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Aos 51, Danton Mello fala sobre desafio de parar de fumar: 'Luta diária'

Gustavo Arrais

Danton Mello abre o jogo sobre a batalha contra o vício do cigarro e sua busca por mais saúde - Gustavo Arrais
Danton Mello abre o jogo sobre a batalha contra o vício do cigarro e sua busca por mais saúde
Por Bianca Bibiano

29/08/2026 | 08h00

São Paulo - Quem acompanha a trama do personagem Diógenes na novela A Nobreza do Amor não imagina a batalha travada nos bastidores pelo ator Danton Mello. Aos 51 anos, o artista global enfrenta o desafio de abandonar o cigarro após décadas de vício.

A decisão mais recente foi impulsionada pelo falecimento de seu pai em julho deste ano, o bancário aposentado Dalton Mello, vítima de complicações respiratórias graves decorrentes do tabagismo.

Meu pai partiu por conta do cigarro. Tudo bem, um senhor de idade, com as suas limitações, mas ele não teve nenhuma doença, não teve Parkinson, não teve um câncer. A questão do seu Dalton foi o cigarro, foi o enfisema, a DPOC. E ele era um grande parceiro, de a gente sentar, trocar ideias e conversar, sempre com o cigarrinho, os dois. Então, ver o seu Dalton naquele estado... Meu pai sofreu bastante", relembrou Danton em entrevista exclusiva ao VIVA.
Foto com Danton Mello no canto esquerdo, sua mãe, pai e Selton Mello
Danton com o irmão Selton e os pais em foto do acervo da família - Reprodução/Instagram @seltomello

A realidade do vício ficou ainda mais evidente ao notar o impacto da situação diante de suas filhas, Luisa, 23, e Alice, 20, que moram no exterior e vieram ao Brasil para se despedir do avô.

"Em um dado momento me vi deixando minhas filhas fazendo companhia para o meu pai no quarto do hospital enquanto eu descia para fumar na rua. Achei isso muito errado e comecei a me questionar ali", desabafa o ator, que iniciou um novo processo de abstinência ainda durante a internação do pai.

A cada dia que eu ia lá dizia: 'Pai, mais um dia sem fumar'. Foi uma conjunção de fatores. Ver meu pai nesse estado, minhas filhas... Teve um peso, sem dúvida."

Uma batalha pela saúde 

A relação com o cigarro vem desde a adolescência. Entre idas e vindas, Danton chegou a ficar quatro anos longe do tabaco, mas sofreu recaídas ao longo das décadas. Além do fator emocional, os impactos diretos na própria saúde tornaram a parada uma questão de urgência.

"Já tive o diagnóstico de princípio de enfisema. Começa muito pequenininho, mas pode chegar ao ponto em que toma o pulmão inteiro", revela. O quadro se agrava com outras condições pré-existentes do ator. "Convivo com diabetes tipo 2 há mais de 10 anos. O cigarro é péssimo para qualquer um, mas para o diabético é ainda pior."

A preocupação, somada a uma tosse crônica que o perseguia antes de dormir e pelas manhãs, também passou a afetar a rotina de trabalho nos estúdios:

Já fiz cenas de ação que precisavam de esforço físico e fiquei cansado. Comecei a me questionar se em breve não conseguiria realizar determinado trabalho por conta do cigarro."

Além da novela global, Danton também aparece nas telas este ano na mais recente temporada da série Sessão de Terapia, na qual interpreta o papel de irmão do psicanalista e protagonista Caio Barone.

Rede de apoio do irmão

Na luta diária contra a nicotina, Danton conta com o apoio fundamental do irmão, o também ator Selton Mello, que já parou de fumar há mais de cinco anos e serve como referência na família.

"Quando eu parei lá atrás, incentivava ele a largar também. Depois eu voltei e ele parou. É muito importante essa conversa com ele, estarmos juntos e falando: 'Cara, que bom que agora não estamos fumando, que temos essa liberdade'."

reprodução de tela de aplicativo que ajuda a parar de fumar
Danton Mello monitora os dias sem fumar usando um aplicativo que contabiliza os dias longe do vício - Acervo pessoal

Para vencer os dois maços por dia que costumava consumir, rotulados por ele como uma "aberração", Danton aliou acompanhamento médico, adesivos de nicotina e aplicativos de contagem. O resultado já se reflete na qualidade de vida.

"Estou me sentindo mais leve, com a respiração melhor e sem crises de tosse ao dormir."

Atualmente com mais de 70 dias sem acender um cigarro, o ator adota uma filosofia de um dia de cada vez para evitar recaídas. "É difícil dizer que parou definitivamente. Eu penso assim: hoje eu não vou fumar. É uma batalha dia após dia. Quantas vezes eu já zerei esse aplicativo de contagem? Agora espero não zerar nunca mais", finaliza.

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