciona o teste de invasão da urna eletrônica?

Realizado sempre no ano anterior à eleição, o Teste Público da Urna (TPU) é um evento oficial no qual investigadores ganham acesso aos aparelhos usados na votação e buscam por vulnerabilidades. 

O processo, aberto para qualquer brasileiro maior de idade que apresente um plano de invasão, é feito em duas etapas. Uma Comissão Avaliadora identifica os riscos de qualquer falha encontrada na primeira fase e atesta as correções feitas pelo TSE na segunda. 

Foto de Roberto Samarone Araújo
Roberto Samarone Araújo - Divulgação/Universidade Federal do Pará

O doutor em Ciência da Computação e pesquisador de sistemas de votação eletrônica e criptografia, Roberto Samarone Araújo, já integrou a Comissão Avaliadora em 2023 e 2025 – como representante da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e da comunidade cientifica, respectivamente. 

Junto a outros 13 representantes de entidades como USP, Polícia Federal e OAB, Samarone teve acesso ao código-fonte da urna e às mais diferentes ideias de como quebrá-lo.

O especialista conta que o ambiente do TPU dá mais possibilidades às tentativas de invasão do que ocorreria na prática, com o investigador convidado tendo acesso completo ao código e a todos os computadores ligados à urna. 

Mesmo assim, não foram poucas as vezes que Samarone testemunhou um investigador aparecer com um plano complexo e desistir ao se deparar com a urna eletrônica e nem saber por onde começar. 

Alguns dos convidados conseguiam apontar falhas, mas nunca com um risco real. “Desde quando iniciei na banca, não vi nada que mudasse voto ou alterasse as eleições. Passaram longe disso”, relata. 

O pesquisador lembra ainda de uma regra importante: nenhum sistema digital é 100% seguro, sendo necessárias atualizações para combater novas técnicas de invasão. O modelo atual da urna (UE2022), por exemplo, possui mais barreiras de criptografia do que os anteriores. 

Na análise dele, é essa evolução constante que mantém a urna segura. Samarone sente que "existe muita vontade de falar mal do sistema, mas pouca de testá-lo", e sugere aos 'desconfiados' que ajudem a melhorar ainda mais a segurança do sistema eleitoral.

Todas as críticas poderiam virar planos de invasão para o Teste Público da Urna. Contribuir mostrando possíveis falhas é mais importante do que apenas criticar.
Roberto Samarone Araújo, doutor em Ciência da Computação 

Abaixo, busque por uma ideia de como invadir a urna eletrônica e verifique se esteve entre os planos testados em 2025. 

Principais dúvidas sobre a segurança da urna eletrônica

A urna pode ser invadida remotamente por hackers no dia da eleição?

A urna não possui placa de rede Wi-Fi, Bluetooth, chip de celular ou conector de cabo de rede, tornando impossível um ataque remoto.

Alguém pode trocar o programa da urna por um programa adulterado via pen drive?

O sistema operacional e os softwares de votação são assinados digitalmente pelo TSE. A urna possui um chip criptográfico de segurança que confere a assinatura digital antes de ligar, e trava a urna caso o código esteja alterado.

E se os votos forem alterados na hora de transmitir os resultados para o TSE?

A urna imprime o Boletim de Urna físico na frente dos mesários e fiscais de partidos, contendo o total de votos de cada candidato. Qualquer pessoa pode fotografar o material na porta da seção e comparar com o resultado publicado na internet pelo TSE.

A urna pode ser programada para começar com votos escondidos?

Minutos antes de abrir a seção, a urna imprime a "Zerésima", comprovando que há zero votos registrados para todos os candidatos. Nos Tribunais Regionais, urnas são sorteadas na véspera e testadas no dia da votação, para comprovar que seguem o mesmo código.

O código-fonte é auditado?

O código-fonte fica aberto para inspeção de partidos políticos, OAB, Ministério Público, Sociedade Brasileira de Computação e universidades (como USP, Unicamp e UFPE) um ano antes do pleito.

*Estagiário sob supervisão de Marcia Furlan

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