Ações relacionadas a burnout somam R$ 9,9 bi; grandes empresas são maioria
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São Paulo - Um levantamento realizado pela plataforma de inteligência jurídica Predictus mapeou 22.815 processos trabalhistas e 11.287 empresas rés entre janeiro de 2016 e abril de 2026 e revela que as ações relacionadas à Síndrome de Burnout na Justiça do Trabalho respondem por um passivo financeiro acumulado que já atinge R$ 9,94 bilhões.
Em 2016, primeiro ano completo da série histórica, foram distribuídas 943 ações, que somavam 173,8 milhões com valor mediano por ação de R$ 57 mil. Em 2025, o número atingiu 4.940 ações que totalizaram R$ 1,73 bilhão e valor mediano de R$ 167 mil por processo.
O cruzamento de dados da base judicial com o perfil cadastral das organizações mostra que 71% de todos os processos mapeados envolvem companhias de grande porte. Além disso, a mediana de idade das organizações processadas é de 22 anos de existência, sendo que três em cada quatro possuem mais de 12 anos de mercado.
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São organizações de estruturas consolidadas, com 93,3% com situação cadastral ativa na Receita Federal. Das 11.287 empresas analisadas, 1.916 operam com mais de 10 filiais, 547 com mais de 50 e 287 com mais de 100 unidades. "Uma única política corporativa inadequada pode adoecer trabalhadores de Roraima ao Rio Grande do Sul simultaneamente", analisa a pesquisa.
O diagnóstico é claro: o adoecimento mental não decorre da imaturidade institucional, mas, sim, da consolidação de modelos de gestão estruturalmente exaustivos, de acordo com a Predictus.
A análise das cinco atividades econômicas com maior volume de processos revela a liderança do setor bancário, com os bancos múltiplos com carteira comercial registrando 3.030 pares processo-empresa, seguidos pelos bancos comerciais, com 2.160. Na sequência, aparecem os hospitais (1.060), o setor de teleatendimento/call centers (987) e, fechando as cinco maiores concentrações, a administração pública geral (950).
Evolução nos processos e perícias médicas
As ações trabalhistas envolvendo burnout têm crescido de forma consistente e, com elas, também evolui a forma como a Justiça analisa as evidências apresentadas por trabalhadores e empresas.
Se há alguns anos o diagnóstico médico era o principal elemento considerado nos processos, hoje os tribunals avaliam um conjunto muito mais amplo de documentos capazes de demonstrar como o ambiente de trabalho contribuiu para o adoecimento, segundo a Predictus.
No levantamento da empresa, em 68,61% dos casos analisados, a perícia médica confirmou a existência de nexo entre a atividade profissional e o adoecimento do trabalhador. O estudo também mostra que a responsabilidade do empregador foi reconhecida em 38,42% dos processos.
Segundo Hendrik Eichler, especialista em inteligência jurídica e CEO da Predictus, exames médicos, prontuários, receitas e históricos de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico continuam sendo documentos importantes para demonstrar a evolução do quadro clínico.
Provas passaram a ter mais relevância
No entanto, outras evidências passaram a ter grande relevância nas ações trabalhistas, segundo Eichler. Conversas por aplicativos de mensagens, e-mails corporativos, registros de ponto, controles de jornada, comprovantes de horas extras e até avaliações internas de desempenho têm sido utilizados para reconstruir a rotina do trabalhador.
Da mesma forma, depoimentos de colegas e ex-funcionários ajudam a esclarecer como funcionava o ambiente de trabalho e se havia práticas recorrentes de pressão excessiva, assédio organizacional ou sobrecarga.
Os dados judiciais podem ser uma importante ferramenta de apoio à gestão de riscos, mas não devem ser utilizados de forma automática ou isolada. É preciso entender o contexto da informação, a finalidade da consulta e a relação que ela possui com a atividade que será exercida pelo profissional”, afirma Eichler.
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