CONFIRA

Você usa “rs” para rir? Talvez esteja dizendo outra coisa sem perceber

No início da web, “rs” era sinônimo de riso leve, hoje, carrega nuances de sarcasmo, diplomacia sem emoção e até provocação sutil

Por Beatriz Duranzi

22/06/2025 | 13h00

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No Brasil dos anos 2000, “rs” dominava chats
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São Paulo, 22/06/2025 - No Brasil dos anos 2000, “rs” (abreviação de “risos”) dominava chats como MSN, Orkut, fóruns e até‑mesmo e‑mails corporativos. Era mais sutil que “kkk” ou “hahaha”, transmitindo educação e um riso contido. Repetido (“rsrsrs”), reforçava o humor de forma leve e universal, até soar antiquado com o passar do tempo.

A partir de 2010, cresceram os “kkk” (mais barulhentos), “hahaha” (influência do inglês) e emojis como o “Rosto com Lágrimas de Alegria”, (eleito Palavra do Ano pelo Oxford Dictionary em 2015 e o emoji mais usado mundialmente até 2022). 

O “rsrsrs” no mundo atual

Hoje em dia, segundo a internet, o “rsrsrs” é raramente uma risada genuína. É mais usado para:

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  • Ironia: “Amei refazer o trabalho rsrsrs”.
  • Constrangimento educado: “Mandou mensagem e ele nem viu rsrsrs”.
  • Tom passivo‑agressivo: “Claro, pode atrasar de novo, rsrsrs”.

Quando usado, muitas vezes é para preencher silêncio, evitando pausas desconfortáveis, mas sem real entusiasmo.

Quais os novos jeitos de expressar riso?

O vocabulário online se renovou com expressões como:

  • “Morto” (muita graça)
  • “Socorro” (riso desesperado)
  • “Emoji com lágrimas” (chorando de rir)
  • “Aiai” (riso resignado/emotivo)

Essa mudança evidencia a natureza dinâmica do “internetês”, uma escrita híbrida que adapta vocabulário, abreviações e emoticons ao contexto e a quem escreve. O “rsrsrs” migrou de riso sincero para marca de narrativa emocional, com tons irônicos e generacionais, mostrando como a linguagem online reflete cultura e relações entre gerações.

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O “rsrsrs” não morreu, apenas evoluiu. Hoje, é mais um símbolo de humor contido, ironia ou diplomacia sem emoção, carregando traços de nostalgia e distinção geracional. Sua jornada revela como construímos e reinventa­mos formas de rir (ou fingir rir) na era digital.

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