87% dos brasileiros veem discriminação de idosos em processos seletivos
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São Paulo, 17/02/2026 - Um estudo realizado pela Croma Consultoria mostra que 87% dos brasileiros, quase 9 em cada 10 pessoas, acreditam que empresas discriminam pessoas mais velhas nos processos de contratação. O resultado evidencia, segundo a empresa, que, apesar do avanço na ocupação, o idadismo ainda limita oportunidades.
Dados da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgada pelo IBGE em dezembro de 2025, apontam que apenas 17% dos idosos (os 60+) ocupados atuam com carteira assinada, enquanto 51% trabalham por conta própria ou como empregadores, cenário significativamente superior à média nacional, o que indica tendência ao empreendedorismo por necessidade.
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O IBGE aponta que a taxa de informalidade entre idosos, 55,7%, é superior à média nacional, em torno de 40%. Mesmo com o maior peso da informalidade, a renda média do grupo é de R$ 3.561 mensais, superando em 14,6% o rendimento médio da população geral ocupada. Essa informação mostra o potencial econômico dessa faixa etária.
Aumento da participação
Ainda assim, o aumento da participação de pessoas com 60 anos ou mais tem sido constante, superando o ritmo de crescimento da população ocupada total. De acordo com o IBGE, o Brasil registrou, em 2024, o maior número de idosos trabalhando: 8,3 milhões de pessoas com 60 anos ou mais estavam ocupadas, representando 24,4% da população idosa do País.
Na faixa entre 60 e 69 anos, o avanço é ainda mais expressivo: 34,2% estavam em alguma atividade, e entre os homens esse índice alcança quase metade (48%). O crescimento, impulsionado tanto pela necessidade quanto pela longevidade maior, revela uma geração que permanece ativa e produtiva, redefinindo o papel da maturidade no Brasil.
Ao mesmo tempo, o estudo da Croma Consultoria, chamado Oldiversity, mostra que a geração 60+ combina consciência do envelhecimento com autonomia e planejamento. Segundo os dados, 92% dos respondentes 60+ afirmam se preocupar com a própria manutenção no futuro, e 91% dizem se preparar para não perder qualidade de vida à medida que envelhecem.
“Os mais velhos continuam se preocupando muito em como se manter produtivos, tendo em vista que estão cientes de que a população será composta em sua maioria por idosos no futuro. Além disso, mantêm forte intenção de investir na qualidade de vida, seja para não perder a condição que já mantêm atualmente ou para garantir isso nos próximos anos”, afirma o fundador da Croma, Edmar Bulla.
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O estudo também pesquisou como os idosos se relacionam com marcas, propaganda e consumo: 64% acreditam que empresas não devem “levantar bandeiras” ideológicas em suas propagandas e 57% se definem como independentes, reforçando uma postura mais crítica, seletiva e exigente diante de discursos corporativos, segundo a Croma.
O fundador da consultoria afirma que o conjunto dos dados revela que o País vive um ponto de virada.
A maturidade deixou de ser associada à inatividade e passou a representar um ciclo de reinvenção, contribuição econômica e protagonismo social. Reconhecer essa transformação e incluir o público 60+ de forma respeitosa, estratégica e livre de estereótipos, é um passo essencial para empresas, comunicadores e para o próprio desenvolvimento do Brasil diante de sua nova realidade demográfica.”
Para o levantamento, foram realizadas 2.000 entrevistas entre os dias 19 e 28 de agosto de 2025, em todo o Brasil, utilizando painel on-line, com cotas específicas considerando as faixas geracionais, gênero, classe social e região geográfica. Os resultados foram ponderados, informa a consultoria, para representar a população brasileira das classes A, B e C.
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